Morgan Stanley apresentou oficialmente documentos à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA em 6 de janeiro de 2026, solicitando aprovação para lançar trusts de Bitcoin spot e de Solana spot.
Este gigante de Wall Street é o primeiro entre os dez maiores bancos norte-americanos a dar este passo, assinalando uma nova fase na aceitação das criptomoedas pela finança tradicional.
01 Entrada Institucional
A iniciativa da Morgan Stanley não é um acontecimento isolado—surge num contexto de mudança fundamental na postura de Wall Street face às criptomoedas.
Enquanto um dos dez maiores bancos dos EUA em ativos totais, a submissão do Formulário S-1 pela Morgan Stanley para lançar ETFs de Bitcoin e Solana representa a primeira tentativa deste tipo a este nível.
O que impulsiona esta ação é um consenso generalizado em Wall Street: "Já não podemos esperar mais." Concorrentes como Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Citigroup já reforçaram as suas divisões de ativos digitais.
Até a tradicionalmente conservadora Vanguard permitiu aos clientes negociar ETFs de criptomoedas em dezembro de 2025, enquanto o Bank of America atualizou recentemente as suas políticas para permitir que consultores de património recomendem alocações em ETFs de Bitcoin.
02 Inovação de Produto
Segundo o pedido, o trust de Bitcoin da Morgan Stanley irá deter diretamente Bitcoin e seguir uma estratégia de gestão passiva, abstendo-se de negociar ativamente em função das condições de mercado. O trust de Solana introduz uma característica inovadora—staking.
Isto significa que o produto não só acompanha o preço da Solana, como também faz staking de parte dos ativos para apoiar a rede blockchain e obter recompensas. Esta estratégia diferenciada visa claramente captar investidores que procuram rendimento adicional.
Importa referir que a Solana é atualmente a sexta maior criptomoeda por capitalização de mercado, e o seu produto ETF spot registou um influxo líquido de 2,29 milhões $ em 31 de dezembro de 2025.
03 Reação do Mercado
O mercado de criptomoedas iniciou 2026 em força, criando condições favoráveis para a entrada da Morgan Stanley.
A 5 de janeiro, os ETFs de Bitcoin spot nos EUA registaram o maior influxo líquido diário desde 7 de outubro de 2025, totalizando 697 milhões $. O produto IBIT da BlackRock liderou a tendência, atraindo 372 milhões $ num único dia.
Em simultâneo, os ETFs de Ethereum spot acrescentaram mais de 168 milhões $ em novos ativos líquidos. Esta procura simultânea pelos dois maiores ativos cripto aponta para um apetite de risco mais amplo nos ativos digitais no início do novo ano.
A 6 de janeiro, o preço do Bitcoin disparou para perto de 94 700 $, subindo mais de 7 % desde 1 de janeiro. O Ethereum valorizou quase 2 %, ultrapassando brevemente os 3 300 $, com um ganho semanal de cerca de 9 %. A Solana destacou-se, saltando quase 13 % num só dia para 143 $, com um aumento semanal próximo dos 29 %.
04 Dinâmica Regulamentar
A atual mudança na regulação governamental dos EUA abriu caminho para a entrada das instituições de Wall Street no setor cripto.
Em julho de 2025, Trump assinou o Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins Act (GENIUS Act), criando um quadro regulatório abrangente para stablecoins.
Nesse mesmo mês, o Cryptocurrency Legal Accountability, Registration, and Investor Transparency Act (CLARITY Act) foi aprovado no Congresso e deverá passar no Senado a 15 de janeiro de 2026.
Em setembro de 2025, a SEC alterou as regras de listagem para novos ETFs de commodities, incluindo ativos cripto, abrindo portas a mais produtos financeiros no mercado.
05 Fluxos de Capital
Todd Sohn, Estratega Sénior de ETFs na Strategas Securities, afirmou: "Para os emissores, a escala dos ativos cripto tornou-se demasiado grande para ser ignorada."
Atualmente, mais de 150 mil milhões $ estão alocados em cerca de 130 fundos cripto nos EUA. Só os ETFs de Bitcoin spot já detêm 123 mil milhões $ em ativos líquidos totais, representando 6,57 % da capitalização total do Bitcoin.
Desde o início de 2026, estes produtos registaram influxos líquidos superiores a 1,1 mil milhões $. A QCP Capital observou: "A correlação entre criptomoedas e ativos de risco mais amplos parece cada vez menos coincidência e mais uma mudança estrutural no início do ano."
06 Perspetivas de Investimento
A Morgan Stanley gere ativos para cerca de 19 milhões de clientes, e a sua entrada nos ETFs cripto poderá trazer um volume institucional sem precedentes ao mercado.
Ao contrário de gestores de ativos como a BlackRock, a Morgan Stanley dispõe de uma vasta divisão de gestão de património e milhares de consultores. Com produtos internos de ETF, o banco pode integrar verticalmente estas ofertas nas carteiras dos clientes e reter as comissões de gestão internamente.
Para os investidores particulares, isto significa acesso facilitado às criptomoedas através de contas de corretagem tradicionais. As unidades serão criadas e resgatadas por participantes autorizados em dinheiro ou em espécie, enquanto os investidores individuais poderão comprá-las e vendê-las no mercado secundário através dos seus corretores.
Em plataformas de negociação mainstream como a Gate, os investidores podem acompanhar de perto os movimentos de preço das principais criptomoedas, como Bitcoin e Solana. A 7 de janeiro, o mercado mantém-se otimista, com o Bitcoin próximo dos 93 000 $ e a Solana a demonstrar forte dinamismo.
A Morgan Stanley planeia apoiar a negociação de tokens para os clientes da sua corretora online E*Trade em 2026, sinalizando uma expansão ativa da infraestrutura de ativos digitais.
Perspetivas
A 7 de janeiro, o preço da Solana na Gate é de 139,37 $, uma subida de 0,5 % nas últimas 24 horas. O Bitcoin mantém-se firmemente acima dos 92 500 $.
O pedido da Morgan Stanley ainda não especifica os detalhes relativos à custódia, que deverão ser divulgados em futuras alterações. Após aprovação, estes produtos serão listados nas bolsas nacionais de valores, com os símbolos de cotação a anunciar.
Com a expectativa de maior entrada de capital institucional ao longo de 2026, o mercado cripto poderá estar prestes a iniciar um novo ciclo de crescimento. Cristiano Castro, Diretor de Desenvolvimento de Negócio da BlackRock Brasil, revelou que, em novembro de 2025, o ETF de Bitcoin spot da empresa se tornou a principal fonte de receita, com alocações próximas dos 100 mil milhões $.


