Mercados de Previsão em Grande Escala: Perspectivas para 2026

2025-12-30 11:06:52
intermediário
Blockchain
A Copa do Mundo de 2026 será um verdadeiro teste de estresse sistêmico para os prediction markets. Este artigo explora as restrições fundamentais e as dinâmicas de vencedores desses mercados em grande escala, com ênfase em regulação, liquidação, distribuição e liquidez.

O mercado de contratos de eventos nos Estados Unidos apresentou uma aceleração notável em 2025, impulsionado pela aproximação de um catalisador sem precedentes. A Kalshi viu sua avaliação dobrar para US$11 bilhões, enquanto a Polymarket buscou avaliações ainda mais altas. Plataformas de grande alcance, como DraftKings, FanDuel e Robinhood, lançaram produtos regulados de previsão antes da Copa do Mundo FIFA de 2026, que será sediada na América do Norte. Segundo a Robinhood, os mercados de eventos já geram receita anual de US$300 milhões — a linha de negócios de crescimento mais rápido da empresa —, sinalizando que a negociação baseada em opinião está ganhando escala no mainstream financeiro.

Esse crescimento, contudo, esbarra em desafios regulatórios. Com a expectativa de um aumento de participação impulsionado pela Copa do Mundo, os mercados de previsão passam a ser menos uma questão de produto e mais um desafio de arquitetura regulatória. Atualmente, as equipes estruturam suas operações com base em classificação legal, limites jurisdicionais e definições de liquidação, e não apenas na demanda dos usuários. Capacidade de compliance e parcerias de distribuição tornaram-se tão relevantes quanto liquidez, com o cenário competitivo sendo determinado por quem consegue operar em escala nos marcos permitidos, e não por quem lista mais mercados.

Correntes Cruzadas Regulatórias

A U.S. Commodity Futures Trading Commission autorizou apenas uma classe restrita de contratos de eventos atrelados a indicadores econômicos, rejeitando outros por considerá-los jogos de azar proibidos. Em setembro de 2023, a CFTC bloqueou a tentativa da Kalshi de listar contratos futuros políticos, embora uma disputa judicial posterior tenha concedido aprovação limitada para contratos de eleição presidencial. Em âmbito estadual, reguladores têm sido ainda mais rigorosos com mercados ligados ao esporte. Em dezembro de 2025, a autoridade de jogos de Connecticut emitiu ordens de cessar e desistir contra Kalshi, Robinhood e Crypto.com por ofertarem contratos de eventos esportivos considerados apostas não licenciadas. Nevada também buscou ação judicial para barrar produtos semelhantes, forçando a retirada dessas ofertas no estado.

Em resposta, players estabelecidos como FanDuel e DraftKings restringiram suas ofertas de previsão a jurisdições sem casas de apostas legais, evidenciando que a distribuição está sendo definida pelo perímetro regulatório, não pela demanda dos usuários. A mensagem central é clara: a tolerância regulatória, e não a inovação de produto, é o que determina escala. O design dos contratos, termos de liquidação, linguagem de marketing e expansão geográfica são cada vez mais planejados para resistir ao escrutínio regulatório, e plataformas que operam dentro de frameworks aceitos conquistam vantagens duradouras. Nesse cenário, clareza regulatória se torna barreira competitiva, enquanto a ambiguidade limita diretamente o crescimento.


Volume Notional Semanal dos Mercados de Previsão


Transações Semanais nos Mercados de Previsão

Comparativos Globais

Fora dos Estados Unidos, bolsas de apostas tradicionais e novos regimes de licenciamento demonstram que mercados líquidos de eventos podem operar sob supervisão de jogos, mas com restrições econômicas e de escopo. A Betfair Exchange, do Reino Unido, mostra que é possível alcançar profundidade sob uma licença de apostas, embora a lucratividade seja limitada por regras rigorosas de proteção ao consumidor. Na Ásia, as apostas são, em sua maioria, canalizadas por monopólios estatais ou plataformas offshore, refletindo forte demanda, mas também desafios persistentes de fiscalização e integridade. Na América Latina, o movimento é de formalização, com o Brasil abrindo um mercado regulado de apostas em janeiro de 2025 para converter o mercado cinza em atividade tributada e supervisionada.

O padrão global é consistente: reguladores estão fechando brechas. Modelos de sorteios e cassinos sociais baseados em tokens gratuitos e prêmios estão sendo restringidos ou banidos em várias jurisdições, elevando o nível de compliance para qualquer produto que opere próximo da fronteira das apostas. No mundo todo, a tendência é de supervisão mais rígida, não de zonas cinzentas permissivas.

