
Ao ser notificado de uma atualização em seu aplicativo de banco digital no smartphone, você provavelmente não pensa duas vezes para aceitar. Entretanto, quando se trata de criptomoedas de código aberto, é diferente. Não existe hierarquia e nenhum banco que pode simplesmente enviar atualizações e fazer alterações como bem entender. Sendo assim, implementar novos recursos em redes blockchain pode ser um desafio significativo.
Neste artigo, iremos discutir sobre como as redes de criptomoedas podem ser atualizadas, apesar de não existir uma autoridade central. Para isso, são usados dois mecanismos diferentes: Hard Forks e Soft Forks. Compreender esses conceitos é essencial para entender como as blockchains evoluem e se adaptam às necessidades da comunidade.
Para entender como forks funcionam, é importante primeiro entender os participantes envolvidos no processo de tomada de decisão (governança) da rede blockchain.
Os desenvolvedores são responsáveis por criar e atualizar o código-fonte da rede. Considerando uma moeda típica, qualquer pessoa pode contribuir para o processo de desenvolvimento. O código está disponível publicamente, permitindo que a comunidade revise e sugira melhorias. Esses desenvolvedores trabalham em conjunto para propor novas funcionalidades e melhorias de segurança.
Os mineradores são responsáveis por proteger a rede blockchain e validar transações. Eles executam o código da criptomoeda e dedicam recursos computacionais significativos para adicionar novos blocos à blockchain. Os mineradores são recompensados por seus serviços através da recompensa de bloco e taxas de transação, criando assim um incentivo econômico para manter a segurança da rede.
Full nodes são o núcleo da rede de criptomoedas. Eles validam, enviam e recebem blocos e transações, garantindo a integridade dos dados. Além disso, os full nodes também mantêm uma cópia completa da blockchain, funcionando como guardiões do histórico da rede.
Muitos consideram que o poder sobre a rede está concentrado nos full nodes. Provavelmente devido a rede ser voluntária (opt-in), ou seja, os usuários podem escolher qual software desejam executar, dando à comunidade o poder final de decisão.
Quando um software passa por um fork, ele é copiado e modificado de forma significativa. O projeto original continua existindo, mas de forma separada do novo, que assume uma direção diferente. Esse conceito é fundamental para entender como blockchains evoluem.
Os projetos que sofrem fork têm uma base em comum e compartilham parte da sua história de desenvolvimento. Da mesma forma que uma estrada que se divide em duas, agora existe uma divergência permanente nos caminhos de cada projeto. Essa divergência pode ser temporária ou permanente, dependendo da natureza do fork.
Hard Forks são atualizações de software que são incompatíveis com versões anteriores. Normalmente, ocorre quando nodes adicionam novas regras que apresentam conflito com as regras de nodes mais antigos. Os novos nodes são capazes de se comunicar somente com outros que operam a nova versão. Como resultado, a blockchain se divide, criando duas redes distintas: uma com as regras antigas e outra com as novas regras.
Considerando esse histórico compartilhado, caso você possua moedas desde antes do fork, terá moedas em ambas as redes. Isso significa que você receberá tokens equivalentes na nova cadeia que foi criada.
Um exemplo histórico significativo de Hard Fork foi o de 2017 que dividiu a cadeia Bitcoin em duas – a original, Bitcoin (BTC), e uma nova, Bitcoin Cash (BCH). A bifurcação ocorreu após muita discussão técnica e comunitária sobre a melhor abordagem para resolver o problema de escalabilidade da rede.
O Soft Fork é uma atualização que é compatível com versões anteriores, ou seja, nodes atualizados ainda podem se comunicar com os que ainda não fizeram a atualização. No soft fork, normalmente ocorre a adição de uma nova regra que não entra em conflito com as regras anteriores. Essa compatibilidade retroativa é a característica distintiva dos soft forks.
Um bom exemplo real de Soft Fork foi o Segregated Witness (SegWit). Os nodes antigos ainda podiam validar blocos e transações, mas eles simplesmente não as entendiam completamente. O SegWit introduziu mudanças na forma como os dados de assinatura eram armazenados, aumentando a capacidade de transações sem quebrar a compatibilidade com nodes mais antigos.
Fundamentalmente, os dois tipos de forks têm finalidades diferentes e aplicações distintas na evolução das blockchains. Hard Forks com muita controvérsia podem dividir uma comunidade por inteiro, causando fragmentação da rede. Entretanto, os bem planejados e consensuais proporcionam liberdade para modificar o software quando todos estão de acordo com as mudanças necessárias.
O Soft Fork é uma opção menos radical e potencialmente mais segura. De modo geral, as possibilidades são mais limitadas, pois as novas alterações não podem entrar em conflito com as regras já existentes. Dito isso, se sua atualização pode ser elaborada de forma que permaneça compatível com versões anteriores, não existe a preocupação de fragmentação da rede e divisão da comunidade.
A escolha entre Hard Fork e Soft Fork depende da natureza das mudanças propostas e do grau de consenso na comunidade. Mudanças menores e compatíveis favorecem Soft Forks, enquanto mudanças fundamentais podem exigir Hard Forks.
Hard Forks e Soft Forks são cruciais para o sucesso de longo prazo das redes blockchain. Eles possibilitam mudanças e atualizações em sistemas descentralizados, mesmo com a ausência de uma autoridade central. Esses mecanismos garantem que as blockchains possam evoluir e se adaptar às necessidades crescentes da comunidade.
Forks permitem que blockchains e criptomoedas integrem novas funcionalidades à medida que se desenvolvem, melhorando segurança, escalabilidade e usabilidade. Sem esses mecanismos de atualização, precisaríamos de um sistema centralizado com controle no sentido de cima para baixo, o que contradiz os princípios fundamentais das criptomoedas descentralizadas. Portanto, compreender esses processos é essencial para qualquer pessoa interessada em entender como as redes blockchain funcionam e evoluem.
Hard Fork altera o protocolo blockchain tornando incompatível com nós antigos,enquanto Soft Fork mantém compatibilidade com versões anteriores。Hard Fork é irreversível;Soft Fork permite extensão gradual。
Projetos blockchain realizam hard forks ou soft forks para atualizar protocolos,melhorar desempenho e segurança da rede. Hard forks implementam mudanças estruturais,enquanto soft forks otimizam regras existentes. Ambas permitem inovação alinhada ao consenso comunitário.
Durante um hard fork,todos os detentores de tokens na cadeia original recebem uma quantidade equivalente de tokens na nova cadeia。Seus ativos são duplicados,proporcionando exposição a ambas as versões do ativo。
Os principais hard forks incluem o hard fork do Ethereum em 2016 após o incidente The DAO, que resultou na criação do Ethereum Classic (ETC). Também destacam-se o Bitcoin Cash em 2017, originado de desacordos sobre tamanho de blocos, e o Ethereum Merge em 2022, que mudou o consenso de PoW para PoS.
Sim,os soft forks são compatíveis com versões anteriores。Eles introduzem novas regras mantendo compatibilidade com o protocolo existente,permitindo que nós não atualizados continuem operando normalmente na rede。
Atualize seu cliente ou carteira para a versão compatível com o novo protocolo. Verifique se sua exchange ou provedor de serviços suporta a mudança. Mantenha suas chaves privadas seguras e acompanhe os comunicados oficiais.
Sim, o hard fork gera uma nova moeda. Detentores da moeda original recebem automaticamente a nova moeda na mesma carteira, sem necessidade de ações adicionais. A quantidade de novas moedas corresponde ao saldo original no momento do fork.











