O metal dourado experimentou em 2025 uma trajetória de subida excecional, ultrapassando a barreira dos 4300 dólares por onça no meio do outono, o que gerou um amplo debate sobre a continuidade deste ímpeto no próximo ano. Agora, com o final de 2025 a aproximar-se, os olhares voltam-se para 2026, que poderá marcar um ponto de viragem decisivo na trajetória dos preços do ouro. Será que o novo ano trará um salto para cerca de 5000 dólares, ou é que as correções estão à espera dos investidores?
Motivos do aumento: o que impulsiona os preços do ouro para cima?
O aumento não surgiu do nada. A subida dos preços do ouro coincidiu com a perda de confiança nos ativos tradicionais, especialmente com o início de um ciclo de redução das taxas de juro globais e a diminuição dos rendimentos reais dos títulos. Além disso, há uma procura crescente por parte de novos investidores e bancos centrais, que intensificaram o interesse pelo metal precioso como ferramenta de proteção estratégica.
Procura institucional e individual
De acordo com dados do Conselho Mundial do Ouro, a procura total por ouro no segundo trimestre de 2025 atingiu aproximadamente 1249 toneladas, avaliada em 132 mil milhões de dólares. Contudo, os números mais impressionantes vêm dos fundos de índice cotados (ETFs), que registaram fluxos de capitais sem precedentes, elevando os ativos sob gestão para 472 mil milhões de dólares e as participações para 3838 toneladas, muito próximas do pico histórico de 3929 toneladas.
Reservas centrais e geopolítica
As compras dos bancos centrais superaram todas as expectativas. Somente no primeiro trimestre de 2025, adquiriram 244 toneladas, um aumento de 24% face à média histórica, com a China, Índia e Turquia na liderança. Paralelamente, conflitos comerciais e tensões regionais reforçaram o papel do ouro como refúgio seguro, elevando a procura devido à incerteza geopolítica em 7% ao ano.
Restrições na oferta e produção
Enquanto a procura aumenta, o fornecimento enfrenta desafios reais. As contribuições das minas atingiram 856 toneladas no primeiro trimestre de 2025, com um aumento modesto que não acompanha a procura crescente. A situação agravou-se com a diminuição do ouro reciclado em 1%, já que os detentores preferem manter as suas reservas na expectativa de mais aumentos. Além disso, os custos de extração atingiram níveis recorde, ultrapassando os 1470 dólares por onça, limitando a expansão da produção.
Fatores monetários e políticos em 2026
Caminho das taxas de juro americanas
As expectativas do mercado apontam para cortes adicionais pelo Federal Reserve em 2026, com a taxa de juro a poder baixar para 3,4% até ao final do ano, num cenário moderado. Esta tendência reforça as previsões de subida do ouro, embora dependa ainda da dinâmica da inflação e do mercado de trabalho.
Políticas monetárias globais divergentes
A questão não se limita a Washington. O Banco Central Europeu continua a combater a inflação, enquanto o Banco do Japão mantém uma postura expansionista. Esta divergência cria um ambiente ideal para o ouro como ferramenta de diversificação internacional, especialmente com a pressão contínua sobre o dólar americano.
Dívida e riscos financeiros
A dívida pública global ultrapassou 100% do PIB, segundo o Fundo Monetário Internacional, levantando preocupações sobre a sustentabilidade das políticas financeiras. Nesse contexto, o ouro surge como refúgio psicológico e económico.
Análise técnica do mercado para o início de 2026
Níveis críticos
O preço do ouro fechou o último trimestre de 2025 perto de 4065 dólares por onça, mantendo-se ainda na principal tendência de alta. O nível de 4000 dólares representa um suporte forte, cuja quebra poderá abrir caminho para os 3800 dólares. Por outro lado, os 4200 dólares representam uma resistência inicial, seguidos pelos 4400 e 4680.
Indicadores de momentum
O RSI ((RSI)) mostra-se estável em torno de 50, indicando uma condição de mercado neutra, sem tendência clara. Enquanto isso, a linha de sinal do MACD permanece acima de zero, confirmando a continuidade da tendência de alta de longo prazo.
Previsões dos principais analistas para 2026
Cenários otimistas
O banco HSBC prevê que o ouro atingirá os 5000 dólares no primeiro semestre de 2026, com uma média anual de 4600 dólares. De forma semelhante, o Bank of America elevou a sua previsão para 5000 dólares como pico potencial, com uma média de 4400 dólares. A Goldman Sachs ajustou a sua previsão para 4900 dólares, enquanto a JPMorgan espera que o preço chegue aos 5055 dólares até meados do ano.
