Ameaça Quântica Está a Ser Exagerada? Relatório da CoinShares Revela que Apenas 0,05 % do Bitcoin Enfrenta Risco Significativo

Atualizado: 2026-02-09 04:48

Uma preocupação recente que tem circulado no mercado de Bitcoin prende-se com a possibilidade de os avanços na computação quântica virem a ameaçar a segurança criptográfica do Bitcoin e, consequentemente, comprometer a sua função enquanto reserva de valor.

Segundo um novo relatório da gestora global de ativos digitais CoinShares, este risco está consideravelmente sobrestimado. Apenas cerca de 10 200 Bitcoins enfrentam um risco que poderia provocar uma disrupção significativa no mercado, o que representa sensivelmente 0,05 % do total da oferta.

Reavaliação do Risco

A ameaça que a computação quântica representa para o Bitcoin tornou-se recentemente um ponto central nas discussões entre investidores institucionais. Em janeiro, o analista do banco de investimento Jefferies, Christopher Wood, retirou toda a alocação de 10 % em Bitcoin do seu portefólio modelo devido a preocupações relacionadas com riscos quânticos. Wood salientou que, embora não espere que questões quânticas venham a impactar dramaticamente o preço do Bitcoin no curto prazo, o conceito de Bitcoin como reserva de valor já não é suficientemente sólido para portefólios de reforma de longo prazo.

Esta decisão baseou-se num estudo amplamente divulgado. Em maio de 2025, investigadores da Chaincode Labs estimaram que entre 20 % e 50 % dos Bitcoins em circulação poderiam estar vulneráveis a técnicas de extração de chaves quânticas.

Análise Precisa

O relatório da CoinShares desafia diretamente esta estimativa, argumentando que estes números confundem categorias de risco fundamentalmente distintas. A empresa restringe a sua análise aos endereços tradicionais "pay-to-public-key" (P2PK), onde as chaves públicas ficam permanentemente registadas na blockchain e são, teoricamente, mais suscetíveis a ataques quânticos futuros.

A CoinShares estima que cerca de 1,6 milhões de Bitcoins estejam armazenados em endereços P2PK, o que representa aproximadamente 8 % do total de Bitcoins. Contudo, o ponto essencial é que apenas cerca de 10 200 Bitcoins estão concentrados em endereços suficientemente grandes para que um eventual roubo possa provocar "turbulência notória no mercado".

Os restantes Bitcoins estão dispersos por mais de 32 000 UTXO individuais, sendo que cada UTXO detém, em média, apenas 50 Bitcoins. O relatório destaca que, mesmo nos cenários mais otimistas para a computação quântica, descodificar estes UTXO pequenos e dispersos demoraria um período extremamente longo.

Perspetivas Divergentes no Setor

Existem diferenças significativas na forma como o mercado perceciona as ameaças quânticas, influenciando diretamente decisões institucionais e o sentimento de mercado:

Perspetiva Instituições/Indivíduos Representativos Posição Central Impacto no Mercado
Campo de Alerta para o Risco Investigadores da Chaincode Labs, alguns investidores institucionais Consideram que 20 %-50 % dos Bitcoins enfrentam risco quântico, classificando-o como uma "ameaça existencial" Leva algumas instituições a reduzir ou liquidar posições em Bitcoin
Campo de Análise Racional CoinShares, Adam Back (CEO da Blockstream) O risco real está sobrestimado; apenas cerca de 0,05 % da oferta enfrenta disrupção de mercado efetiva Fornece suporte baseado em dados, atenuando o pânico excessivo no mercado
Caso de Interpretação Errada de Mercado Galaxy Digital Esclarece que a venda de 9 mil milhões em Bitcoin não esteve relacionada com riscos quânticos, corrigindo rumores Demonstra que grandes transações são, por vezes, atribuídas erradamente ao risco quântico

A Galaxy Digital esclareceu recentemente que a venda de 9 mil milhões em Bitcoin por parte de um cliente não esteve relacionada com riscos de computação quântica, corrigindo um equívoco no mercado.

Adam Back, CEO da Blockstream, adota uma perspetiva ainda mais otimista, afirmando que serão necessários pelo menos 20 a 40 anos até que a computação quântica represente uma ameaça real para o Bitcoin.

