Guerra de três linhas — negociações nucleares, fogo na Líbia e nova ameaça no Mar Vermelho, Oriente Médio a caminho de uma “guerra total”


Negociações entre EUA e Irã em Islamabad fracassaram, o confronto no Estreito de Hormuz intensificou-se, Israel continua com ataques aéreos no Líbano, os houthis emitiram uma nova ameaça no Mar Vermelho — o Oriente Médio em 13 de abril de 2026 está sendo dilacerado por três frentes de batalha simultâneas. O número de mortos no Líbano já ultrapassou 2000, os houthis juraram “responder com maior intensidade”, enquanto o porta-aviões americano “George H. W. Bush” navega em direção ao Irã. Analistas políticos iranianos apontam que, no futuro, podem ocorrer duas situações: ou bloqueio econômico e pressão, ou ações militares e escalada de guerra. A situação no Oriente Médio está em um ponto crítico perigoso.
Um, Líbano: a linha de frente sangrenta no sul
Quando a notícia do fracasso das negociações foi divulgada, os bombardeios no sul do Líbano continuaram. Segundo dados do Ministério da Saúde do Líbano em 12 de abril, desde que os combates entre Líbano e Israel recomeçaram em 2 de março, os ataques israelenses ao Líbano causaram 2055 mortes e 6588 feridos. Entre as vítimas, há 165 crianças mortas e 644 feridas. Em 12 de abril, Israel continuou a realizar ataques aéreos em várias regiões do sul do Líbano, causando pelo menos 24 mortes e ferindo várias pessoas.
Como retaliação, o Hezbollah lançou uma nova rodada de ataques contra as forças israelenses no sul do Líbano e no norte de Israel. Em uma declaração na noite de 12 de abril, o Hezbollah afirmou ter atacado com foguetes o quartel do 146º batalhão das Forças de Defesa de Israel e outros locais no norte de Israel.
O primeiro-ministro israelense Netanyahu visitou na véspera uma “área de contenção” controlada por Israel no sul do Líbano, afirmando que “a guerra ainda continua, inclusive na zona de contenção no Líbano”, e que o exército israelense tem mais trabalho a fazer. Netanyahu declarou que a ameaça de invasão do Líbano foi eliminada, que as forças israelenses alcançaram “conquistas históricas” na operação atual, mas que as ações ainda não terminaram.
Mais preocupante ainda, Israel concordou em iniciar “negociações de paz formais” com o Líbano em Washington, em 14 de abril, mas recusou discutir um cessar-fogo com o Hezbollah — que é a parte real no conflito. O porta-voz da diplomacia da UE, Anwar bin Munir, condenou veementemente os ataques israelenses ao Líbano, pedindo que Israel cesse imediatamente os ataques, qualificando-os de “uma escalada extremamente grave”. A Missão de Estabilização da ONU no Líbano também emitiu uma declaração, condenando o ataque das Forças de Defesa de Israel contra seus veículos e a destruição de seus equipamentos de monitoramento no sul do Líbano.
O primeiro-ministro espanhol Sánchez afirmou anteriormente que a UE deve agir para conter o governo israelense, para evitar que o Líbano se torne “o segundo Gaza”. Mais de um milhão de libaneses perderam suas casas devido aos bombardeios israelenses, e mais de 130 mil foram realojados em abrigos designados pelo governo. Por trás desses números, há um país sendo dilacerado pela guerra.
Três, Houthis: o Mar Vermelho pode se tornar a segunda linha de batalha
À medida que a situação no Estreito de Hormuz permanece tensa, uma nova ameaça de bloqueio de energia surge no Mar Vermelho. Os houthis, do Iêmen, emitiram uma declaração em 12 de abril, afirmando que qualquer nova escalada militar dos EUA na região afetará negativamente as cadeias de suprimentos globais, os preços de energia e a economia mundial. A declaração afirmou que, se os EUA e Israel atacarem novamente o Irã e a “Frente de Resistência”, os houthis manterão uma postura firme e participarão de ações militares com maior intensidade.
