Em dezembro de 2025, o Federal Reserve Bank de Nova York comunicou a injeção de cerca de US$6,8 bilhões em liquidez de curto prazo no sistema financeiro por meio de acordos de recompra (repos). O objetivo foi aliviar possíveis tensões no mercado de funding no fechamento do ano. Para o mercado, essa foi a intervenção temporária mais relevante do Fed no segmento de repos desde 2020.
Importante destacar que essas ações são instrumentos técnicos de gestão de liquidez, sem representar mudança de política monetária. O foco principal é estabilizar os mercados de funding de curto prazo e evitar oscilações anormais nas taxas de juros causadas por desequilíbrios de liquidez — e não indicar postura de afrouxamento prolongado.
O acordo de recompra consiste no banco central fornecer recursos de curto prazo para instituições financeiras em troca de garantias de alta qualidade — geralmente Treasuries dos EUA ou Treasury bills — revertendo a operação em data definida. Trata-se de uma ferramenta de ajuste de funding de curto prazo, com as seguintes características:
Portanto, embora o mercado reaja fortemente às injeções de liquidez do Fed, as operações de repos servem essencialmente como “manutenção técnica” do mercado de funding, sem redefinir a direção da política monetária.
No encerramento do ano, bancos e instituições financeiras enfrentam diversas restrições de funding:
Esses fatores aumentam a demanda por funding de curto prazo, elevando a volatilidade das taxas de repos e dos custos de financiamento. Sem intervenção, podem ocorrer picos anormais nas taxas de curto prazo, ameaçando a estabilidade do mercado financeiro.
Nesse cenário, as operações de repos do Fed funcionam como um suporte de liquidez — resposta rotineira às pressões sazonais, sem indicar tendência econômica.
Nesta rodada de gestão de liquidez, o Fed utilizou:
A operação de dezembro de 2025 se destacou pelo volume elevado, evidenciando o foco do Fed na lacuna de liquidez do fim de ano e na pressão constante no mercado de funding de curto prazo.
O mercado mostrou que a injeção de liquidez teve impactos distintos entre as classes de ativos:
Mercado de títulos: taxas de juros de curto prazo e taxas de repos recuaram, refletindo alívio nas tensões de funding e pressão baixista sobre os yields de curto prazo.
Ativos de risco: houve leve melhora de sentimento em alguns ativos, mas os ganhos foram limitados e de curto prazo, impulsionados por melhores condições de funding, sem mudança de tendência.
Mercado cripto: opiniões divergiram. A liquidez favorece ativos voláteis, mas uma operação pontual não altera a estrutura de preços de médio ou longo prazo dos criptoativos. No geral, traders mantiveram cautela.
Em síntese, o impacto dessas operações é predominantemente de curto prazo e estrutural. A duração dos efeitos ainda é incerta.

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Alguns participantes enxergam a operação de liquidez do Fed como “indicador líder” para recuperação de ativos de risco, especialmente diante da melhora do sentimento macroeconômico. Já uma visão cautelosa aponta que:
Mesmo assim, a medida transmite uma mensagem clara: as condições de funding de curto prazo estão sob gestão ativa, ajudando a conter o avanço da aversão extrema ao risco.
Ao analisar eventos de liquidez como este, investidores devem adotar visão estrutural e observar:
Para gestão de risco, é fundamental não interpretar uma operação isolada como sinal para alocação de ativos de longo prazo.
A compra de US$6,8 bilhões em Treasuries pelo Fed de Nova York e o suporte de liquidez via repos no fim de ano representam uma operação técnica e direcionada de funding. No curto prazo, contribui para aliviar tensões no mercado e estabilizar taxas de juros, sem indicar mudança na política monetária.
Para investidores, o evento serve como referência para mudanças marginais nas condições de funding — não como base única para decisões de investimento de longo prazo. No fim, as tendências do mercado continuarão sendo determinadas pela evolução dos fundamentos macroeconômicos, expectativas de política e apetite por risco.