Barreiras Técnicas

Do ponto de vista técnico, a capacidade da computação quântica para ameaçar a segurança do Bitcoin tem sido largamente sobrestimada. O relatório da CoinShares sublinha o enorme fosso entre o poder dos computadores quânticos mais avançados da atualidade e o necessário para quebrar a encriptação do Bitcoin. Para descodificar uma única chave pública num dia, seria necessário um computador quântico tolerante a falhas com 13 milhões de qubits físicos — cerca de 100 000 vezes mais potente do que os maiores computadores quânticos atualmente existentes.

Charles Guillemet, CTO da Ledger, explicou à CoinShares: "Quebrar a encriptação assimétrica atual exigiria milhões de bits quânticos. O computador Willow da Google possui apenas 105 qubits. E, a cada qubit adicional, a dificuldade de manter a estabilidade do sistema aumenta exponencialmente." Para quebrar uma chave em apenas uma hora, o hardware teria de ser cerca de 3 milhões de vezes mais potente do que o disponível atualmente. Estes números deixam claro que a computação quântica não representa uma ameaça iminente ao Bitcoin.

Debate sobre a Governação

Perante potenciais ameaças quânticas, a comunidade Bitcoin está dividida quanto à resposta a adotar. Algumas figuras de relevo, incluindo o cypherpunk Jameson Lopp, defendem um soft fork para destruir os Bitcoins vulneráveis a ataques quânticos.

A CoinShares assume uma posição oposta, argumentando que destruir Bitcoins apenas porque os seus detentores estão inativos violaria os princípios de direito de propriedade do Bitcoin. "Acredito que a ideia de destruir Bitcoins que não lhe pertencem é, fundamentalmente, contrária ao espírito do Bitcoin", escreveu Christopher Bendiksen, Head of Bitcoin Research da CoinShares, num relatório publicado em agosto passado.

A CoinShares alerta ainda para os riscos de adoção prematura de formatos de endereço resistentes a ataques quânticos, advertindo que uma implementação precoce pode introduzir vulnerabilidades graves e desperdiçar recursos de desenvolvimento. Em alternativa, a empresa recomenda uma estratégia de transição gradual.

Perspetiva de Mercado e Futuro

A CoinShares publicou o seu relatório num período de turbulência nos mercados. O preço do Bitcoin caiu quase 50 % desde o máximo acima dos 126 000 alcançado em outubro de 2025. As preocupações com ameaças quânticas contribuíram para a volatilidade recente dos preços.

Apesar das oscilações do mercado, o investimento em tecnologias resistentes à computação quântica está a acelerar. Por exemplo, o Project Eleven concluiu recentemente uma ronda Série A de 20 milhões, atingindo uma valorização de 120 milhões, com o objetivo de desenvolver ferramentas pós-quânticas para redes cripto.

Entretanto, também as instituições financeiras tradicionais estão atentas. Um relatório de investigação da Reserva Federal, publicado em 2025, introduziu o conceito de risco "collect now, decrypt later", salientando que, embora as redes cripto possam adotar criptografia pós-quântica para proteger a segurança da rede, os dados de transações já registados permanecem vulneráveis a futuros computadores quânticos.

No caso do Ethereum, o cofundador Vitalik Buterin defende que as blockchains devem abordar proativamente as ameaças quânticas emergentes, em vez de esperar pelo último momento. A Ethereum Foundation criou recentemente uma equipa dedicada à segurança pós-quântica.

O Bitcoin está atualmente cotado a 70 722,2 na Gate, registando uma subida de 1,98 % nas últimas 24 horas, com um volume de negociação de 800,61 milhões nas últimas 24 horas. Segundo a análise de mercado, o preço médio do Bitcoin deverá atingir 70 791,3 até ao final de 2026, com uma variação entre 57 340,95 e 91 320,77. A longo prazo, o preço do Bitcoin poderá alcançar 149 511,29 até 2031.

À medida que a sombra das ameaças quânticas vai sendo gradualmente dissipada por uma análise racional, a rede Bitcoin continua a evoluir tecnologicamente. Do P2PK para formatos de endereço mais seguros, e da encriptação tradicional para a criptografia pós-quântica, cada atualização técnica testa a resiliência deste sistema descentralizado.

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