Recentemente, ao acompanhar o mercado, realmente entendi por que tantas pessoas ficam de olho no índice do dólar. Para ser honesto, no começo eu também não entendia para que servia essa coisa, mas depois percebi que ela influencia quase todas as nossas decisões de investimento.



Simplificando, o índice do dólar é um indicador usado para medir a força do dólar em relação às outras principais moedas. Ele acompanha as variações cambiais do dólar contra seis moedas, que são o euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço. Dentre elas, o euro tem o maior peso, representando 57,6%, o que explica por que os dados econômicos da Europa afetam diretamente a tendência do índice do dólar.

Você pode pensar no índice do dólar como um termômetro do fluxo de capital global. Quando o dólar se valoriza, significa que o dólar está mais forte, e o dinheiro quente do mundo tende a fluir para o mercado americano, aumentando a compra de ações e títulos dos EUA. Por outro lado, quando o dólar se desvaloriza, os fundos podem migrar para Ásia ou mercados emergentes, e aí o mercado de Taiwan e o dólar taiwanês podem se beneficiar.

A composição do índice do dólar é bem interessante. Ele não calcula uma média simples das seis moedas, mas usa uma “média ponderada geométrica”, baseada no tamanho da economia de cada país e no volume de transações. O euro tem o maior peso porque a zona do euro tem 19 países usando a moeda, com uma economia grande. O iene fica em segundo lugar, pois o Japão é a terceira maior economia do mundo, e a taxa de juros do iene é muito baixa, sendo frequentemente usado como um ativo de proteção. As outras quatro moedas juntas representam menos de 30%.

Percebi que a utilidade mais prática do índice do dólar é que ele ajuda a prever o fluxo de capital. Por exemplo, quando o Federal Reserve aumenta as taxas de juros, o índice do dólar geralmente sobe, porque a alta dos juros atrai fundos globais para os EUA. Nesse momento, o preço do ouro tende a cair, pois o custo de comprar ouro aumenta. Por outro lado, ao diminuir as taxas, o dólar enfraquece e o ouro costuma subir de preço.

A relação entre ações americanas e o índice do dólar é mais complexa, não é uma correlação simples positiva ou negativa. Às vezes, a valorização do dólar impulsiona o mercado de ações, por causa do fluxo de capital; mas se o dólar ficar muito forte, pode prejudicar as exportadoras americanas, puxando o mercado para baixo. Na crise de 2020, por exemplo, o mercado global despencou, mas o dólar subiu até 103. Depois, o Federal Reserve começou a imprimir dinheiro em grande quantidade, e o dólar caiu rapidamente para pouco mais de 93.

Para nós, investidores em Taiwan, a queda do índice do dólar é uma boa notícia. Quando o dólar está fraco, o fluxo de capital tende a entrar no mercado de Taiwan, e o dólar taiwanês também se valoriza. Mas se você possui ações americanas ou depósitos em dólares, precisa ficar atento ao risco cambial, pois a desvalorização do dólar significa que ao trocar de volta para o dólar taiwanês, você receberá menos.

Um detalhe que muitas pessoas ignoram é que o Federal Reserve na verdade costuma usar mais o “Índice de Comércio Ponderado do Dólar” do que o índice do dólar divulgado pela mídia. O índice de comércio ponderado inclui mais de 20 moedas, incluindo moedas de mercados emergentes asiáticos como o yuan, o dólar taiwanês e o won sul-coreano, refletindo melhor a força do dólar no comércio global. Mas, se você é um investidor comum, basta acompanhar o índice do dólar, pois ele é o mais comum e fácil de acessar os dados.

Atualmente, meu hábito é que, antes de começar a acompanhar o mercado, dou uma olhada no movimento do índice do dólar. Se o índice estiver em alta, fico mais cauteloso ao considerar oportunidades em ouro e mercados emergentes. E vice-versa. Entender as mudanças no índice do dólar é uma habilidade básica de investimento, especialmente ao fazer operações de câmbio ou possuir ativos internacionais, pois esse indicador pode ajudar a evitar muitos erros.
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