BlackRock lidera a tokenização de Ethereum: uma nova era para os mercados financeiros de biliões de dólares

Mercados
Atualizado: 2026-01-23 06:28

No dia 23 de janeiro de 2026, o Ethereum (ETH) manteve-se em torno de 2 970 $ na plataforma Gate. Nesse mesmo dia, Wall Street trouxe notícias ainda mais relevantes: a BlackRock, que gere quase 10 biliões $ em ativos, nomeou oficialmente as criptomoedas e a tokenização de ativos como temas centrais de investimento para o próximo ano no seu relatório "2026 Thematic Outlook".

01 Apoio dos Gigantes

O relatório da BlackRock é inequívoco: a tecnologia blockchain está a tornar-se uma ferramenta para revolucionar o acesso às classes de ativos tradicionais. Liderado por Jay Jacobs, responsável pelos ETFs de ações dos EUA na BlackRock, o relatório tem peso suficiente para provocar ondas de choque no setor financeiro tradicional.

Um dado destaca-se: mais de 65 % de todos os ativos tokenizados residem atualmente na blockchain Ethereum, superando largamente outras redes públicas como a Solana.

"À medida que a tokenização continua a ganhar tração, as oportunidades de aceder a ativos para além de numerário e obrigações do Tesouro dos EUA através da tecnologia blockchain também irão crescer", afirma a BlackRock no relatório, traçando uma visão clara para o futuro.

A BlackRock já é pioneira na tokenização. A 20 de março de 2024, lançou o fundo tokenizado de obrigações do Tesouro dos EUA, BUIDL, na Ethereum via Securitize, tornando-se o primeiro grande gestor de ativos a emitir um produto deste tipo numa blockchain pública.

02 A Onda da Tokenização

Qual é a essência da tokenização? Não se trata apenas de trocar uma aplicação de corretora por uma interface de carteira cripto — é uma transformação profunda nos planos jurídico, contabilístico e económico.

Numa perspetiva de princípios fundamentais, os valores mobiliários são conjuntos de direitos — propriedade, rendimento, direitos de voto e outros — que podem ser executados em tribunal e sob enquadramento regulatório. A tokenização utiliza a tecnologia blockchain para estruturar o registo e transferência desses direitos num estado partilhado, verificável e programável.

Segundo dados citados no relatório da BlackRock, as stablecoins processaram transferências no valor impressionante de 8 biliões $ no último ano, superando o volume total de negociação spot de criptoativos. Isto é visto como prova convincente de que a blockchain está a ultrapassar a mera especulação para oferecer utilidade real.

Paul Atkins, presidente da Securities and Exchange Commission dos EUA, foi mais longe, prevendo que todo o mercado financeiro norte-americano — incluindo ações, dívida e obrigações do Tesouro — poderá migrar para uma arquitetura blockchain nos próximos dois anos.

03 A Revolução da Eficiência

Os mercados financeiros tradicionais dependem de sistemas de backoffice complexos e dispendiosos. Uma única transação de valores mobiliários deixa registos dispersos por bolsas, intermediários e centrais de compensação, exigindo reconciliação constante, gestão de erros e intervenção manual para garantir o funcionamento do sistema.

O principal avanço da tokenização é "passar da reconciliação de múltiplos registos para a execução num único registo". Os estados dos ativos — como detenção, congelamento ou colateralização — são registados numa ledger partilhada, acessível e verificável por todas as partes. As regras de transferência são codificadas como smart contracts auditáveis.

Isto traduz-se num salto significativo de eficiência. Os mercados tradicionais exigem ciclos de liquidação T+1 ou T+2, mas a liquidação baseada em blockchain pode alcançar T+0 ou mesmo conclusão quase instantânea. A emissão de obrigações digitais pelo Banco Europeu de Investimento já reduziu o tempo de liquidação de cinco dias para apenas um.

Este salto quântico na velocidade de liquidação liberta uma enorme eficiência de capital. Analistas estimam que a gestão programável de colateral poderá libertar mais de 100 mil milhões $ em "capital parado" que, até agora, ficava retido anualmente por processos ineficientes.