Plataformas On-Chain vs. Compliance

Mercados de previsão descentralizados cresceram ao oferecer acesso global rápido, sacrificando o compliance regulatório. A Polymarket, plataforma baseada em cripto, foi multada em US$1,4 milhão pela CFTC em janeiro de 2022 por swaps de eventos não registrados e obrigada a bloquear usuários dos EUA. Desde então, a Polymarket reforçou controles (incluindo ex-conselheiros da CFTC) e adquiriu uma entidade registrada em 2025, permitindo um relançamento beta nos EUA em novembro de 2025. Os volumes dispararam: estima-se US$3,6 bilhões apostados em uma única questão eleitoral de 2024, com volume mensal de US$2,6 bilhões no fim do ano, atraindo investidores institucionais e avaliação de cerca de US$12 bilhões em 2025.

Plataformas on-chain permitem criação e resolução rápida de mercados via oráculos, mas enfrentam desafios entre velocidade e integridade. Disputas de governança e oráculos podem atrasar resultados, e o anonimato levanta suspeitas de manipulação ou uso de informação privilegiada. Reguladores permanecem atentos: mesmo com código descentralizado, organizadores e provedores de liquidez podem ser alcançados pela fiscalização, como mostrou o caso Polymarket. O desafio do setor on-chain para 2026 é equilibrar inovação (mercados globais 24/7, liquidação instantânea em cripto) com compliance suficiente para atender autoridades, sem perder o acesso aberto que impulsionou sua popularidade.

Comportamento do Usuário & Tendências de Volume

O uso dos mercados de previsão disparou em 2025, tanto para eventos esportivos quanto não esportivos. Estimativas do setor sugerem que o volume notional total aumentou mais de dez vezes em relação a 2024, atingindo cerca de US$13 bilhões por mês no fim do ano. Mercados esportivos foram o principal motor de volume, com eventos frequentes impulsionando pequenas operações contínuas, enquanto política e macroeconomia atraíram menos, porém maiores, posições.

A diferença aparece na estrutura do mercado. Na Kalshi, contratos esportivos geraram a maior parte do volume acumulado, refletindo participação recorrente de usuários recreativos. Ao mesmo tempo, o interesse aberto se concentrou em política e economia, indicando maiores aportes por posição. Na Polymarket, mercados políticos também dominaram o interesse aberto, apesar de menor frequência de negociações. Em resumo, esportes maximizam o giro, enquanto mercados não esportivos concentram risco.

Isso levou ao surgimento de dois perfis distintos. Usuários de esportes atuam como traders de fluxo, realizando muitas apostas pequenas ligadas a entretenimento e hábito. Usuários políticos e macroeconômicos se comportam como alocadores de capital, realizando menos, porém maiores, operações onde há percepção de vantagem informacional, valor de hedge ou impacto narrativo. Plataformas, assim, enfrentam o desafio de manter engajamento do fluxo e, ao mesmo tempo, credibilidade e integridade nos mercados orientados por capital.

Essa divisão também explica onde se concentram riscos de integridade. Em 2025, polêmicas surgiram principalmente em listagens não esportivas, como objeções de reguladores universitários dos EUA a mercados ligados a decisões de atletas. Plataformas agiram rápido, retirando esses contratos e demonstrando que o risco de governança cresce com a concentração de capital e sensibilidade informacional, e não apenas com volume. A lição é que o crescimento de longo prazo depende menos da expansão do fluxo esportivo e mais da capacidade de provar que mercados não esportivos de alto impacto podem operar com credibilidade e sem riscos regulatórios ou reputacionais.

Copa do Mundo 2026 como Teste de Estresse Sistêmico

A Copa do Mundo FIFA 2026, co-organizada por Estados Unidos, Canadá e México, deve ser analisada como um teste de estresse completo para infraestrutura de negociação baseada em eventos e apostas reguladas, assim como megaeventos anteriores nos EUA expuseram gargalos sistêmicos em grande escala. Em 1994, a Copa do Mundo nos EUA sobrecarregou operações físicas e de estádio, estabelecendo recordes de público com 3.587.538 espectadores e média de 68.991 por partida. Em 1996, as Olimpíadas de Atlanta deslocaram o foco para comunicações, distribuição de informações e resposta a incidentes.

O sistema “Info ’96” da IBM centralizou cronometragem e pontuação, distribuindo resultados para oficiais, mídia e canais públicos, enquanto operadoras expandiram a capacidade celular e a Motorola implantou grandes redes de rádio bidirecional para segurança, transporte e coordenação de eventos. O atentado ao Centennial Olympic Park em 27 de julho de 1996 mostrou como sistemas de grande escala precisam rapidamente priorizar integridade, resiliência e resposta coordenada sob pressão.

