Porque estão as ações norte-americanas a subir na abertura enquanto as ações relacionadas com criptomoedas afundam?

Markets
Atualizado: 2026-01-30 09:49

O índice Nasdaq afundou mais de 2,6% logo após a abertura, mas recuperou parte das perdas, encerrando com uma queda de 0,72%. O mercado de criptomoedas, contudo, registou oscilações ainda mais acentuadas—o Bitcoin caiu mais de 5% num só dia, chegando a descer momentaneamente para os 81 000 $. Nas últimas 24 horas, mais de 220 000 traders foram liquidados em toda a rede.

01 Divergência dos Mercados

Quando os mercados norte-americanos abriram a 29 de janeiro, os investidores depararam-se com uma divergência surpreendente. O Dow Jones subiu 0,14%, o S&P 500 avançou 0,18%, enquanto o Nasdaq recuou modestos 0,13%.

Esta divisão foi ainda mais evidente entre as tecnológicas. A Meta Platforms disparou quase 10% após superar as expectativas nos resultados do quarto trimestre, nas previsões para o primeiro trimestre e nos investimentos de capital para o ano inteiro. Em contraste, as ações da Microsoft caíram mais de 8%, sobretudo devido à desaceleração do crescimento do negócio cloud—que desceu para 39%—e a um recorde de investimento em capital, o que gerou preocupações no mercado.

A atenção dos mercados financeiros rapidamente se centrou nas ações relacionadas com criptomoedas, que, sem exceção, registaram quedas generalizadas.

02 Desempenho das Ações Cripto

As ações ligadas ao setor cripto enfrentaram forte pressão vendedora, tornando-se o segmento mais penalizado do dia. Segundo dados de mercado, a MicroStrategy caiu 3,89% e a Coinbase recuou 3,97%.

Nem mesmo a MicroStrategy—frequentemente apelidada de "ETF alavancado de Bitcoin" e a empresa cotada com maior volume de Bitcoin em carteira a nível mundial—escapou à onda de vendas.

Outras empresas do setor também sofreram: a CRCL desvalorizou 4,02%, a SBET perdeu 1,30% e a BMNR recuou 3,98%. Esta queda transversal revela que as preocupações dos investidores não se limitam a empresas específicas; todo o setor enfrenta pressão sistémica.

Em nítido contraste, a gigante tecnológica Meta Platforms valorizou quase 10% no mesmo dia.

03 Queda Abrupta nas Criptomoedas

A forte correção do mercado cripto desencadeou diretamente as vendas nas ações relacionadas. Nas primeiras horas de 30 de janeiro (hora de Pequim), o Bitcoin afundou mais de 5%, chegando momentaneamente ao patamar dos 81 000 $. As principais criptomoedas seguiram a tendência: o Ethereum caiu mais de 6% e tanto a SOL como a Dogecoin recuaram mais de 6%.

O pânico alastrou rapidamente. Segundo a CoinGlass, 227 939 traders foram liquidados em todo o mundo nas últimas 24 horas, com um volume total de liquidações de 1,014 mil milhões $.

De acordo com dados de mercado da Gate, a 30 de janeiro, o preço do Bitcoin consolidava-se em torno dos 82 500 $, com uma queda de 6,4% nas últimas 24 horas. Esta descida acentuada dos ativos de referência refletiu-se naturalmente nas ações do setor.

04 Vários Fatores em Jogo

A incerteza geopolítica continuou a intensificar-se. Circularam rumores de que o Presidente dos EUA, Trump, estaria "a considerar um novo grande ataque ao Irão". O Irão respondeu afirmando que "não iniciará uma guerra, mas, se for provocada, defender-se-á de forma resoluta".

Os dados sobre fluxos de capitais corroboram esta visão. Segundo a Bloomberg, os investidores retiraram mais de 1,3 mil milhões $ de fundos ligados ao Bitcoin na última semana, prolongando a tendência de saídas dos ETF cripto.

Analistas do Citi Group e da Tagus Capital observaram que a função do Bitcoin como proteção contra a inflação é, na melhor das hipóteses, ocasional. O seu preço é mais influenciado pela liquidez, pelo apetite pelo risco e pelos fluxos para ações tecnológicas do que por uma ligação sustentada ao enfraquecimento do dólar ou ao stress geopolítico.

Esta vaga de volatilidade revela uma tendência clara: o capital está a afastar-se dos ativos cripto de maior risco, procurando classes de ativos mais defensivas.

05 Rotação de Capital

Enquanto as ações norte-americanas subiram de forma generalizada na abertura, as empresas do setor cripto afundaram, evidenciando uma rotação significativa de capital nos mercados financeiros globais.

Os investidores institucionais estão a reavaliar as suas alocações de ativos. Algumas empresas cripto anunciaram planos para alocar entre 10% e 15% das suas carteiras a ouro físico. Esta mudança reflete diretamente a alteração do sentimento de mercado.

Uma tese de investimento de longa data está agora a ser posta à prova. O professor Cam Harvey, da Universidade de Duke, afirmou anteriormente: "É improvável que o Bitcoin substitua o ouro como ativo-refúgio preferido dos investidores."

Os dados históricos de correlação confirmam esta mudança. Segundo uma análise da Trefis, a correlação do Bitcoin com as classes de ativos tradicionais nos últimos 10 anos, 5 anos e 1 ano foi de 26%, 38% e 40%, respetivamente. Embora esta correlação relativamente baixa tenha sido vista como uma vantagem de diversificação, atualmente serve de argumento para a saída de capitais.

Perspetivas

Após atingirem máximos históricos, o ouro e a prata registaram ambos inversões acentuadas, com perdas intradiárias superiores a 5% e 8%, respetivamente.

As participações no maior ETF de ouro do mundo—o SPDR Gold Trust—atingiram quase o máximo de quatro anos, sinalizando um renovado interesse dos investidores nos ativos tradicionais de refúgio.

Com a persistência da incerteza global, o capital está a abandonar os ativos de maior risco, como criptomoedas e tecnológicas, regressando ao ouro, à prata e a outros investimentos tradicionais—intensificando a volatilidade dos mercados.

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