Intervalo consensual
O intervalo mais comum entre os analistas situa-se entre 4800 e 5000 dólares como pico potencial, com uma média prevista entre 4200 e 4800 dólares ao longo do ano.
Cenários de correção
As previsões não estão isentas de advertências. O HSBC indicou a possibilidade de uma correção até cerca de 4200 dólares na segunda metade de 2026, em caso de realização de lucros generalizada, embora exclua uma descida acentuada abaixo dos 3800 dólares, a menos que ocorra um grande choque económico. A Goldman Sachs destacou que a manutenção dos preços acima de 4800 dólares colocará o mercado perante um novo “teste de credibilidade”.
Previsões do preço do ouro na região do Médio Oriente
No Egito
Segundo estimativas especializadas, o preço do ouro poderá atingir cerca de 522.580 libras egípcias por onça, representando um aumento de 158,46% face aos níveis atuais.
Na Arábia Saudita e nos Emirados
Se o cenário otimista se concretizar, com o ouro a atingir 5000 dólares por onça, os preços poderão traduzir-se em aproximadamente 18750 a 19000 riais sauditas. Já nos Emirados, os preços poderão rondar entre 18375 e 19000 dirhams Emirados por onça.
Conclusão: o que esperar para os preços do ouro?
Todos os indicadores apontam para um 2026 que poderá marcar uma fase decisiva na trajetória do ouro. Os fatores fundamentais—desde a redução das taxas de juro reais e a fraqueza do dólar até às compras contínuas pelos bancos centrais e forte procura institucional—apoiam a hipótese de novos máximos históricos, perto ou acima de 5000 dólares.
Contudo, este cenário otimista depende de uma estabilidade relativa da inflação e da ausência de grandes choques geopolíticos. Qualquer melhoria súbita na confiança nos mercados financeiros ou uma recuperação das rendibilidades dos títulos poderá alterar o quadro. Mas, de modo geral, parece que o ouro entrou numa nova fase como ativo estratégico de longo prazo, em vez de ser apenas uma ferramenta de especulação de curto prazo, o que reforça a possibilidade de as previsões de alta se concretizarem no próximo ano.
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Caminhos do Ouro 2026.. rumo a níveis sem precedentes?
O metal dourado experimentou em 2025 uma trajetória de subida excecional, ultrapassando a barreira dos 4300 dólares por onça no meio do outono, o que gerou um amplo debate sobre a continuidade deste ímpeto no próximo ano. Agora, com o final de 2025 a aproximar-se, os olhares voltam-se para 2026, que poderá marcar um ponto de viragem decisivo na trajetória dos preços do ouro. Será que o novo ano trará um salto para cerca de 5000 dólares, ou é que as correções estão à espera dos investidores?
Motivos do aumento: o que impulsiona os preços do ouro para cima?
O aumento não surgiu do nada. A subida dos preços do ouro coincidiu com a perda de confiança nos ativos tradicionais, especialmente com o início de um ciclo de redução das taxas de juro globais e a diminuição dos rendimentos reais dos títulos. Além disso, há uma procura crescente por parte de novos investidores e bancos centrais, que intensificaram o interesse pelo metal precioso como ferramenta de proteção estratégica.
Procura institucional e individual
De acordo com dados do Conselho Mundial do Ouro, a procura total por ouro no segundo trimestre de 2025 atingiu aproximadamente 1249 toneladas, avaliada em 132 mil milhões de dólares. Contudo, os números mais impressionantes vêm dos fundos de índice cotados (ETFs), que registaram fluxos de capitais sem precedentes, elevando os ativos sob gestão para 472 mil milhões de dólares e as participações para 3838 toneladas, muito próximas do pico histórico de 3929 toneladas.
Reservas centrais e geopolítica
As compras dos bancos centrais superaram todas as expectativas. Somente no primeiro trimestre de 2025, adquiriram 244 toneladas, um aumento de 24% face à média histórica, com a China, Índia e Turquia na liderança. Paralelamente, conflitos comerciais e tensões regionais reforçaram o papel do ouro como refúgio seguro, elevando a procura devido à incerteza geopolítica em 7% ao ano.
Restrições na oferta e produção
Enquanto a procura aumenta, o fornecimento enfrenta desafios reais. As contribuições das minas atingiram 856 toneladas no primeiro trimestre de 2025, com um aumento modesto que não acompanha a procura crescente. A situação agravou-se com a diminuição do ouro reciclado em 1%, já que os detentores preferem manter as suas reservas na expectativa de mais aumentos. Além disso, os custos de extração atingiram níveis recorde, ultrapassando os 1470 dólares por onça, limitando a expansão da produção.
