A rede de Bitcoin enfrenta um momento crítico. Dados recentes apontam queda de 4% na taxa de hash — a mais significativa desde meados de 2024 — enquanto a volatilidade realizada em 30 dias disparou para 45%, patamar não visto desde abril de 2025. Operadores menos eficientes começam a desligar equipamentos diante da compressão de margens, sugerindo que o pior já pode estar acontecendo nas camadas estruturais da rede.
A capitulação dos mineradores como possível sinal de fundo
Quando mineradores capitulam, geralmente significa que a pressão de venda está próxima de se esgotar. Segundo análises recentes, esse tipo de movimento antecedeu recuperações positivas do Bitcoin em 65% dos casos após 90 dias. Em períodos de contração da taxa de hash observados em janelas de 90 dias, o retorno médio em seis meses ficou em 72%, sugerindo que a dor dos mineradores costuma marcar o término do ciclo pessimista.
A volatilidade nos últimos meses forçou a indústria a uma reorganização profunda. Para o equipamento Bitmain S19 XP, o ponto de equilíbrio de eletricidade caiu 36% em um ano — de US$ 0,12 para US$ 0,077 por kWh. Quem não acompanhar essa eficiência enfrenta risco crescente de sair do mercado, concentrando a mineração entre operadores com infraestrutura mais competitiva e acesso a energia mais barata.
China desloca energia de Bitcoin para inteligência artificial
O desligamento de aproximadamente 400 mil máquinas na província de Xinjiang removeu cerca de 1,3 GW de capacidade em apenas 24 horas. A razão está na realocação de energia para centros de dados voltados à inteligência artificial, atividade que atualmente oferece retornos superiores aos da mineração. Estimativas indicam que até 10% da taxa de hash global pode ser perdida de forma permanente nesse processo.
A decisão chinesa ilustra uma dinâmica maior: pelo menos 13 países já participam da mineração de Bitcoin com algum grau de apoio governamental, perseguindo objetivos de soberania energética ou monetária. Essa fragmentação geográfica tende a fortalecer operadores entrincheirados em regiões de energia abundante, elevando significativamente a barreira de entrada no setor.
Resistência nos 90 mil congela movimento, mas indicadores montam divergência altista
No plano técnico, o Bitcoin segue preso em faixa lateral, recuando para a região de US$ 87.700 após nova falha em romper a resistência dos US$ 90 mil. O nível concentra liquidez e ordens de venda desde as últimas semanas, funcionando como muro invisível que sufoca qualquer tentativa direcional mais forte.
A incapacidade de superação reflete um mercado sem protagonista claro. O preço oscila dentro de intervalo apertado, mas aqui emerge um sinal construtivo: no gráfico de três dias, o Índice de Força Relativa (RSI) registra mínimas mais altas enquanto o preço forma mínimas mais baixas — uma divergência altista clássica. Configurações similares em ciclos anteriores antecederam movimentos relevantes de alta, ainda que divergências nunca funcionem como gatilho isolado.
Na escala de quatro horas, o gráfico mostra rejeições recorrentes nas médias móveis de 200 períodos, tanto simples quanto exponencial. Enquanto o preço permanecer abaixo dessas médias, a tendência lateral persiste e testes de suporte seguem prováveis. A recuperação desse patamar é condição necessária para restabelecer uma estrutura de alta mais robusta.
Descolamento do ouro e fraqueza relativa em contexto de aversão ao risco
O comportamento do Bitcoin diverge do padrão histórico. Enquanto ouro e prata renovam máximas históricas em meio a incertezas macroeconômicas — com a cotação do ouro aproximando-se de US$ 4.500 por onça — o Bitcoin não acompanha esse fluxo de capital, contrariando padrões tradicionais de correlação positiva em ambientes de aversão ao risco.
Essa desconexão evidencia perda relativa de valor do ativo criptográfico. O par BTC/XAU aponta compressão técnica, sugerindo que o mercado ainda avalia a moeda digital de forma diferente do metal precioso em ciclo defensivo. A situação reflete a ausência de gatilho suficientemente forte para converter a resistência em suporte com volume expressivo.
