Ações de Produtores de Ouro Ressurgem, Confira as Perspectivas Segundo Analistas



Embora o preço do ouro ainda esteja relativamente estável em meio ao conflito geopolítico no Oriente Médio, os preços das ações desses produtores de commodities começam a se recuperar.

A maioria das ações de produtores de ouro mostra uma recuperação, pelo menos na última semana. Um exemplo é o preço das ações da PT Amman Mineral Internasional, que subiu acentuadamente 15,43% na última semana, atingindo o nível de R$ 5.425 por ação até sexta-feira (10/4).

Ao mesmo tempo, as ações da PT Bumi Resources Minerals Tbk (BRMS) dispararam 14,97%, atingindo R$ 845 por ação. As ações da PT Archi Indonesia Tbk (ARCI) também saltaram 10,25%, chegando a R$ 1.560 por ação.

Além disso, a PT Aneka Tambang Tbk (ANTM) subiu 1,92% na última semana, atingindo R$ 3.710 por ação. Por outro lado, as ações da PT J Resources Asia Pasifik Tbk (PSAB) permaneceram em R$ 510 por ação, apesar de terem apresentado volatilidade na semana passada.

Diferentes resultados foram observados nas ações da PT Merdeka Copper Gold Tbk (MDKA), que recuaram 1,23% na última semana, atingindo R$ 3.220 por ação. Da mesma forma, as ações da PT Merdeka Gold Resources Tbk (EMAS) diminuíram 0,91%, chegando a R$ 8.125 por ação.

Arinda Izzaty, analista da Pilarmas Investindo Sekuritas, afirmou que a valorização recente das ações de ouro foi mais impulsionada por uma combinação de fatores de orientação futura (forward looking) do que apenas pelo preço do ouro no mercado spot atual.

Nesse contexto, embora o preço do ouro esteja relativamente estagnado na faixa de US$ 4.700 por onça troy, o mercado começou a precificar o potencial de redução das taxas de juros globais, o enfraquecimento do dólar americano (AS) e o aumento dos riscos geopolíticos, o que reativa a função do ouro como ativo de refúgio seguro.

Além disso, fatores específicos das empresas também são bastante relevantes. Por exemplo, otimismo com expansão e aumento do volume de produção na AMMN e BRMS, melhorias na estrutura de custos e expectativas de margens melhores, caso os preços de energia permaneçam estáveis.

"Essa alta nas ações não necessariamente reflete uma recuperação de curto prazo no preço do ouro, mas sim uma expectativa de ciclo de ouro que pode voltar a ser bullish no médio prazo", afirmou ele, na sexta-feira (10/4).

No que diz respeito à avaliação, Arinda afirmou que algumas ações de ouro, como ANTM e MDKA, já estão em níveis relativamente justos ou até premium, devido ao índice preço/valor patrimonial (PBV) ou valor da empresa (EV)-EBITDA acima da média histórica. Por outro lado, ações de segunda linha, como BRMS e ARCI, ainda são consideradas subvalorizadas, pois estão em fase inicial de crescimento e de otimização de reservas de ouro.

Enquanto isso, o especialista em Mercado de Capitais e fundador da República Investidor, Hendra Wardana, avalia que algumas ações de ouro apresentam avaliações relativamente atraentes, especialmente para aqueles que ainda não refletem totalmente o potencial de produção futura.

Apesar disso, os investidores devem ser mais seletivos com as ações de ouro que já tiveram uma forte valorização, pois suas avaliações começam a se aproximar do valor justo.

De modo geral, as perspectivas para as empresas de ouro ainda são bastante promissoras, especialmente ao considerar a política monetária global mais frouxa e o potencial de enfraquecimento do dólar americano.

Nessas condições, historicamente, o preço do ouro tende a subir, pois o custo de oportunidade de manter ouro torna-se menor. Além disso, a tensão geopolítica, que ainda é volátil, continuará a sustentar o preço do ouro no médio e longo prazo.

No entanto, o espaço para crescimento do desempenho das empresas de ouro não é ilimitado. Desafios como aumento dos custos de produção, volatilidade nos preços de energia e riscos operacionais e regulatórios permanecem fatores importantes a serem considerados por cada empresa.

"Empresas com grandes reservas, custos de produção eficientes e planos de expansão claros terão vantagem sobre aquelas que dependem apenas do preço das commodities", afirmou ele, na sexta-feira (10/4).

Para alcançar um desempenho ótimo, as estratégias que as empresas de ouro devem reforçar incluem manter a eficiência de custos de produção para permanecerem competitivas diante da volatilidade dos preços das commodities.

As empresas do setor também precisam acelerar o desenvolvimento de novos projetos para aumentar o volume de produção e manter uma estrutura financeira saudável, mesmo com altos investimentos em capex. Diversificar para outros minerais, como cobre, também é uma estratégia importante, pois oferece uma proteção contra correções no preço do ouro.

De acordo com Arinda, as empresas produtoras de ouro devem ser disciplinadas no controle de custos para manterem sua competitividade diante da volatilidade do mercado. Além disso, é importante acelerar a exploração e o desenvolvimento de novas reservas para garantir a continuidade da produção.

Mais adiante, as empresas de ouro também devem otimizar seu portfólio de ativos principais, incluindo a venda de ativos não estratégicos ou de minas de alto custo. A integração vertical ou diversificação para outros minerais estratégicos também pode ser uma opção para proteger contra ciclos de mercado do ouro.

"Gestão financeira conservadora, com baixo endividamento e forte liquidez, é fundamental para manter a flexibilidade durante a reversão do ciclo das commodities", acrescentou Arinda.

Por fim, Arinda recomenda que os investidores considerem as ações da ANTM e MDKA, com preços-alvo de R$ 4.800 e R$ 3.700 por ação, respectivamente.

Por outro lado, Hendra considera que as ações do setor de ouro ainda são relativamente atraentes como parte de uma estratégia defensiva, além de serem boas para operações táticas de curto prazo em meio à volatilidade do mercado global.

As ações da ANTM são recomendadas como compra especulativa, com alvo na faixa de R$ 4.000 por ação. A mesma recomendação é feita para as ações da BRMS, com preço-alvo de R$ 965 por ação.

ARCI, EMAS e AMMN também merecem atenção, com preços-alvo de R$ 1.770, R$ 9.000 e R$ 6.075 por ação, respectivamente. Além disso, as ações da MDKA também são recomendadas como compra especulativa, com preço-alvo de R$ 3.540 por ação.
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