Immunefi: Consequências de um hack devastam projeto mais gravemente do que o valor roubado

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Um hack de criptomoedas não termina apenas com a carteira being esvaziada. Os danos iniciais acontecem rapidamente, de forma clara e chocante, mas depois há um processo de declínio lento, que se espalha silenciosamente por todo o projeto.

O preço do token continua a despencar, o tamanho do tesouro diminui, os planos de contratação são cortados, o desenvolvimento do produto é adiado e os parceiros se retiram. Em vez de focar na construção, as empresas levam meses para recuperar a reputação e a confiança do mercado.

Essa é a imagem apresentada no relatório “State of Onchain Security 2026” da Immunefi. A mensagem principal é clara: a perda inicial é apenas uma pequena parte do dano total.

O problema maior está no impacto de longo prazo que uma exploração causa no futuro do projeto. Segundo a Immunefi, o valor médio de perda direta é de cerca de 25 milhões de dólares, enquanto o token hackeado registra uma redução mediana de 61% em seis meses. Nesse período, 84% dos projetos não conseguem recuperar o preço anterior ao hack, e as equipes levam pelo menos 3 meses para lidar com as consequências.

No entanto, esses números devem ser interpretados com cautela. O preço do token pode cair por várias razões, e muitos projetos já eram frágeis antes do ataque — baixa liquidez, avaliação elevada ou perda de ritmo de crescimento. A Immunefi também reconhece que não é possível separar completamente o impacto do hack das condições de mercado ou de problemas internos.

Ainda assim, a tendência apontada pelo relatório é bastante relevante: os hacks deixaram de ser eventos isolados e passaram a representar crises empresariais prolongadas, com efeitos que se espalham ao longo do tempo.

Grandes hacks cada vez mais perigosos

A Immunefi registrou 191 hacks entre 2024 e 2025, com um prejuízo total de 4,67 bilhões de dólares, elevando o total em cinco anos para 425 incidentes, equivalentes a 11,9 bilhões de dólares.

O número de hacks praticamente não mudou entre os anos (94 em 2024 e 97 em 2025), indicando que o mercado ainda não está realmente mais seguro. Os ataques de grande escala estão se tornando “o novo normal”, enquanto esses eventos moldam o panorama de cada ano.

O que preocupa é a distribuição dos prejuízos:

Trata-se de uma estrutura de risco extremamente perigosa: o mercado pode parecer estável na maior parte do tempo, até que um evento “cisne negro” aconteça e cause um impacto sistêmico.

Um exemplo emblemático é o hack de 1,5 bilhões de dólares da Bybit, que representou 44% do total de prejuízos em 2025. Esse evento não foi apenas um choque isolado, mas revelou o grau de concentração de risco em pontos críticos do ecossistema.

Declínio de longo prazo é o verdadeiro fator destrutivo

A parte mais importante do relatório não está no valor roubado, mas no impacto sobre o preço do token.

De uma amostra de 82 tokens hackeados:

É fundamental entender que o preço do token não deve ser visto como um fator de mercado isolado. No mundo cripto, o token costuma desempenhar papéis de financiamento, medidor de valor da empresa e ferramenta de captação de recursos. Quando o preço cai por um longo período, isso afeta diretamente a sobrevivência do projeto — desde a liquidez financeira, contratação, negociações até o moral interno.

A Immunefi informa que muitas equipes de segurança perderam liderança em poucas semanas e levaram pelo menos 3 meses para lidar com as consequências. Quando tanto o token quanto a marca são prejudicados, a empresa quase perde as ferramentas para “comprar tempo”.

Gráfico mostrando a redução média do preço do token entre os 82 tokens hackeados pela Immunefi em 2024 e 2025 (Fonte: Immunefi)

Risco sistêmico cada vez maior

Ao contrário dos mercados tradicionais, o cripto costuma acumular múltiplos choques em um único evento:

Isso torna a recuperação extremamente difícil, especialmente para projetos com recursos limitados.

Além disso, o risco é ampliado pela crescente interconectividade do ecossistema DeFi — de bridges, stablecoins, staking líquido a empréstimos. Uma vulnerabilidade pode se espalhar muito além do protocolo original.

Destaca-se que plataformas centralizadas continuam sendo o foco do risco. Apesar de representarem apenas 20 dos 191 hacks, as exchanges centralizadas sofreram perdas de até 2,55 bilhões de dólares, ou seja, 54,6% do total roubado.

Isso levanta questões importantes sobre custódia, gestão de chaves e o grau de centralização da infraestrutura — pontos fracos que o mercado ainda não resolveu completamente.

Conclusão

Nem todos os projetos hackeados fracassam. Mas, na fase atual, o fator decisivo não é mais sobreviver ao hack, e sim manter-se firme nos seis meses seguintes.

O hack é apenas o ponto de partida de uma crise. São as perdas prolongadas que se seguem que determinam se o projeto ainda tem futuro, enquanto o mercado segue em frente.

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