Atlanta também marcou um ponto de virada para a entrega digital de informações: plataformas oficiais das Olimpíadas processaram centenas de milhões de visualizações e milhões de usuários em 1996, antes de alcançar bilhões de interações e centenas de milhões de usuários em Jogos seguintes, tornando a distribuição digital elemento central.

Em 2026, o ponto de estresse se desloca para a camada digital e financeira. O torneio será expandido para 48 seleções e 104 partidas em 16 cidades, comprimindo picos de atenção e fluxo transacional em janelas curtas de cerca de cinco semanas. Na Copa de 2022, estimou-se que o volume global de apostas atingiu dezenas de bilhões de dólares, com partidas de pico gerando liquidez e demandas de liquidação extremas.

Em 2026, uma parcela maior dessa atividade acontecerá em trilhos regulados norte-americanos, já que apostas esportivas são legais em 38 estados dos EUA, além de Washington, DC e Porto Rico, aumentando a probabilidade de que transações passem por sistemas de KYC, pagamentos e monitoramento. O acoplamento é reforçado pela distribuição via aplicativos, onde transmissões ao vivo, odds em tempo real, contratos de eventos, funding e saques ocorrem em uma única sessão móvel. Para plataformas de contratos de eventos e mercados de previsão, os pontos de estresse operacional são claros: concentração de liquidez e volatilidade durante partidas, integridade da liquidação (incluindo latência de dados e resolução de disputas), design de produto entre fronteiras federais e estaduais, e escalabilidade de KYC, AML, jogo responsável e saques sob picos de demanda.

A mesma pilha regulatória e técnica será testada novamente nas Olimpíadas de Los Angeles 2028, tornando a Copa de 2026 um evento de filtragem que deve impulsionar intervenção regulatória, consolidação de plataformas ou saída de mercado, separando infraestruturas preparadas para escala episódica daquelas capazes de operar eventos de massa de forma contínua e em conformidade.

Pagamentos & Inovação em Liquidação

A convergência também chega aos pagamentos, com stablecoins sendo cada vez mais utilizadas como infraestrutura operacional, não apenas ativos especulativos. A maioria dos mercados de previsão nativos de cripto já utiliza stablecoins lastreadas em dólar para funding e liquidação, e plataformas reguladas testam trilhos semelhantes. Em dezembro de 2025, a Visa lançou um piloto nos EUA permitindo liquidação bancária 24/7 usando USDC da Circle on-chain, seguindo experiências de stablecoins cross-border iniciadas em 2023. Em mercados baseados em eventos, stablecoins oferecem vantagens operacionais claras: depósitos e saques instantâneos, alcance global sem conversão cambial e liquidação alinhada ao trading contínuo.

Na prática, stablecoins atuam como middleware de liquidação. Usuários as utilizam para movimentar valor de forma mais ágil, enquanto operadores aproveitam menor taxa de falhas em pagamentos, melhor gestão de liquidez e liquidação quase instantânea. Assim, debates sobre política de stablecoin impactam os mercados de previsão: restrições aumentam o atrito e atrasam saques, enquanto clareza regulatória permite integração mais profunda por casas de apostas e corretoras convencionais.

Esse movimento enfrenta resistência política. Christine Lagarde alertou em 2025 que stablecoins privadas ameaçam a estabilidade monetária e reiterou apoio ao euro digital estatal. O Financial Stability Review do Banco Central Europeu, de novembro de 2025, também advertiu que o uso ampliado de stablecoins pode prejudicar o funding bancário e dificultar a política monetária. O cenário mais provável para 2026 é integração incremental: mais casas de apostas aceitando stablecoins, processadoras de pagamento conectando cartões ao cripto, e salvaguardas mais rígidas como licenciamento, auditoria de reservas e exigências de disclosure, em vez de adoção irrestrita de trilhos cripto-nativos.

Panorama Macro de Liquidez

Uma análise crítica é indispensável ao avaliar o boom de 2025: liquidez abundante pode inflar mercados especulativos. A mudança do Federal Reserve no fim de 2025 para encerrar o aperto quantitativo pode melhorar moderadamente a liquidez em 2026, o que importa para o apetite por risco, não para o ritmo de adoção. Em mercados de previsão, liquidez influencia a intensidade da participação: mais dinheiro pode elevar volumes, enquanto restrições podem reduzir o ímpeto especulativo.