Posições vendidas institucionais e redução de liquidez amplificam volatilidade
Grandes investidores abriram posições vendidas em Bitcoin, Ether e Solana que, combinadas, alcançam cerca de US$ 250 milhões. O movimento sugere estratégia de proteção contra riscos de correções adicionais, não necessariamente aposta agressiva contra o mercado.
Porém, o impacto dessas posições intensifica-se em ambiente de liquidez reduzida. Com aproximação do fim de ano, muitos operadores reduziram exposição para preservar ganhos, retraindo liquidez global e elevando probabilidade de movimentos abruptos mesmo sem catalisadores novos. A redução da profundidade nos livros de ordem torna o mercado hipersensível a operações de menor porte, amplificando volatilidade de curto prazo.
Para que o Bitcoin saia da consolidação, é necessário aumento expressivo de volume que traga capital direcional. Sem esse gatilho, o preço segue testando zonas inferiores em busca de demanda suficiente para absorver a oferta presente.
Perspectiva: quando o mercado se reenche de dinheiro
A QCP Capital destaca que liquidez tende a permanecer reduzida durante a semana de Natal, podendo amplificar tanto movimentos de continuação quanto reações rápidas a dados macroeconômicos. O mercado aguarda agora entrada mais consistente de capital comprador.
Os indicadores sugerem enfraquecimento gradual da pressão vendedora, especialmente com capitulação de mineradores removendo agentes marginais forçados a liquidar. Historicamente, esses episódios marcam reversões de ciclo quando reentrada institucional ocorre. A atual cotação do ouro em patamares mil acima do histórico — contrastando com Bitcoin em zona de compressão — oferece oportunidade de observação sobre quando e como os fluxos de capital defensivo retornam para ativos de risco.
O próximo catalisador determinará se a rede segue em consolidação ou finalmente rompe a resistência com renovação de pressão compradora.
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Mineradores em capitulação pressionam Bitcoin; resistência nos 90 mil persiste apesar de sinais de fundo
A rede de Bitcoin enfrenta um momento crítico. Dados recentes apontam queda de 4% na taxa de hash — a mais significativa desde meados de 2024 — enquanto a volatilidade realizada em 30 dias disparou para 45%, patamar não visto desde abril de 2025. Operadores menos eficientes começam a desligar equipamentos diante da compressão de margens, sugerindo que o pior já pode estar acontecendo nas camadas estruturais da rede.
A capitulação dos mineradores como possível sinal de fundo
Quando mineradores capitulam, geralmente significa que a pressão de venda está próxima de se esgotar. Segundo análises recentes, esse tipo de movimento antecedeu recuperações positivas do Bitcoin em 65% dos casos após 90 dias. Em períodos de contração da taxa de hash observados em janelas de 90 dias, o retorno médio em seis meses ficou em 72%, sugerindo que a dor dos mineradores costuma marcar o término do ciclo pessimista.
A volatilidade nos últimos meses forçou a indústria a uma reorganização profunda. Para o equipamento Bitmain S19 XP, o ponto de equilíbrio de eletricidade caiu 36% em um ano — de US$ 0,12 para US$ 0,077 por kWh. Quem não acompanhar essa eficiência enfrenta risco crescente de sair do mercado, concentrando a mineração entre operadores com infraestrutura mais competitiva e acesso a energia mais barata.
China desloca energia de Bitcoin para inteligência artificial
O desligamento de aproximadamente 400 mil máquinas na província de Xinjiang removeu cerca de 1,3 GW de capacidade em apenas 24 horas. A razão está na realocação de energia para centros de dados voltados à inteligência artificial, atividade que atualmente oferece retornos superiores aos da mineração. Estimativas indicam que até 10% da taxa de hash global pode ser perdida de forma permanente nesse processo.
