O Japão inaugura a Era Digital em 2026: Ativos Cripto totalmente integrados nos sistemas financeiros tradicionais

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Atualizado: 2026-01-06 03:50

A Ministra das Finanças do Japão, Mitsuki Katayama, declarou oficialmente 2026 como o "Ano Zero" dos ativos digitais na cerimónia de abertura do Ano Novo da Bolsa de Valores de Tóquio. Sublinhou que, para que o público beneficie verdadeiramente dos ativos digitais e dos ativos baseados em blockchain, a infraestrutura de mercado das bolsas de mercadorias e valores mobiliários terá um papel determinante.

O Japão está a transferir a regulação dos criptoativos da Lei dos Serviços de Pagamento para a Lei dos Instrumentos Financeiros e Bolsas, passando a definir formalmente as criptomoedas como produtos financeiros e não como instrumentos de pagamento. Está em curso um conjunto de reformas ao nível da fiscalidade, do acesso regulatório e da estrutura de mercado.

Declaração de Política

A Ministra das Finanças e dos Serviços Financeiros do Japão, Mitsuki Katayama, designou oficialmente 2026 como o "Ano Zero" para a integração total dos ativos digitais na abertura do Ano Novo da Bolsa de Valores de Tóquio. Enfatizou que, para garantir que os cidadãos beneficiem plenamente dos ativos digitais e de blockchain, as bolsas e respetiva infraestrutura de mercado devem assumir um papel central. Esta posição oficial assinala uma mudança significativa na estratégia nacional do Japão relativamente aos ativos digitais.

As suas declarações refletem a recente tendência regulatória japonesa de integração dos criptoativos nos mercados de capitais tradicionais. Katayama apontou o mercado dos EUA como exemplo, referindo que os criptoativos se tornaram uma ferramenta para o público se proteger da inflação através de fundos cotados em bolsa, sugerindo que o Japão poderá adotar uma abordagem semelhante. As suas palavras inserem-se num processo mais amplo e sistemático de reforma legal e regulatória. O governo japonês planeia alterar a Lei dos Instrumentos Financeiros e Bolsas para enquadrar os criptoativos no seu âmbito regulatório. Esta alteração sujeitará os criptoativos a requisitos semelhantes aos dos valores mobiliários, incluindo obrigações de divulgação de informação, proibição de abuso de informação privilegiada e restrições rigorosas à manipulação de mercado.

Quadro Regulatório

A abordagem do Japão à regulação dos criptoativos está a evoluir de uma perspetiva de "meios de pagamento" para "produtos financeiros". A Agência dos Serviços Financeiros (FSA) prevê transferir a regulação das criptomoedas da Lei dos Serviços de Pagamento para a Lei dos Instrumentos Financeiros e Bolsas. Assim, os criptoativos passarão a ser oficialmente classificados como produtos financeiros, sujeitos aos mesmos padrões regulatórios das ações e obrigações. Espera-se que a alteração legislativa seja submetida em 2026, colmatando a lacuna regulatória relativamente às regras de abuso de informação privilegiada nos criptoativos. Pela primeira vez, a proibição de abuso de informação privilegiada aplicar-se-á às transações de ativos digitais. Qualquer negociação de criptomoedas baseada em informação relevante não pública será considerada ilegal. A revisão regulatória abrange também os requisitos de registo para prestadores de serviços. No futuro, as empresas que ofereçam serviços de criptoativos no Japão terão de se registar junto da FSA, podendo esta regra ser igualmente aplicável a plataformas estrangeiras que operem no país.

O governo japonês está igualmente a ponderar novas normas que obriguem os prestadores de serviços de custódia e gestão de criptoativos a registar-se junto das autoridades, sendo que as bolsas apenas poderão recorrer a prestadores devidamente registados.

Reforma Fiscal

O governo japonês aprovou uma reforma fiscal de grande alcance, planeando reduzir o imposto sobre mais-valias em criptoativos de uma taxa única até 55% para 20%. Desta forma, o tratamento fiscal dos criptoativos ficará alinhado com o das ações e dos fundos de investimento. Em concreto, a coligação governamental detalhou a nova abordagem fiscal para criptoativos no plano de reforma fiscal para 2026, divulgado a 19 de dezembro de 2025. O novo regime abrangerá transações à vista, negociação de derivados e rendimentos de ETFs de criptoativos.