Especialistas apontam que os houthis são considerados uma “arma de dissuasão” nas mãos do Irã — controlam o estreito de Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, e têm capacidade de ameaçar e atacar navios ou até bloquear esse estreito. Um conselheiro do líder supremo do Irã afirmou claramente que, se os EUA bloquearem o Estreito de Hormuz, o Irã responderá bloqueando o estreito de Mandeb. Se o estreito de Mandeb for bloqueado, e o de Hormuz permanecer sob controle rigoroso, as cadeias globais de energia enfrentarão uma pressão dupla de ambos os lados. O tráfego no Mar Vermelho responde por cerca de 12% do comércio mundial, e sua insegurança já levou algumas empresas de navegação a contornar o Cabo da Boa Esperança, aumentando a rota em cerca de 15 a 20 dias e multiplicando os custos de seguro.
Quatro, os dois cenários do Irã e os movimentos do exército dos EUA
Diante da complexidade após o fracasso das negociações, o analista político iraniano Haratian apontou que podem ocorrer duas situações. A primeira é que os EUA não queiram escalar para uma nova guerra, mas tentem pressionar o setor de transporte marítimo e a economia iraniana, forçando o Irã a mudar de postura, abrindo caminho para uma nova diplomacia. Nesse caso, o Irã adotará medidas de compensação para lidar com a pressão sobre seus setores de transporte e petróleo.
A segunda é que, sob maior pressão econômica, a situação possa evoluir para ações militares e escalada de guerra. Nesse cenário, além de continuar pressionando os EUA com questões econômicas e de preços de energia, o Irã deve agir rapidamente contra Israel, evitando uma guerra de desgaste, e assim facilitar o início de novas negociações.
No aspecto militar, a agência de notícias russa Sputnik citou que o porta-aviões americano “George H. W. Bush” está se dirigindo ao Irã. O Comando Central dos EUA anunciou que, a partir de 13 de abril às 10h, bloqueará os portos iranianos. Ao mesmo tempo, as Forças de Defesa de Israel entraram em “estado de alta prontidão”, preparando-se para retomar ações militares contra o Irã. Os houthis juraram responder com maior intensidade — a interação dessas três frentes está levando o Oriente Médio a um ponto de crise perigosa.
Cinco, o custo da guerra: números de vítimas divulgados pelo Irã
O custo da guerra continua a aumentar. Segundo a mídia oficial iraniana em 13 de abril, citando o chefe do órgão de medicina legal do sistema judiciário, Abbas Majedi, 3375 pessoas morreram no conflito com os EUA e Israel, sendo 2875 homens e 496 mulheres. Esse número é inferior aos quase 2400 mortos divulgados pela Organização Mundial da Saúde em 9 de abril, devido às diferenças nos critérios de estatística e cobertura — os dados da OMS podem ser mais abrangentes, enquanto os números oficiais iranianos incluem apenas os corpos confirmados pelo órgão de medicina legal. Mas, independentemente de qual número seja mais próximo da verdade, milhares de vidas perdidas e mais de 3,2 milhões de deslocados representam uma ferida indelével nesta guerra.
Resumo: em 13 de abril, o Oriente Médio encontra-se em uma encruzilhada. Fracasso nas negociações nucleares, fogo no Líbano, ameaça dos houthis, porta-aviões dos EUA em direção ao Irã, escalada no Estreito de Hormuz — a interação dessas três frentes está empurrando a região para o momento mais perigoso desde o início do conflito. A agência russa de notícias Sputnik citou especialistas dizendo: “Ainda não há uma conclusão definitiva.” Mas uma coisa é certa: quanto mais tempo se adiar, maior será a conta da guerra. Nos próximos dias, será um momento decisivo para evitar uma “guerra total” no Oriente Médio.
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