Basak Toprak revela como JPMorgan está discretamente redefinindo Wall Street com depósitos tokenizados

Quando um gigante financeiro do porte do JPMorgan começa a operar abertamente em blockchains públicas, algo significativo está acontecendo nos bastidores de Wall Street. A recente incursão do banco no ecossistema descentralizado, através da introdução da JPM Coin (JPMD) na blockchain Base, não representa simplesmente uma adoção casual de tecnologia cripto. Segundo o que Basak Toprak, chefe de produto dos depósitos tokenizados na divisão Kinexys Digital Payments do JPMorgan, dizer em entrevistas recentes, essa mudança é resultado de uma demanda crescente de clientes institucionais que buscam novas formas de liquidar valores e manter garantias em ambientes descentralizados.

A transição de uma infraestrutura privada desenvolvida internamente para uma rede pública como a Base representa um ponto de inflexão na forma como as instituições financeiras enxergam o futuro do dinheiro digital. Há apenas alguns anos, a ideia de um banco sistemicamente importante integrar seus sistemas de pagamentos a uma blockchain pública era considerada praticamente impensável. Hoje, essa realidade desafia as suposições antigas sobre a separação entre finanças tradicionais e criptoeconomia.

Por que os clientes institucionais demandam depósitos tokenizados na blockchain

A lógica por trás dessa mudança é mais simples do que pode parecer à primeira vista: demanda dos clientes. O JPMorgan não estava à procura de promoção no universo cripto quando decidiu levar seus depósitos tokenizados para a Base. Foi, de fato, uma resposta direta aos pedidos que vinham recebendo de empresas cripto, gestores de ativos e corretoras que operavam cada vez mais em ambientes on-chain.

“Atualmente, a única opção de dinheiro em caixa ou equivalente de caixa disponível nas blockchains públicas são as stablecoins,” conforme Basak Toprak aponta em seu raciocínio sobre por que o banco decidiu dizer sim a esse movimento. “Há uma demanda clara por realizar pagamentos em redes públicas utilizando um produto de depósito bancário genuíno. Acreditamos que isso seja especialmente crítico para clientes institucionais.”

Os casos de uso são concretos: gestores de ativos que mantêm garantias em plataformas de trading, operadores que precisam efetuar pagamentos de margem, e empresas cripto que buscam liquidez sem os riscos associados a stablecoins tradicionais. O problema com as soluções atuais é duplo. As contas bancárias tradicionais offchain enfrentam limitações de horário comercial e ineficiências operacionais. As stablecoins, por outro lado, apresentam um perfil de risco distinto — especialmente preocupante para instituições que estão apenas começando sua jornada cripto e preferem a segurança inerente aos depósitos bancários.

Da cadeia privada para Base: como JPMorgan está navegando a transição

A história do JPMorgan com blockchain começou em 2019, quando o banco iniciou oferecimento de contas de depósito em blockchain para clientes institucionais através de uma versão permissionada do Ethereum, originalmente denominada Onyx e posteriormente renomeada para Kinexys. Essa solução foi adequada durante seus estágios iniciais, mas revelou limitações conforme a demanda evoluía.

A adoção recente da Base, a solução de Layer 2 da Coinbase construída sobre Ethereum, marca uma mudança fundamental na estratégia. Não é uma decisão tomada levianamente, mas o resultado de cuidadosa avaliação de onde estão seus clientes e para onde o mercado está se movimentando.

A natureza permissionada do JPMD permanece um aspecto crucial. O token só pode ser transferido entre partes autorizadas — ou seja, exclusivamente entre clientes que foram incorporados à plataforma do JPMorgan. Isso não reduz seu valor ou utilidade para os participantes; na verdade, oferece um nível de controle e conformidade que é particularmente apelativo para instituições financeiras tradicionais migrandosubitamente para o espaço on-chain.