Segundo o Nikkei, esta reforma fiscal aplicar-se-á a "criptoativos especificados" geridos por empresas registadas como Operadores de Instrumentos Financeiros. Isto significa que criptomoedas de referência como Bitcoin e Ethereum deverão ser abrangidas, embora o âmbito exato ainda careça de clarificação. O novo sistema fiscal introduz também um mecanismo de reporte de prejuízos por três anos, permitindo aos investidores deduzir perdas de negociação em ganhos futuros. Esta otimização fiscal irá melhorar substancialmente o ambiente de negociação para investidores japoneses em criptoativos e poderá atrair mais capital para o setor.

Participação Institucional

Com o quadro regulatório mais definido, as instituições financeiras tradicionais japonesas estão a preparar-se ativamente para entrar no mercado dos criptoativos. Seis grandes gestoras de ativos planeiam lançar, até 2026, os primeiros fundos de investimento em criptoativos regulados sob a nova lei dos valores mobiliários. Entre estas entidades encontram-se a Daiwa Asset Management, Asset Management One, Amova, Mitsubishi UFJ, entre outras. O objetivo da FSA é reforçar a proteção dos investidores e o acesso ao mercado, reclassificando os ativos digitais.

A SBI Global Asset Management já desenvolveu planos detalhados para lançar ETFs de Bitcoin e Ethereum, bem como fundos multiativos de criptoativos. O presidente da empresa, Tomoya Asakura, associou esta estratégia à transferência de poupanças das famílias para investimentos regulados, estabelecendo como meta 5 biliões de ienes sob gestão em três anos.

Entretanto, a Nomura Asset Management criou um grupo de trabalho dedicado para orientar a sua nova estratégia de criptoativos. A Daiwa Securities está também a colaborar com a Global X Japan para apoiar os seus planos de ETFs. Os bancos japoneses poderão igualmente entrar diretamente no mercado dos criptoativos. A FSA está a ponderar rever o quadro regulamentar para permitir que bancos locais possam deter, negociar ou custodiar ativos digitais como o Bitcoin em condições reguladas.

Integração de Mercado

As autoridades japonesas deixaram claro que as bolsas de valores tradicionais serão o principal ponto de entrada para os criptoativos. Esta orientação política já se reflete na gestão concreta do acesso ao mercado. Em fevereiro de 2025, os reguladores exigiram à Apple e à Google a remoção de aplicações associadas a bolsas de criptoativos não registadas. A mensagem foi inequívoca: os utilizadores japoneses apenas terão acesso legal a plataformas que cumpram a regulamentação local.

As medidas de integração de mercado incluem também o apoio a projetos de stablecoins. Os reguladores estão a explorar formas de permitir que instituições financeiras em conformidade desempenhem um papel mais relevante no mercado de criptoativos. Estão igualmente em discussão normas de custódia que exijam que os ativos digitais sejam geridos por prestadores de serviços registados. Estas iniciativas respondem a incidentes recentes de segurança a nível global e visam reforçar a segurança geral do ecossistema.

Importa referir que o Japão já conta com cerca de 13 milhões de contas de criptoativos em bolsas locais. Com impostos mais baixos, regulamentação mais clara e produtos mais regulados, espera-se que este número cresça de forma significativa após 2026.

A 6 de janeiro de 2026, segundo dados de mercado da Gate, o preço do Bitcoin estabilizou no início do ano após uma correção no final de 2025. O Ethereum continua a captar a atenção do mercado à medida que o seu ecossistema evolui. O esclarecimento das políticas de mercado japonesas oferece fundamentos sólidos a longo prazo para os criptoativos de referência. Embora alguns detalhes regulamentares ainda estejam a ser finalizados, o Japão já reforçou a fiscalização sobre plataformas estrangeiras não registadas. No final do ano passado, a Bybit anunciou que iria cessar gradualmente os serviços para utilizadores japoneses a partir de 2026, invocando os requisitos regulatórios locais e as regras de registo. Nos painéis digitais de Tóquio, os anúncios de aplicações de negociação de criptoativos surgem agora ao lado dos produtos financeiros tradicionais. Num país conhecido pela sua abordagem cautelosa à tecnologia financeira, o Japão abriu finalmente as portas aos ativos digitais.

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