04 A Base do Ecossistema

Porque é que a Ethereum mereceu a atenção especial da BlackRock? A sua principal vantagem reside num ecossistema de programadores altamente maduro, seguro e inovador, construído ao longo de anos de evolução.

A tecnologia de smart contracts da Ethereum oferece uma base fiável para lógica financeira complexa. Desde transferências simples de tokens a pagamentos automáticos de dividendos e verificações de conformidade, tudo pode ser executado através de código pré-definido.

A conformidade legal é o elemento vital da tokenização. No ecossistema Ethereum, standards de tokens como o ERC-3643 foram especificamente concebidos para ativos financeiros em conformidade, incluindo mecanismos integrados como listas brancas de transferências e controlos de permissões. Estas funcionalidades transferem os requisitos regulatórios de verificações posteriores para uma aplicação automática e em tempo real.

Gigantes financeiros tradicionais como o JPMorgan também estão a avançar. A instituição rebatizou a sua divisão de blockchain como Kinexys e está a testar projetos de ativos digitais na Base — uma rede Layer 2 construída sobre tecnologia Ethereum — para explorar a interoperabilidade com ecossistemas de blockchain públicos.

05 Concorrência e Desafios

Apesar da sua liderança atual, o domínio da Ethereum na tokenização está longe de garantido. Enfrenta concorrência de novas redes públicas como a Solana e de instituições financeiras tradicionais que desenvolvem as suas próprias blockchains consorciadas.

Um dos grandes desafios é o "paradoxo privacidade versus transparência". As instituições necessitam de confidencialidade para grandes transações, mas a blockchain pública da Ethereum é inerentemente transparente. Isto impulsionou o desenvolvimento de soluções de preservação de privacidade baseadas em provas de conhecimento zero e levou algumas instituições a optar por redes privadas permissionadas.

A integração de liquidez é outro obstáculo. A Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC), o "armazém central" das finanças tradicionais, está a trabalhar para ligar plataformas financeiras legadas a ecossistemas de finanças descentralizadas (DeFi), criando um pool de liquidez unificado — um movimento que poderá transformar o setor.

A volatilidade do mercado permanece igualmente um risco. Desde o início de 2026, o preço do Ethereum registou oscilações significativas. Dados da Gate mostram que atingiu um máximo de 3 354 $ em meados de janeiro, antes de recuar e fixar-se em torno de 2 970 $ a 23 de janeiro.

06 Perspetivas Futuras

Recentemente, o antigo CEO da Binance, Changpeng Zhao, reforçou a visão da BlackRock durante a sua intervenção no Fórum Económico Mundial em Davos. Revelou que decorrem conversações com "uma dúzia de governos" sobre a tokenização dos seus ativos.

Zhao destacou as vantagens deste modelo: os governos podem realizar a valorização dos ativos em primeiro lugar e canalizar os ganhos para o desenvolvimento industrial. Antecipou ainda que a IA, a tokenização e os pagamentos em cripto serão os três principais motores de crescimento do futuro.

O objetivo final da tokenização é transformar os valores mobiliários em "blocos financeiros composáveis". No futuro, as estratégias de investimento poderão combinar livremente ações, obrigações, numerário e derivados tokenizados — como peças de Lego — para criar carteiras altamente automatizadas e personalizadas, algo praticamente impossível nos sistemas tradicionais compartimentados.

Para os investidores particulares, a barreira de entrada nesta tendência está a diminuir progressivamente graças a plataformas em conformidade como a Gate. Os investidores podem não só negociar ETH, mas também aceder a ativos tokenizados como o fundo BUIDL da BlackRock — representando o futuro das finanças — e tornar-se participantes diretos nesta transformação.

Perspetiva

Mais de 65 % dos ativos tokenizados já são liquidados na blockchain Ethereum. A Depository Trust & Clearing Corporation está a trabalhar para ligar os registos acionistas tradicionais a novas redes blockchain, e os volumes anuais de liquidação de stablecoins ultrapassaram discretamente os 8 biliões $.

Estes sinais dispersos estão a convergir num plano claro para a rede financeira do futuro. Os seus nós são ativos digitais, as suas ligações são smart contracts e o seu combustível são protocolos de blockchain pública como a Ethereum, que combinam segurança com energia inovadora.

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