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Stori pretende realizar a oferta pública inicial (IPO) dentro de dois anos após atingir a rentabilidade sustentável
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A Stori mira uma IPO no final de 2026 após marco de rentabilidade
A fintech mexicana reporta lucro líquido no primeiro semestre de 2025, impulsionado pelo crescimento em serviços para consumidores pouco bancarizados
A Stori, uma fintech sediada no México e focada em servir consumidores pouco bancarizados, pretende estar preparada para uma oferta pública inicial em 24 meses, segundo o Diretor Executivo Bin Chen. O objectivo segue a conquista de rentabilidade sustentável da empresa no início deste ano.
A empresa registou um lucro líquido de 21,4 milhões de pesos ($1,1 milhões) até ao final de junho, ajudado em parte por créditos provenientes de pagamentos antecipados de impostos. A receita anualizada atingiu 300 milhões de dólares, acima de 80% face ao ano anterior.
Foco em segmentos pouco servidos
Fundada em 2018, a Stori disponibiliza cartões de pagamento, empréstimos pessoais e contas de depósitos com juros elevados. A empresa afirma ter 3,7 milhões de utilizadores no México, com uma taxa de aprovação de 99% para o seu cartão de crédito. A estratégia da empresa tem como alvo consumidores de rendimento médio e baixo num mercado em que apenas cerca de um terço dos adultos tem crédito formal e em que o numerário continua a ser o método de pagamento dominante.
Servir este segmento traz desafios inerentes. Até junho, 23% dos empréstimos estavam em incumprimento, embora Chen tenha afirmado que esta taxa é melhor do que a média do mercado para a mesma base de clientes. O retorno sobre os activos ajustado ao risco da Stori situa-se em 10% numa base anualizada.
Caminho para a rentabilidade operacional
Excluindo créditos relacionados com impostos, a empresa registou um prejuízo operacional de 272 milhões de pesos no primeiro semestre do ano, estreitando o seu défice em cerca de 1 mil milhões de pesos face ao ano anterior. Chen disse que os lucros operacionais são esperados mais tarde em 2025.
A empresa reduziu o seu custo de atendimento ao cliente em mais de 35% ao longo do último ano, apontando para o uso de computação em nuvem e inteligência artificial na concessão, no serviço ao cliente e no marketing.
Contexto competitivo e regulamentar
O mercado de fintech do México tornou-se cada vez mais competitivo, com empresas como Nubank e MercadoLibre também a procurar clientes pouco bancarizados. Os dados da consultora Miranda Partners mostram que a Nubank e a Klarna reportam rácios de incumprimento de empréstimos de 20,8% e 26,8%, respectivamente, em junho. A Stori, por sua vez, detém o que a Miranda identifica como o rácio empréstimo-depósito mais saudável entre as três.
Gilberto Garcia, responsável de inteligência na Miranda Partners, assinalou que muitas fintechs no México têm tido dificuldade em alcançar rentabilidade sustentável devido ao maior risco de crédito do que o esperado e aos custos operacionais persistentes.
Perspectivas de IPO num mercado lento
Uma IPO da Stori representaria um raro registo público para uma startup apoiada por capital de risco na América Latina. A última oferta significativa na região foi a estreia da Nubank em 2021, segundo a CB Insights.
A Stori angariou 280 milhões de dólares em financiamento Série C entre 2021 e 2024, com investidores incluindo Notable Capital, BAI Capital, GGV Capital, General Catalyst e Tresalia Capital. A empresa divulgou pela última vez uma avaliação de 1,2 mil milhões de dólares em 2021 e não está actualmente a procurar novo financiamento.
Embora as operações na Colômbia tenham começado em 2024, Chen disse que o foco principal continua a ser a expansão no México. Acrescentou que, por vezes, a empresa poderá priorizar o crescimento acima da rentabilidade no curto prazo, mas sem permitir perdas prolongadas.