Islamabad entra em fase crucial — EUA e Irã passam de negociações políticas para um jogo técnico entre especialistas



Até 12 de abril, as negociações EUA-Irã na capital paquistanesa, Islamabad, entraram no seu segundo dia. Segundo a CCTV News, as delegações iraniana e americana encerraram uma rodada de negociações, e uma nova rodada pode ocorrer ainda em 12 de abril, enquanto as equipes de especialistas estão atualmente trocando textos de negociação. Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão confirmou que as instituições relevantes estão fazendo os preparativos necessários para as próximas negociações. Isso significa que, após a atenção global na fase inicial de consultas diplomáticas e políticas, a negociação avançou para uma fase mais substancial de disputa por detalhes técnicos.

1. Agenda das negociações: de encontros presenciais a consultas de especialistas

De acordo com informações do Irã, a primeira rodada de negociações realizada em 11 de abril no Hotel Serena, em Islamabad, começou com negociações separadas entre as delegações paquistanesa e ambas as partes, seguidas de uma reunião tripartida “face a face”. Esta foi a mais alta reunião presencial entre EUA e Irã desde 1979. Após o término da primeira rodada, as partes passaram para uma fase de consultas técnicas de especialistas, trocando textos de negociação. Segundo informações divulgadas, membros de comitês especializados em economia, direito e outros do lado iraniano já participaram das negociações.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou em 10 de abril que as negociações no Paquistão estavam “progredindo bem”, mas que, se um acordo não fosse alcançado, o Irã poderia abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Antes do início das negociações, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, apresentou por escrito três pontos principais: os invasores devem compensar os danos; a gestão do Estreito de Hormuz entrará em uma nova fase; o Irã não abandonará seus direitos legítimos e considerará toda a “frente de resistência” da região como um todo.

2. Posição dos EUA: questão nuclear ocupa “99%”

Donald Trump estabeleceu um tom claro para os negociadores americanos. Ele afirmou que, se o Irã concordasse em abandonar o desenvolvimento de armas nucleares, isso marcaria o sucesso das negociações de paz, “não permitindo que o Irã possua armas nucleares, o que representa 99% do conteúdo do acordo”. Trump também declarou que “não tinha certeza” do progresso específico das negociações EUA-Irã naquele dia, mas confirmou que as negociações haviam começado. Quando questionado se o Irã estava negociando de forma sincera, ele respondeu: “Vou te dizer em breve, não vai demorar muito.”

Trump também ameaçou que, se as negociações fracassassem, os EUA estavam prontos para “reiniciar” ações militares. Segundo o The Wall Street Journal de 10 de abril, no início das negociações, as forças americanas continuaram a deslocar aviões de combate e tropas para o Oriente Médio, com várias aeronaves de combate e ataque já chegando à região. Espera-se que entre 1.500 e 2.000 soldados do 82º Divisão Aerotransportada dos EUA cheguem nos próximos dias, preparando-se para possíveis ações militares futuras.

3. Reivindicações do Irã: desbloqueio de ativos e cessar-fogo no Líbano

De acordo com a TV do Irã, no dia 11, a delegação iraniana se reuniu à porta fechada com autoridades paquistanesas em Islamabad, destacando duas reivindicações centrais: desbloqueio de ativos estrangeiros congelados e a implementação de um “verdadeiro cessar-fogo” no Líbano. Essa declaração segue a posição anterior do Irã de que “o cessar-fogo no Líbano é uma condição prévia para as negociações”.

O Irã também enfatizou que o desbloqueio dos ativos iranianos congelados e o cessar-fogo no Líbano “devem ser concluídos antes do início das negociações”. O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, afirmou anteriormente que três cláusulas do “Plano de Dez Pontos” do Irã (incluindo cessar-fogo no Líbano, proibição de violações ao espaço aéreo iraniano e aceitação das atividades de enriquecimento de urânio do Irã) já haviam sido violadas antes do início das negociações.

4. Único obstáculo na atmosfera otimista

Segundo a IRNA, a agência de notícias oficial do Irã, um repórter do “New Arab” em Islamabad observou que ambos os lados estão geralmente otimistas quanto ao potencial sucesso das negociações EUA-Irã, parecendo sinceros em buscar uma solução. No entanto, o único obstáculo é que Washington ainda prioriza os interesses de Israel.

Essa observação revela o conflito central nas negociações: os EUA focam na questão nuclear iraniana e na navegação pelo Estreito de Hormuz, enquanto o Irã inclui na sua agenda o cessar-fogo no Líbano e os interesses gerais do “eixo de resistência” regional. Além disso, Israel, segundo relatos, exige o fim do programa nuclear iraniano e quer separar o conflito no Líbano de uma frente mais ampla de combate ao Irã. Essa disfunção estrutural de interesses faz com que, mesmo sentados à mesma mesa, as “listas de tópicos” discutidas pelos dois lados nem sempre coincidam.

5. Janela de negociações: contagem regressiva de duas semanas

Este cessar-fogo tem uma janela de apenas duas semanas, e as negociações já entraram no seu segundo dia. Até 12 de abril, o cessar-fogo completou cinco dias, mas os combates no Líbano continuam, e o trânsito pelo Estreito de Hormuz ainda não voltou ao normal. Cada hora de atraso nas negociações pode ser interrompida por fogo de artilharia no campo de batalha.

Estas negociações em Islamabad representam o mais alto nível de encontros face a face entre EUA e Irã desde 1979. Por trás das declarações de “otimismo geral”, os múltiplos jogos envolvendo questões nucleares, controle do estreito, cessar-fogo no Líbano e desbloqueio de ativos apenas começaram. A previsão de 24 horas de Trump já passou, mas as negociações continuam — para o mundo, o tempo de esperar por respostas será mais longo do que o inicialmente prometido por Trump.
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