No ambiente da blockchain, um endereço é uma sequência pública visível, permitindo que qualquer pessoa observe e alavanque essa informação para arquitetar ataques.
O episódio recente envolvendo usuários da Squads exemplifica o address poisoning. Os atacantes criam endereços falsos semelhantes ao seu, usando enganos visuais para induzir ações equivocadas. Esse ataque não compromete diretamente o sistema — ele explora erros humanos de julgamento.

(Fonte: multisig)
Esse evento se desenvolveu principalmente por dois métodos:
Os atacantes criam novas carteiras multisig e adicionam a chave pública da vítima à lista de membros, fazendo com que essas contas apareçam na interface do usuário. Como o sistema exibe contas vinculadas ao seu endereço, essas contas falsas se misturam à sua lista.
Os atacantes geram endereços com início e fim semelhantes aos legítimos. Por exemplo:
Endereço real: ABCD...XYZ
Endereço falso: ABCF...XYA
Se você verifica apenas os primeiros e últimos caracteres, pode facilmente se enganar.
O principal objetivo desse ataque não é invadir sistemas, mas induzir você a cometer erros.
Os objetivos mais comuns incluem:
Transferir fundos acidentalmente para um endereço falso
Assinar transações que você não iniciou
Confundir contas falsas com contas da equipe
Os erros resultam de ações dos usuários, não de vulnerabilidades do sistema.
Até o momento, não há registros de perdas de fundos e o protocolo permanece intacto.
Os atacantes não têm capacidade de:
Acessar seus ativos
Alterar suas configurações multisig
Forçar a execução de transações
Se você evitar erros operacionais, seus ativos permanecem protegidos.

(Fonte: multisig)
Para mitigar riscos, a equipe Squads planejou uma série de aprimoramentos na interface:
Exibir banners de alerta de segurança
Marcar contas multisig sem histórico de interação
Novas contas terão status de confirmação pendente por padrão
Usuários deverão adicionar manualmente contas à lista (mecanismo de whitelist)
O objetivo central dessas funções é reduzir a probabilidade de confusão entre endereços.
Para mitigar riscos de ataques, é crucial adotar boas práticas operacionais. Mantenha atenção com contas multisig desconhecidas — interaja apenas com contas que você criou ou que foram verificadas pela sua equipe. Evite acessar endereços suspeitos e nunca confie somente nos primeiros ou últimos caracteres para verificar autenticidade. A melhor prática é comparar o endereço completo ou confirmar por registros internos e whitelists para minimizar erros.
Como ambientes multisig envolvem múltiplos colaboradores, qualquer transação incerta deve ser confirmada com a equipe antes de avançar, evitando perdas de ativos por falha de comunicação. Também é recomendável fixar contas confiáveis e frequentemente usadas no topo da sua lista — isso aumenta a eficiência e reduz o risco de cliques ou erros acidentais.
Ataques de address poisoning são uma forma de engenharia social que explora o comportamento humano, não falhas técnicas. O caso Squads reforça que a segurança na blockchain depende tanto do design do protocolo quanto das práticas dos usuários. No universo on-chain, verificar endereços e assinar transações com atenção são as principais defesas para proteger seus ativos.





