Acabei de perceber algo interessante sobre como os bancos estão a reestruturar-se fundamentalmente. Dediquei algum tempo a analisar a mudança de infraestrutura que está a acontecer neste momento, e é honestamente mais significativa do que a maioria das pessoas percebe.



Portanto, a digitalização dos bancos já não é apenas uma palavra da moda — é realmente o núcleo da sua estratégia de investimento. Em 2024, as instituições financeiras gastaram $623 biliões em tecnologia, e aqui está a parte mais louca: pela primeira vez, mais da metade desse valor foi direcionada para infraestrutura digital como computação em nuvem e APIs, em vez de manter ativos físicos. Centros de dados, redes de agências, caixas multibanco — tudo a ser substituído por software.

Estava a ler uma pesquisa da McKinsey com CIOs de bancos, e 78% deles planeiam transferir as suas principais cargas de trabalho para a nuvem pública nos próximos cinco anos. Isso representa um aumento enorme em relação aos apenas 35% de 2020. A pressão é real — eles precisam de eficiência de custos, enfrentam exigências regulatórias de resiliência, e têm de lidar com 3,6 bilhões de clientes de banca digital até 2028. A digitalização dos bancos já não é opcional; é uma questão de sobrevivência.

O que é particularmente interessante é quanto dinheiro eles realmente estão a economizar. O HSBC anunciou uma parceria importante com a AWS em 2024 e espera reduzir $300 milhões por ano assim que estiverem totalmente migrados. Os números da Accenture sugerem que as migrações para a nuvem normalmente reduzem os custos de infraestrutura entre 40% e 60%. A Capital One foi totalmente para a nuvem em 2020, fechou todos os centros de dados e passou a operar inteiramente na AWS — os custos tecnológicos deles caíram a cada ano desde então.

Entretanto, plataformas fintech que cresceram 23% ao ano nunca tiveram que lidar com custos de centros de dados legados porque eram nativas da nuvem desde o primeiro dia. Essa é uma vantagem estrutural difícil de competir.

O lado das APIs é igualmente transformador. Os ecossistemas de banking aberto estão a substituir aquelas antigas redes proprietárias que os bancos costumavam gerir. O quadro de Banking Aberto do Reino Unido sozinho tem mais de 370 provedores regulados e 7 milhões de utilizadores ativos. Quando alguém solicita uma hipoteca através do site de um corretor agora, as APIs puxam os seus dados, verificam a identidade, checam o crédito — tudo a acontecer nos bastidores, sem que eles tenham que visitar uma agência.

A verificação de identidade também passou a ser digital. Antes, era preciso ir a uma agência com documentos físicos. Agora, empresas como a Onfido e Jumio usam IA para verificar a identidade em menos de 60 segundos. A Gartner relata que 85% das novas contas bancárias em mercados desenvolvidos são abertas através de canais digitais. O sistema Aadhaar da Índia sozinho fornece identidade digital para 1,4 mil milhões de pessoas, fazendo a abertura de contas levar minutos em vez de dias.

A infraestrutura de pagamentos é provavelmente a mudança mais visível. Sistemas de pagamento em tempo real estão ativos em mais de 70 países agora. A UPI da Índia processou 12 bilhões de transações num único mês no ano passado. O Pix do Brasil fez 42 bilhões de transações durante todo o ano. O SEPA Instant da UE está a expandir-se para cobrir todos os bancos da zona euro até 2025. Compara isso com o sistema bancário tradicional, onde as transferências levavam de um a três dias úteis — a diferença é abissal.

O que estamos realmente a ver é os bancos a digitalizar-se em todos os níveis: desde onde armazenam os dados, até como verificam os clientes, até como as transferências realmente acontecem. Infraestrutura mais barata, mais rápida de atualizar, e que escala sem restrições geográficas. O modelo de banca baseada em agências não está apenas a evoluir — está a ser substituído por um sistema totalmente movido a software. Essa é a verdadeira história aqui.
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