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A capital de Wall Street com um prémio de 78% “ataca” a maior empresa de música do mundo, propondo uma avaliação até 55,8 mil milhões de euros
Na terça-feira, a meio da tarde, em horário de Pequim, o conhecido investidor Bill Ackman, através da Pershing Square Capital, publicou um comunicado, propondo aos acionistas da Universal Music (UMG), cotada na Europa, uma operação com um prémio até 78%.
A Universal Music é a maior empresa de discos do mundo, ocupando o primeiro lugar entre as “três maiores empresas de discos do mundo”; entre os artistas da sua carteira contam-se Jay Chou, Eason Chan, Taylor Swift, Lady Gaga, entre outros.
De acordo com a proposta da Pershing Square Capital, a Universal Music irá fundir-se com a empresa de “short warrants” sob a alçada daquela instituição. A nova empresa será registada nos Estados Unidos e cotará na New York Stock Exchange. Os acionistas que concordarem com esta operação poderão receber, no total, 9,4 mil milhões de euros em numerário (correspondendo a 5,05 euros por ação), bem como 0,77 ações da nova empresa por cada ação da Universal Music detida, e a proposta avalia a empresa em 55,8 mil milhões de euros.
Isto equivale a um valor da transação de 30,4 mil milhões de euros por ação, um prémio de 78% face ao preço de fecho da Universal Music no pregão anterior. A capitalização bolsista ao fecho da empresa na quinta-feira da semana passada foi de 31,4 mil milhões de euros.
A proposta indica ainda que, nesta operação, serão canceladas 17% das ações emitidas da Universal Music, e a nova empresa terá também elegibilidade para ser incluída em índices como o S&P 500.
Como contexto, a Universal Music foi cotada em 2021 em Amesterdão, na Holanda. Ao longo do último ano, a cotação da empresa caiu desde o máximo de 29 euros até aos 15,4 euros.
(Gráfico diário da Universal Music, fonte: TradingView)
O relatório anual de 2025 da Universal Music indica que, depois de figurar entre os principais acionistas a família Bolloré/Grupo Vivendi e, ainda, Tencent Holdings (principais investidores), Ackman também está entre os principais acionistas desta empresa. Este investidor activista de Wall Street tinha-se envolvido diversas vezes, antes, em confrontos com o conselho de administração da Universal Music devido ao fraco desempenho da ação, tendo deixado o cargo de diretor da empresa no ano passado.
(Fonte: relatório anual de 2025 da Universal Music)
No “anúncio de fusões e aquisições”, Ackman escreveu que a Universal Music tem um desempenho muito excelente no desenvolvimento e na construção de um conjunto de artistas de nível mundial, e que o fraco desempenho da cotação se deve a “uma série de problemas que não estão relacionados com o desempenho do negócio musical”.
Na sua opinião, esses problemas incluem a incerteza quanto à participação detida pela família Bolloré, o adiamento da empresa na sua listagem nos Estados Unidos e a descida do retorno do capital próprio devido ao facto de não ter aproveitado plenamente o balanço.
Com o atractivo de um prémio de 78%, depois da abertura na terça-feira, a Universal Music chegou a subir mais de 20%; o aumento mais recente foi entretanto reduzido para cerca de 10%. Isto também demonstra que o mercado não acredita muito que a operação venha a ser concretizada.
O analista Nicolas Marmurek, da consultora de M&A Square Global, afirmou num relatório que, “a menos que a Bolloré apoie esta medida, esta ‘proposta’ parece estar quase condenada ao fracasso desde o início”.
Acrescentou ainda: “Temos dúvidas sobre se a Bolloré aceitaria condições como estas; se já tivesse apoiado esta operação, deveria recomendar avançar com a transação. Isto é mais um movimento em que a Pershing Square Capital tenta colocar diretamente esta proposta perante os acionistas.”
(Fonte: Caixin Global)