NOVO YORK — O CEO do BNY Mellon, Robin Vince, afirmou que a próxima fase da adoção de criptomoedas dependerá das grandes instituições financeiras, argumentando que os bancos estão posicionados para conectar ativos digitais ao sistema financeiro mais amplo.
“Podemos atuar como uma ponte muito eficaz entre os ecossistemas de finanças tradicionais e digitais”, disse Vince durante uma conversa na Digital Asset Summit em Nova Iorque, na terça-feira.
Seus comentários ocorrem enquanto bancos tradicionais expandem seu papel em ativos digitais após anos de cautela. O BNY Mellon foi um dos primeiros grandes custodiante a oferecer custódia de ativos digitais, e Vince enquadrou essa iniciativa como parte de um padrão mais amplo de adoção de novas tecnologias. “Somos uma empresa que cresceu com várias tecnologias diferentes”, afirmou.
Em vez de ver as finanças descentralizadas como uma substituição aos bancos, Vince rejeitou a ideia de que as criptomoedas irão contornar os incumbentes. “Uma tecnologia que busca adotantes pode, às vezes, enfrentar dificuldades, mas somos um veículo de adoção”, disse, apontando para a base de clientes e infraestrutura já existentes do banco.
Essa posição permite à empresa apoiar ambos os lados do mercado. “Eles olham para nós e dizem… vocês podem realmente ser uma ponte para nós, os fornecedores de ativos digitais, através de todas as coisas tradicionais que vocês fazem”, afirmou Vince.
Ele destacou a tokenização como uma área-chave de foco, incluindo trabalhos para criar versões digitais de produtos tradicionais. “Criamos tokens digitais, novas classes de ações para fundos de mercado monetário”, descreveu, explicando como fundos existentes podem ser emitidos em forma tokenizada para incentivar a adoção.
No curto prazo, espera que a adoção se concentre em áreas onde os sistemas atuais são insuficientes. “Empréstimos são complicados. Imóveis também são complicados”, sugeriu, indicando que esses mercados podem se beneficiar primeiro da tokenização.
Ainda assim, Vince enfatizou que a confiança e a regulação moldarão a velocidade de crescimento do setor. “Precisamos de clareza e regras claras”, afirmou. “Essa hesitação atrasa a adoção.”
Seus comentários ocorrem enquanto legisladores trabalham para estabelecer um quadro regulatório que permita aos investidores institucionais investir com segurança no setor de ativos digitais.
Nos EUA, enquanto a lei GENIUS, focada em stablecoins, foi aprovada, uma versão revisada da Digital Asset Market Clarity Act ainda está em andamento, após legisladores compartilharem uma versão atualizada com participantes da indústria em uma sessão fechada no Capitólio nesta semana, enquanto tentam abrir caminho para uma audiência no Comitê de Bancos do Senado.
O feedback inicial de insiders do setor sugere que a abordagem do rascunho em relação ao rendimento de stablecoins continua sendo um ponto de discórdia, com a linguagem descrita como restrita e pouco clara. A última versão de compromisso, moldada em parte por pressão dos bancos, permitiria recompensas vinculadas à atividade do usuário, mas não juros sobre saldos de stablecoins, refletindo a tensão contínua entre a indústria de criptomoedas e os credores tradicionais sobre como esses produtos devem ser tratados.
Vince acrescentou que segurança e supervisão permanecem essenciais para a participação institucional. “Se for o Velho Oeste… 90% da comunidade de serviços financeiros… não quer nada com isso”, afirmou Vince.
Mesmo assim, Vince alertou que a mudança levará tempo. “Será uma jornada de 5, 10, 15 anos”, disse, acrescentando que o progresso dependerá de avanços em tecnologia, regulação e participação de mercado.
“É tudo isso junto”, afirmou Vince. “Isso não deve nos impedir de ficar animados e começar a agir.”