Fatores monetários e políticos em 2026
Caminho das taxas de juro americanas
As expectativas do mercado apontam para cortes adicionais pelo Federal Reserve em 2026, com a taxa de juro a poder baixar para 3,4% até ao final do ano, num cenário moderado. Esta tendência reforça as previsões de subida do ouro, embora dependa ainda da dinâmica da inflação e do mercado de trabalho.
Políticas monetárias globais divergentes
A questão não se limita a Washington. O Banco Central Europeu continua a combater a inflação, enquanto o Banco do Japão mantém uma postura expansionista. Esta divergência cria um ambiente ideal para o ouro como ferramenta de diversificação internacional, especialmente com a pressão contínua sobre o dólar americano.
Dívida e riscos financeiros
A dívida pública global ultrapassou 100% do PIB, segundo o Fundo Monetário Internacional, levantando preocupações sobre a sustentabilidade das políticas financeiras. Nesse contexto, o ouro surge como refúgio psicológico e económico.
Análise técnica do mercado para o início de 2026
Níveis críticos
O preço do ouro fechou o último trimestre de 2025 perto de 4065 dólares por onça, mantendo-se ainda na principal tendência de alta. O nível de 4000 dólares representa um suporte forte, cuja quebra poderá abrir caminho para os 3800 dólares. Por outro lado, os 4200 dólares representam uma resistência inicial, seguidos pelos 4400 e 4680.
Indicadores de momentum
O RSI ((RSI)) mostra-se estável em torno de 50, indicando uma condição de mercado neutra, sem tendência clara. Enquanto isso, a linha de sinal do MACD permanece acima de zero, confirmando a continuidade da tendência de alta de longo prazo.
Previsões dos principais analistas para 2026
Cenários otimistas
O banco HSBC prevê que o ouro atingirá os 5000 dólares no primeiro semestre de 2026, com uma média anual de 4600 dólares. De forma semelhante, o Bank of America elevou a sua previsão para 5000 dólares como pico potencial, com uma média de 4400 dólares. A Goldman Sachs ajustou a sua previsão para 4900 dólares, enquanto a JPMorgan espera que o preço chegue aos 5055 dólares até meados do ano.
Intervalo consensual
O intervalo mais comum entre os analistas situa-se entre 4800 e 5000 dólares como pico potencial, com uma média prevista entre 4200 e 4800 dólares ao longo do ano.
Cenários de correção
As previsões não estão isentas de advertências. O HSBC indicou a possibilidade de uma correção até cerca de 4200 dólares na segunda metade de 2026, em caso de realização de lucros generalizada, embora exclua uma descida acentuada abaixo dos 3800 dólares, a menos que ocorra um grande choque económico. A Goldman Sachs destacou que a manutenção dos preços acima de 4800 dólares colocará o mercado perante um novo “teste de credibilidade”.
Previsões do preço do ouro na região do Médio Oriente
No Egito
Segundo estimativas especializadas, o preço do ouro poderá atingir cerca de 522.580 libras egípcias por onça, representando um aumento de 158,46% face aos níveis atuais.
Na Arábia Saudita e nos Emirados
Se o cenário otimista se concretizar, com o ouro a atingir 5000 dólares por onça, os preços poderão traduzir-se em aproximadamente 18750 a 19000 riais sauditas. Já nos Emirados, os preços poderão rondar entre 18375 e 19000 dirhams Emirados por onça.
Conclusão: o que esperar para os preços do ouro?
Todos os indicadores apontam para um 2026 que poderá marcar uma fase decisiva na trajetória do ouro. Os fatores fundamentais—desde a redução das taxas de juro reais e a fraqueza do dólar até às compras contínuas pelos bancos centrais e forte procura institucional—apoiam a hipótese de novos máximos históricos, perto ou acima de 5000 dólares.
Contudo, este cenário otimista depende de uma estabilidade relativa da inflação e da ausência de grandes choques geopolíticos. Qualquer melhoria súbita na confiança nos mercados financeiros ou uma recuperação das rendibilidades dos títulos poderá alterar o quadro. Mas, de modo geral, parece que o ouro entrou numa nova fase como ativo estratégico de longo prazo, em vez de ser apenas uma ferramenta de especulação de curto prazo, o que reforça a possibilidade de as previsões de alta se concretizarem no próximo ano.