Infecção da bexiga canina: Um guia completo para proprietários sobre prevenção e cuidados

As infeções do trato urinário representam uma das condições infecciosas mais prevalentes que afetam os cães atualmente. Pesquisas na literatura veterinária indicam que aproximadamente um em cada sete caninos irá experimentar pelo menos um episódio durante a sua vida, sendo as infeções bacterianas a causa predominante. Compreender como reconhecer, tratar e prevenir infeções na bexiga em cães é essencial para todos os donos responsáveis.

Compreender as Infeções do Trato Urinário Canino

Quando bactérias comprometem qualquer segmento do sistema urinário de um cão — incluindo a bexiga, rins, uretra e, nos machos, a próstata — desenvolve-se uma infeção do trato urinário. A progressão típica começa quando bactérias de material fecal ou da superfície da pele entram em contacto com a uretra e ascendem até à bexiga, onde estabelecem a infeção.

Porque os cães desenvolvem infeções na bexiga

O trato urinário possui mecanismos de proteção inerentes: urina ácida, defesas do sistema imunitário e a capacidade natural da bexiga de eliminar o revestimento celular e eliminar colonizações bacterianas. Quando estas defesas deterioram-se, torna-se possível o crescimento excessivo de bactérias.

Vários fatores comportamentais e ambientais facilitam o desenvolvimento da infeção:

Fatores Relacionados com a Higiene: Cães com higiene inadequada, especialmente aqueles com pelo emaranhado ou acumulação de detritos na zona genital, enfrentam risco elevado de infeção. Períodos prolongados sem idas à rua forçam os cães a reter a urina por mais tempo do que o ideal, criando condições favoráveis à proliferação bacteriana. Como observam os profissionais veterinários, manter horários regulares para as idas ao exterior e uma higiene adequada reduz significativamente os caminhos de transmissão.

Predisposição Anatómica: Cães fêmea contraem infeções na bexiga com mais frequência do que os machos devido à proximidade da uretra com o ânus. Raças com dobras de pele excessivas — incluindo Pugs, Bulldogs Ingleses e Franceses, Bichon Frises, Shih Tzus e Yorkshire Terriers — apresentam taxas de infeção desproporcionalmente elevadas devido à retenção de bactérias em fissuras cutâneas.

Fatores de Risco que Aumentam a Suscetibilidade à Infeção

Para além das diferenças sexuais, várias condições aumentam a probabilidade de infeção na bexiga:

  • Trauma ou doença na medula espinhal
  • Incontinência urinária
  • Predisposição genética
  • Excesso de pele perineal
  • Anomalias estruturais do trato urinário
  • Stress psicológico

Infeções recorrentes ou crónicas geralmente indicam complicações de saúde subjacentes, e não eventos bacterianos isolados. Condições que frequentemente desencadeiam episódios repetidos incluem diabetes, formação de cálculos renais ou na bexiga, câncer, aumento da próstata, doença de Cushing e inflamação da bexiga.

Reconhecer as Manifestações Clínicas

As infeções na bexiga canina apresentam uma variedade de sintomas, com diferentes graus de gravidade. Alguns cães não apresentam sinais evidentes, com infeções descobertas incidentalmente durante exames veterinários de rotina — uma situação que pode atrasar a intervenção necessária e permitir a progressão da doença.

Quando surgem manifestações clínicas, geralmente incluem:

  • Alteração na cor da urina (nublada ou presença de sangue)
  • Esforço ao urinar
  • Vocalização ou desconforto durante a micção
  • Eliminação inadequada em ambientes internos
  • Aumento da frequência urinária com menor volume por micção
  • Lamber excessivamente a zona genital
  • Odor forte na urina, com carácter de peixe

Apresentações mais graves — incluindo febre, perda de apetite e vómitos — sugerem que a infeção avançou para o tecido renal ou, nos machos, envolvimento da próstata. Estes sintomas requerem atenção veterinária imediata.

Condições que Imitam Sintomas de Infeção na Bexiga

Várias condições potencialmente graves produzem sintomas idênticos aos das infeções do trato urinário, incluindo doença renal, obstrução urinária, cristalúria, câncer, exposição a toxinas, diabetes, disfunção da tiroide, doença na medula espinhal e patologias na próstata. O diagnóstico veterinário profissional torna-se essencial para excluir estas alternativas sérias.

Consequências de Infeções Não Tratadas

O atraso no tratamento permite a progressão da infeção, podendo causar formação de cálculos renais, cálculos na bexiga, disfunção do trato urinário inferior, inflamação da próstata, infertilidade, bacteremia (intoxicação sanguínea), pielonefrite (infecção renal) e insuficiência renal aguda ou crónica.

