A guerra foi ganha ou perdida? Trump: Ganhei dinheiro

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Geração do resumo em andamento

Escrita por: golem

Trump pode ser um presidente competente, difícil de avaliar, mas é certamente um excelente manipulador dos mercados financeiros.

Em 23 de março, Trump voltou a fazer jogadas no conflito entre EUA e Irã. Às 19h05, horário de Lisboa, publicou no Truth Social que EUA e Irã tiveram diálogos produtivos nas últimas 48 horas e que todas as ações militares contra as centrais elétricas e infraestruturas energéticas do Irã foram adiadas por 5 dias.

Com essa declaração, o ouro, que havia caído devido às preocupações com a inflação e o aumento das taxas globais, reagiu instantaneamente. Segundo dados do Gate, após o post de Trump, o ouro, que tinha caído por um dia, recuperou mais de 200 dólares. Os futuros do S&P 500 também subiram quase 4%, enquanto o petróleo Brent caiu de 113 para 97 dólares por barril, uma queda superior a 14%.

Menos de uma hora depois, a mídia iraniana veio desmentir, afirmando que não houve contato direto ou indireto entre os dois países. A agência de notícias iraniana Tasnim citou um alto funcionário de segurança iraniano, dizendo que as declarações de Trump eram uma “guerra psicológica”.

Diante da rejeição, Trump tentou minimizar dizendo que “não sabe o que a mídia iraniana está dizendo”. Para os espectadores, parece mais uma tática típica de Trump, uma T.A.C.O. (Trump Always Chickens Out — Trump sempre recua na hora H). Mas para os traders, há quem celebre e quem se preocupe, pois essa movimentação fez o mercado oscilar mais de um trilhão de dólares em poucas horas.

Segundo o The Kobeissi Letter, quinze minutos antes do post de Trump, apareceu no mercado uma grande ordem de compra de futuros do S&P 500, avaliada em 1,5 bilhão de dólares. Por ser tão grande, essa ordem elevou o índice em cerca de 0,3% em um minuto. Quinze minutos depois, o trader ou instituição responsável por essa posição de 1,5 bilhão de dólares lucrou 60 milhões de dólares.

Além desse trader, há quem tenha conseguido escapar do movimento de queda. Segundo o Financial Times, pouco antes do post de Trump, cerca de 6200 contratos de futuros de petróleo Brent e WTI foram vendidos, totalizando uma operação de aproximadamente 580 milhões de dólares.

Fazer grandes operações antes de notícias importantes, ou seja, comprar ou vender em grande volume antes do anúncio, parece mais insider trading do que uma simples estratégia de trading. Mas será que Trump está por trás disso? Difícil afirmar. Afinal, ele não é a primeira vez que faz algo assim. O acadêmico iraniano Seyed Mohammad Marandi comentou na plataforma X que “sempre que o mercado abre, Trump faz declarações para pressionar o preço do petróleo, e o prazo de cinco dias que ele estabeleceu coincide com o encerramento das operações no mercado de energia”.

Ou seja, essas negociações aparentemente internas podem ser estratégias de traders de elite que já conhecem o padrão de Trump. Se Wall Street realmente considera Trump um indicador de mercado, não é surpresa. Essa tática de influenciar o mercado já foi usada várias vezes, sempre com resultados eficazes.

Um exemplo clássico foi a guerra tarifária de 2025. Em 7 de abril, os mercados americanos estavam sendo duramente atingidos pelas tarifas de Trump. De repente, surgiu a notícia de que a Casa Branca planejava suspender tarifas por 90 dias na maioria dos países, exceto a China. O índice Dow subiu cerca de 800 pontos, mas logo a Casa Branca desmentiu a notícia como “falsa”. No final do dia, o índice caiu 629 pontos.

Poucos duvidaram que essa informação fosse uma manobra de interesses ligados a Trump. E logo veio a resposta: em 9 de abril, Trump, no Truth Social, incentivou a compra de ações com a frase “THIS IS A GREAT TIME TO BUY!!! DJT”. Horas depois, anunciou uma nova política tarifária, que praticamente confirmava a “falsa notícia” de dois dias antes: tarifas de retaliação suspensas por 90 dias, exceto para a China, onde as tarifas subiram para 125%. Os mercados reagiram com uma forte alta, com os principais índices dos EUA atingindo uma recuperação rápida e inédita em dias.

Um operador medíocre só consegue fazer uma alta com uma boa notícia. Trump, por outro lado, consegue criar duas altas com uma só notícia.

Hoje, com o ambiente de guerra, cada declaração de líderes ou mídia oficial tem impacto direto nos preços. Uma declaração dura faz o ouro subir; uma declaração de relaxamento faz os ativos de risco reagirem positivamente, demonstrando uma “fala que vira lei” no mercado financeiro.

Com um mestre como Trump, até os mercados de previsão, que tentam antecipar a verdade dos fatos, podem ser enganados. Segundo o Odaily Seer, após Trump anunciar avanços nas negociações EUA-Irã, a probabilidade de um “cessar-fogo” até 31 de março na plataforma Polymarket subiu para 54%. Quando se descobriu que era uma brincadeira, essa probabilidade caiu para 16%, e atualmente está em 12%.

Trump manipula o mercado? Com certeza. Mas será que ele faz isso só para lucrar? Se for essa a ideia, está ignorando um negócio ainda mais lucrativo: os dividendos políticos de uma alta do mercado de ações. Trump, empresário de origem, conhece bem as contas econômicas.

Durante a campanha de 2024, Trump prometeu que, se eleito, iniciaria uma nova era de prosperidade econômica. Mas a economia leva tempo para se desenvolver, e a prosperidade é uma percepção subjetiva: ter dinheiro para gastar é prosperidade; não ter, é o oposto. Assim, Trump precisava de um indicador imediato para mostrar resultados aos eleitores. E o mercado de ações virou seu “substituto” de sucesso.

Na sua primeira gestão, Trump repetidamente destacou as máximas do Dow e do S&P, quase usando o mercado como uma avaliação de seu governo. Mas, ao influenciar o mercado com declarações, ele também agradava os investidores e os empresários, que muitas vezes eram ou se tornariam doadores políticos.

Esse roteiro já foi visto no setor de criptomoedas. Trump foi chamado de o primeiro “presidente cripto” dos EUA, pois, em 2024 e no início de 2025, fez várias declarações favoráveis às criptomoedas, participando de eventos, prometendo regulamentações amigáveis e criando um clima de otimismo. Cada uma dessas ações impulsionou o mercado cripto. Em troca, Trump recebeu apoio de milhões de eleitores e doações de bilhões de dólares de empresas do setor.

Manipular o mercado sem visar lucro direto também permite que Trump explore brechas legais. Muitos políticos e reguladores já o acusaram de manipular o mercado de criptomoedas para benefício próprio, mas essas acusações nunca foram comprovadas, pois não há evidências concretas de ganhos econômicos pessoais.

Após a confusão de 23 de março, surgiram acusações de insider trading. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou que o governo não tolera qualquer funcionário que use informações privilegiadas para obter vantagens ilegais, desde que haja provas. Mas, no caso de Trump, o que se entende por “vantagens” é o benefício econômico, que ele já não busca mais diretamente, tendo se afastado dos negócios familiares e operando nos bastidores com estratégias complexas.

Essa é a verdadeira “maestria” de Trump. Ele sabe que, neste mundo, o poder está acima do dinheiro; mas também entende como o dinheiro pode influenciar o poder de forma sutil e profunda.

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