Depósitos tokenizados versus stablecoins: qual será o futuro do dinheiro on-chain

Enquanto os depósitos tokenizados ganhavam momentum, uma pergunta inevitável surge: como eles se diferenciam fundamentalmente das stablecoins já proliferantes? A resposta reside em detalhes importantes que têm implicações significativas.

Diferentemente das stablecoins tradicionais, os depósitos tokenizados do JPMorgan são reivindicações diretas sobre fundos realmente mantidos em contas bancárias. Melhor ainda, eles podem gerar rendimento de juros — um recurso que as stablecoins reguladas sob a Lei GENIUS não têm permissão para oferecer diretamente. Essa característica muda fundamentalmente a proposta de valor, especialmente para investidores institucionais buscando manter certos valores sem renunciar completamente ao potencial de retorno.

A relação entre ambas as categorias é mais de complementaridade que de competição direta, embora existam zonas de sobreposição. Ambas servem funções similares em pagamentos, liquidação e garantias em plataformas descentralizadas. Brian Foster, diretor global de atacado da Coinbase, descreve os depósitos tokenizados como “cousins das stablecoins” — próximos, mas distinct em origem e características operacionais.

No entanto, existe um desafio significativo que Foster identifica: interoperabilidade. “Como um banco exporta um produto que é essencialmente fixo dentro de suas próprias estruturas? Como alcança distribuição fora de suas quatro paredes institucionais?” Essa questão define o verdadeiro teste de viabilidade a longo prazo. A facilidade de criar e usar um novo produto dentro do próprio ecossistema de um banco é uma coisa; garantir adoção e utilidade fora desse perímetro é completamente outra.

Como um banco sistemicamente importante controla riscos em blockchain pública

Talvez a questão mais pertinente seja como uma instituição do tamanho e importância sistêmica do JPMorgan se tornou confortável operando em uma blockchain pública — especialmente considerando os repetidos avisos do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre os riscos inerentes ao universo cripto aberto.

Basak Toprak aborda essa preocupação com clareza. O trabalho de vários anos foi feito internamente para estabelecer a confiança necessária. “Tudo o que implementamos e lançamos passa por nossa governança interna rigorosa, que avalia todos os aspectos de risco relacionados a qualquer novo produto,” ela explica. O controle é o fator-chave: o JPMorgan controla diretamente o contrato inteligente. Ninguém mais o faz. As chaves privadas são armazenadas seguindo as melhores práticas. Existe separação funcional apropriada. Crucialmente, o banco é o único ente que pode mover tokens de um endereço para outro.

Essa abordagem transforma o risco de uma variável desconhecida em um conjunto de riscos gerenciáveis e controlados. As blockchains públicas, após anos de operação, demonstraram uma estabilidade e segurança suficientes para suportar esse tipo de aplicação institucional. Não é fundamentalmente diferente de implementar qualquer outra camada tecnológica para uma aplicação empresarial — é apenas que a camada em questão é descentralizada e transparente, características que paradoxalmente oferecem seus próprios mecanismos de segurança.

O futuro está onde os clientes estarão

Conforme mais contas migram para o ambiente on-chain, o JPMorgan continuará observando essas solicitações de seus clientes. Atualmente, os interessados principais são empresas cripto e participantes do ecossistema de ativos digitais. Mas essa composição pode mudar. Foster oferece uma perspectiva útil sobre o espectro de possibilidades: desde soluções totalmente custodiais e segmentadas (um excelente ponto de partida) até opções intermediárias que ainda permitem acesso a DeFi, e eventualmente ferramentas mais descentralizadas e totalmente on-chain.

Cada banco, cada instituição, precisará descobrir onde se situa confortavelmente nesse continuum. Para o JPMorgan, o movimento atual para Base e depósitos tokenizados representa um passo cauteloso mas decidido em direção ao futuro. Não é uma afirmação de que DeFi substituirá finanças tradicionais amanhã. É, ao invés disso, um reconhecimento de que o futuro provavelmente será híbrido — e os bancos que compreenderem como operar efetivamente em ambos os mundos simultaneamente estarão melhor posicionados para prosperar.

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