Procedimentos Diagnósticos para Infeções na Bexiga

Os veterinários utilizam exame físico combinado com análises de urina completas para avaliar:

  • Gravidade específica e concentração da urina
  • Estado ácido-base (pH)
  • Presença de cetonas, glicose e bilirubina
  • Concentração de proteínas
  • Elementos celulares (glóbulos vermelhos, cristais)

Quando os resultados sugerem uma infeção complicada, podem ser realizadas investigações adicionais, incluindo cultura bacteriana para identificar organismos patogénicos e determinar a sensibilidade aos antibióticos, análises de sangue para avaliar envolvimento sistémico, estudos de imagem (ultrassom ou radiografia) para identificar cálculos, anomalias estruturais ou massas, e monitorização do sangue durante o tratamento.

Abordagens Terapêuticas para a Infeção na Bexiga

Protocolo de Tratamento Padrão: A maioria das infeções bacterianas não complicadas responde bem à terapia com antibióticos. O amoxicilina é o antimicrobiano mais frequentemente prescrito, disponível em formulações líquidas ou em comprimidos para administração em casa. Para cães resistentes à medicação oral, existem opções de antibióticos injetáveis.

Normalmente, acompanha-se a terapia com analgésicos para melhorar o conforto durante a recuperação. Muitos veterinários recomendam adicionalmente a suplementação com probióticos para combater possíveis distúrbios gastrointestinais causados pelos antibióticos, que eliminam flora benéfica.

Gestão de Infeções Complexas: Quando condições subjacentes desencadeiam a infeção, o tratamento aborda tanto o fator causador como a infeção em si. Esta abordagem multifacetada pode incluir dietas especiais, múltiplas visitas de reavaliação veterinária com monitorização laboratorial e intervenção cirúrgica quando anomalias anatómicas ou lesões obstrutivas requerem correção.

Considerações Financeiras para o Tratamento

Os custos do tratamento variam bastante consoante a localização geográfica, o tipo de instalação, o tamanho do paciente, a gravidade da infeção e as comorbidades subjacentes.

Custos padrão de diagnóstico e tratamento normalmente variam entre:

Serviço Faixa de custo
Exame veterinário inicial $45-$105
Análise de urina $75-$115
Cultura bacteriana $170-$350
Curso de amoxicilina $35-$75
Medicação para dor $30-$75
Suplementação com probióticos $15+

Modalidades avançadas de tratamento para infeções complicadas incluem:

  • Dietas terapêuticas: $40-$100 por saco
  • Correção cirúrgica: $1.000-$3.000
  • Consultas de reavaliação: $50-$150 cada

Custos adicionais acumulam-se quando condições de saúde concomitantes requerem gestão.

Estratégias de Prevenção de Infeções

Medidas preventivas deliberadas reduzem substancialmente a incidência de infeções na bexiga:

Gestão Ambiental: Manter horários regulares para as idas ao exterior, evitando retenção prolongada de urina, garantir acesso a água fresca para promover a lavagem natural, e controlar o peso para evitar o aprofundamento das dobras cutâneas, minimizam o risco de infeção.

Práticas de Higiene Pessoal: Higiene regular da zona genital para evitar acumulação de detritos, secagem completa após banho e limpeza periódica com toalhitas descartáveis específicas para fêmeas eliminam reservatórios bacterianos.

Manutenção da Saúde: Exames de bem-estar anuais para cães jovens e avaliações semestrais para cães idosos facilitam a deteção precoce de doenças. O tratamento rápido de condições subjacentes como diabetes, doença renal ou formação de cálculos previne o desenvolvimento de infeções secundárias.

Cães Sénior e Risco Elevado

Cães com mais de sete anos de idade apresentam uma frequência de infeção desproporcionalmente elevada. Condições relacionadas à idade, incluindo diabetes, doença renal crónica, doença de Cushing e medicação imunossupressora, aumentam a suscetibilidade. Estas condições frequentemente produzem urina diluída, com propriedades antibacterianas reduzidas.

Cães idosos devem ser submetidos a exames de saúde veterinária duas vezes por ano para identificar infeções urinárias e condições que as favorecem antes que ocorram complicações.

Resumo

A contaminação bacteriana do trato urinário continua a ser uma das condições infecciosas mais comuns que afetam os caninos. Cães fêmea, pacientes geriátricos e aqueles com excesso de tecido perineal enfrentam maior risco, especialmente quando condições subjacentes como diabetes ou formação de cálculos coexistirem. O reconhecimento precoce dos sintomas — incluindo alterações na urina, dificuldades na eliminação ou mudanças comportamentais — justifica uma avaliação veterinária imediata. O diagnóstico rápido e o tratamento adequado evitam complicações graves, enquanto estratégias de prevenção de custo acessível reduzem significativamente a incidência geral de infeções ao longo da vida do cão.

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