Recentemente, a valorização do euro tem sido bastante acentuada, e as questões relacionadas às políticas do banco central por trás disso estão ficando cada vez mais complexas.



Simplificando, o euro vem se valorizando desde junho do ano passado, chegando a um ponto que já preocupa o Banco Central Europeu. Grandes instituições como JPMorgan e BNP Paribas preveem que até o final do ano, o EUR/USD pode ultrapassar 1,20, o que é completamente diferente das expectativas de alguns meses atrás, quando os analistas previam uma paridade. Só no último mês, os operadores ajustaram para cima a expectativa de corte de juros do BCE neste ano em meio ponto percentual.

Por que o euro está tão forte? Principalmente porque a política comercial de Trump tem causado apreensão, a atratividade dos ativos americanos diminuiu, e os investidores começaram a direcionar seu dinheiro para o euro. Isso contraria completamente as previsões de alguns meses atrás — na época, todos achavam que as políticas de Trump aumentariam a inflação, o Federal Reserve desaceleraria ou até aumentaria as taxas de juros, fortalecendo o dólar. Mas, na verdade, o euro está ficando cada vez mais forte agora.

Porém, isso representa uma faca de dois gumes para a economia europeia. Normalmente, em tempos de turbulência global, o euro tende a se enfraquecer, o que favorece as exportações, tornando os produtos mais baratos e mais competitivos. Mas se o euro continuar a se valorizar, as importações ficarão mais baratas, o que pode agravar a pressão deflacionária na economia. Economistas do Goldman Sachs calcularam que, desde o início de março, o euro se valorizou 5% em relação às principais moedas de parceiros comerciais, o que pode levar a uma queda de cerca de 0,2 ponto percentual na inflação ao longo dos próximos dois anos.

Portanto, o Banco Central Europeu enfrenta um dilema. O euro ainda pode subir? Com base na tendência atual, certamente há espaço para isso. Brian Mangwiro, gerente de portfólio do Bahrain Bank, afirmou que, se o EUR/USD subir acima de 1,20, o BCE precisará reduzir a taxa básica de juros de 2,25% para abaixo de 1,5% até o final do ano.

Christine Lagarde, presidente do BCE, já declarou publicamente que a valorização do euro “vai contra a intuição”, e o secretário do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, também comentou, prevendo que o BCE pode reduzir ainda mais as taxas para conter a força do euro. Mathieu Savary, estrategista-chefe da BCA Research na Europa, chegou a dizer que, se o euro subir de 1,01 para 1,20 dólares em seis meses, isso será um grande problema.

Ainda mais interessante, há vozes dentro do próprio BCE alertando. O economista-chefe, Philip Lane, já advertiu que a valorização do euro está atrasando a recuperação econômica, e Olli Rehn, membro do conselho de governadores, também mencionou riscos de baixa na inflação, ressaltando que o valor do euro é crucial na avaliação de políticas.

A questão agora é: quanto o BCE precisa cortar as taxas para estabilizar a situação? Sam Zief, chefe global de estratégia de câmbio do Private Bank do JPMorgan, apontou que a força do euro deve impulsionar ainda mais os oficiais a adotarem uma postura mais agressiva de corte de juros. Os investidores estão aguardando a atualização das projeções de juros do BCE em junho para buscar pistas sobre o ritmo de cortes nos próximos meses.

Curiosamente, o BCE não é o único banco central enfrentando esse problema. O franco suíço também está em alta, e o Banco Central da Suíça pode precisar reduzir as taxas de 0,5% para valores negativos ainda neste ano. No entanto, Kirstine Kundby-Nielsen, estrategista de moedas do Danske Bank, acredita que o BCE tem vantagem sobre o Banco Central da Suíça, pois dispõe de mais espaço para cortar juros. Ela prevê que o EUR/USD atingirá 1,21 até o final do ano.

Resumindo, a questão de até onde o euro pode subir depende bastante das decisões de corte de juros do BCE. Se eles realmente estiverem preocupados, ainda há espaço para afrouxar a política monetária e enfraquecer o euro. Mas, no curto prazo, a tendência de força do euro parece bastante difícil de reverter.
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