No entanto, o crescimento de volume em 2025 ocorreu mesmo com juros elevados, sugerindo que mercados de previsão não dependem apenas de liquidez. O melhor enquadramento é considerar a liquidez macro como acelerador, não como motor. A adoção é explicada por fatores estruturais: distribuição via corretoras e casas de apostas, simplificação de produtos e aceitação cultural crescente da negociação baseada em eventos. Condições monetárias afetam a intensidade, mas não determinam a adoção.

Essa diferença é relevante para a estratégia das plataformas. Liquidez restrita pode reduzir volumes sem invalidar a tese de convergência, enquanto liquidez fácil pode acelerar o engajamento e favorecer plataformas com autorização regulatória, distribuição e controle de liquidação. Choques macro ainda podem influenciar comportamentos de curto prazo, especialmente em contratos atrelados a divulgações econômicas, mas funcionam como insumos de volatilidade, não como fatores estruturais. Em resumo, condições de liquidez moldam resultados, mas não os definem.

“Elemento Ausente” – Distribuição Super-App & Barreiras Competitivas

Apesar do entusiasmo, uma questão permanece: quem controlará a interface dos produtos convergentes de trading e apostas? O consenso é que a distribuição é o fator decisivo, e a verdadeira barreira está no domínio do relacionamento com o cliente em um ecossistema de “super-app”. Isso impulsiona parcerias intensas: exchanges buscam milhões de usuários varejistas (como nos acordos da CME com FanDuel e DraftKings), enquanto plataformas de consumo querem conteúdo diferenciado (como a parceria da Robinhood com Kalshi e a aquisição de uma exchange CFTC pela DraftKings). O modelo é semelhante ao de uma corretora ou super-app: ações, opções, cripto e contratos de eventos lado a lado, mantendo o usuário na plataforma.

Mercados de previsão são sensíveis à liquidez e confiança, pois o valor ao usuário depende da certeza de liquidação confiável. Mercados pouco líquidos fracassam rapidamente; mercados líquidos se fortalecem. Plataformas que captam usuários por corretoras ou casas de apostas existentes, com baixo custo marginal e trilhos pré-existentes de KYC e funding, têm vantagens sobre venues independentes que precisam construir liquidez mercado a mercado. Assim, mercados de previsão se assemelham mais a opções do que a redes sociais: profundidade e confiabilidade são diferenciais, não novidade. Por isso, o debate “feature vs product” é cada vez mais decidido pela distribuição e não pela tecnologia.

O sucesso inicial da Robinhood confirma essa tese: ao lançar negociação de eventos para parte dos traders ativos em 2025, registrou rápida adesão, com a ARK Invest estimando US$300 milhões em receita recorrente até o fim do ano. Barreiras competitivas: um mercado de previsão independente pode ter dificuldade para competir com players consolidados com grandes bases de usuários. O sportsbook da FanDuel, por exemplo, tem mais de 12 milhões de usuários e, ao integrar contratos de eventos da CME, semeou a nova plataforma com liquidez e confiança em cinco estados. A DraftKings fez o mesmo em 38 estados. Kalshi e Polymarket, em contrapartida, passaram anos construindo liquidez do zero e agora buscam parcerias de distribuição (Robinhood, Underdog Fantasy, até UFC para Polymarket).

O cenário provável é de poucas plataformas agregadoras conquistando efeitos de rede e aprovação regulatória, enquanto venues menores se especializam (por exemplo, apenas eventos cripto) ou são absorvidos.

Há também uma convergência de super-apps com fintech e mídia: é possível imaginar um futuro próximo em que aplicativos como PayPal ou CashApp ofereçam mercados de previsão junto com pagamentos e negociação de ações. Grandes empresas de tecnologia e mídia estão de olho nesse mercado: Apple, Amazon e ESPN exploraram parcerias ou recursos de apostas esportivas entre 2023 e 2025, o que pode evoluir para ofertas mais amplas de negociação de eventos em seus ecossistemas. O “elemento ausente” pode ser a integração total de mercados de previsão em um super-app, unindo notícias sociais, apostas e investimentos em um só lugar — uma barreira competitiva que poucos operadores independentes conseguiriam igualar.

Até lá, exchanges, casas de apostas e corretoras disputam a fidelização dos usuários. Pergunta estratégica para 2026: mercados de previsão serão recurso em super-apps financeiros ou segmento vertical independente? Os sinais iniciais apontam para integração: quem tem maior distribuição (milhões de contas e marca forte) detém vantagem.