A decisão chinesa ilustra uma dinâmica maior: pelo menos 13 países já participam da mineração de Bitcoin com algum grau de apoio governamental, perseguindo objetivos de soberania energética ou monetária. Essa fragmentação geográfica tende a fortalecer operadores entrincheirados em regiões de energia abundante, elevando significativamente a barreira de entrada no setor.
Resistência nos 90 mil congela movimento, mas indicadores montam divergência altista
No plano técnico, o Bitcoin segue preso em faixa lateral, recuando para a região de US$ 87.700 após nova falha em romper a resistência dos US$ 90 mil. O nível concentra liquidez e ordens de venda desde as últimas semanas, funcionando como muro invisível que sufoca qualquer tentativa direcional mais forte.
A incapacidade de superação reflete um mercado sem protagonista claro. O preço oscila dentro de intervalo apertado, mas aqui emerge um sinal construtivo: no gráfico de três dias, o Índice de Força Relativa (RSI) registra mínimas mais altas enquanto o preço forma mínimas mais baixas — uma divergência altista clássica. Configurações similares em ciclos anteriores antecederam movimentos relevantes de alta, ainda que divergências nunca funcionem como gatilho isolado.
Na escala de quatro horas, o gráfico mostra rejeições recorrentes nas médias móveis de 200 períodos, tanto simples quanto exponencial. Enquanto o preço permanecer abaixo dessas médias, a tendência lateral persiste e testes de suporte seguem prováveis. A recuperação desse patamar é condição necessária para restabelecer uma estrutura de alta mais robusta.
Descolamento do ouro e fraqueza relativa em contexto de aversão ao risco
O comportamento do Bitcoin diverge do padrão histórico. Enquanto ouro e prata renovam máximas históricas em meio a incertezas macroeconômicas — com a cotação do ouro aproximando-se de US$ 4.500 por onça — o Bitcoin não acompanha esse fluxo de capital, contrariando padrões tradicionais de correlação positiva em ambientes de aversão ao risco.
Essa desconexão evidencia perda relativa de valor do ativo criptográfico. O par BTC/XAU aponta compressão técnica, sugerindo que o mercado ainda avalia a moeda digital de forma diferente do metal precioso em ciclo defensivo. A situação reflete a ausência de gatilho suficientemente forte para converter a resistência em suporte com volume expressivo.
Posições vendidas institucionais e redução de liquidez amplificam volatilidade
Grandes investidores abriram posições vendidas em Bitcoin, Ether e Solana que, combinadas, alcançam cerca de US$ 250 milhões. O movimento sugere estratégia de proteção contra riscos de correções adicionais, não necessariamente aposta agressiva contra o mercado.
Porém, o impacto dessas posições intensifica-se em ambiente de liquidez reduzida. Com aproximação do fim de ano, muitos operadores reduziram exposição para preservar ganhos, retraindo liquidez global e elevando probabilidade de movimentos abruptos mesmo sem catalisadores novos. A redução da profundidade nos livros de ordem torna o mercado hipersensível a operações de menor porte, amplificando volatilidade de curto prazo.
Para que o Bitcoin saia da consolidação, é necessário aumento expressivo de volume que traga capital direcional. Sem esse gatilho, o preço segue testando zonas inferiores em busca de demanda suficiente para absorver a oferta presente.
Perspectiva: quando o mercado se reenche de dinheiro
A QCP Capital destaca que liquidez tende a permanecer reduzida durante a semana de Natal, podendo amplificar tanto movimentos de continuação quanto reações rápidas a dados macroeconômicos. O mercado aguarda agora entrada mais consistente de capital comprador.
Os indicadores sugerem enfraquecimento gradual da pressão vendedora, especialmente com capitulação de mineradores removendo agentes marginais forçados a liquidar. Historicamente, esses episódios marcam reversões de ciclo quando reentrada institucional ocorre. A atual cotação do ouro em patamares mil acima do histórico — contrastando com Bitcoin em zona de compressão — oferece oportunidade de observação sobre quando e como os fluxos de capital defensivo retornam para ativos de risco.
O próximo catalisador determinará se a rede segue em consolidação ou finalmente rompe a resistência com renovação de pressão compradora.