Reguladores, porém, podem ver super-apps que facilitam a alternância entre investimento e apostas com preocupação, devido à proteção do consumidor e à linha tênue entre as atividades. Os vencedores serão aqueles que convencerem usuários e reguladores de que conseguem massificar essa convergência com segurança, construindo barreiras não só de tecnologia e liquidez, mas de compliance, confiança e experiência do usuário.

Opinion Trade (Opinion Labs): Desafiante On-Chain Macro-Nativo

Opinion Trade (da Opinion Labs) posiciona-se como venue on-chain macro-nativo, com mercados que lembram painéis de taxas e commodities, não apostas de entretenimento. Lançada na BNB Chain em 24 de outubro de 2025, a plataforma superou US$3,1 bilhões em volume notional acumulado até 17 de novembro de 2025, com média de US$132,5 milhões em volume diário nas primeiras semanas. Entre 11 e 17 de novembro, liderou os principais venues de previsão com cerca de US$1,5 bilhão em volume semanal, enquanto o interesse aberto chegou a US$60,9 milhões em 17 de novembro, atrás apenas de Kalshi e Polymarket.

No lado da infraestrutura, a Opinion Labs anunciou parceria em dezembro de 2025 com a Brevis para integrar verificação baseada em zero-knowledge nos fluxos de liquidação, visando reduzir gaps de confiança na resolução de mercados. A empresa também revelou rodada seed de US$5 milhões liderada pela YZi Labs (ex-Binance Labs), com outros investidores, garantindo capital e proximidade estratégica ao ecossistema BNB. Por fim, o geofencing explícito da plataforma aos Estados Unidos e outras jurisdições restritas destaca o trade-off central de 2025–26 para mercados de previsão on-chain: formação rápida de liquidez global limitada pelo desenho do perímetro regulatório.

Mercados de Previsão de Consumo como Canal de Distribuição ICO 2.0

Sport.Fun, anteriormente Football.Fun, exemplifica como mercados de previsão de consumo são usados como nova infraestrutura de distribuição de tokens — um modelo “ICO 2.0” emergente, integrado diretamente em aplicativos de consumo ativos e geradores de receita. Lançada em agosto de 2025 na Base, a plataforma começou em trading de eventos fantasy de futebol e depois expandiu para mercados da NFL. No final de 2025, a Sport.Fun reportou mais de US$90 milhões em volume acumulado e mais de US$10 milhões em receita, demonstrando forte aderência de produto antes de qualquer emissão pública de tokens.

A empresa captou US$2 milhões em rodada seed liderada pela 6th Man Ventures, com participação de Zee Prime Capital, Sfermion e Devmons. O perfil de investidores reflete o apetite crescente por aplicações cripto voltadas ao consumidor que unem finanças e entretenimento, não só infraestrutura. Importante: o capital foi investido após atividade comprovada e monetização, invertendo a lógica dos ciclos ICO anteriores, em que a venda de tokens precedia o uso real.

A venda pública do token $FUN da Sport.Fun, entre 16 e 18 de dezembro de 2025, reforça essa mudança. Realizada via Kraken Launch e pelo caminho meritocrático Legion, atraiu mais de 4.600 participantes e mais de US$10 milhões em compromissos. O valor médio foi cerca de US$2.200 por carteira, e a demanda superou o soft cap de US$3 milhões em 330%. O total arrecadado foi de US$4,5 milhões a um preço de US$0,06 por token, valuation totalmente diluído de US$60 milhões, com 75 milhões de tokens vendidos após expansão greenshoe.

A tokenomics foi desenhada para equilibrar liquidez e estabilidade pós-lançamento. Cinquenta por cento dos tokens desbloqueiam no evento de geração de tokens em janeiro de 2026, com o restante vestindo linearmente em seis meses. Esse design contrasta com unlocks imediatos comuns em ciclos ICO anteriores e reflete aprendizados de colapsos causados por volatilidade. A venda de tokens funcionou menos como evento especulativo e mais como extensão de um mercado de consumo já existente, permitindo que usuários investissem na plataforma em que já negociavam.

Conclusão

No final de 2025, mercados de previsão passaram de experimentos marginais para uma categoria de massa, impulsionados por distribuição mainstream, produtos simplificados e demanda clara. O gargalo agora é o design sob regulação: classificação, integridade de liquidação e compliance jurisdicional determinam quem pode escalar. A Copa do Mundo de 2026 será um teste de estresse para liquidez, operações e resiliência regulatória sob pico de carga. Plataformas que superarem esse teste sem sanções ou danos reputacionais definirão a próxima fase de consolidação. As demais acelerarão a migração para padrões mais rígidos e concentração em poucos grandes vencedores.

Fontes:

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