

Exchange-Traded Funds (ETF) são veículos de investimento cotados em bolsa que agregam o capital dos investidores e o alocam conforme objetivos previamente definidos. Ao contrário dos fundos fechados convencionais, os ETF proporcionam elevada liquidez, transparência e custos de transação reduzidos — fatores-chave para o crescente interesse dos investidores tradicionais. Os ETF de criptomoedas aplicam este instrumento financeiro consolidado ao mercado de ativos digitais, permitindo aos investidores acederem a investimentos em cripto com a mesma facilidade que negociam ações.
Os investidores tradicionais privilegiam os ETF pelas suas vantagens estruturais. Em primeiro lugar, os ETF negociam diretamente em bolsa, dispensando a compra de ativos subjacentes através de intermediários, tornando as operações mais padronizadas e reguladas. Em segundo lugar, os ETF apresentam normalmente comissões de gestão significativamente mais baixas do que os fundos geridos ativamente, geralmente entre 0,15% e 0,5%. Para investidores de longo prazo, esta poupança anual traduz-se em retornos potencialmente superiores graças à capitalização composta. Em terceiro lugar, os ETF adotam uma abordagem de “cesta” que diversifica o risco ao deterem múltiplos ativos subjacentes, reduzindo o impacto das oscilações de preço de um único ativo. No âmbito das criptomoedas, estes benefícios eliminam barreiras iniciais como a gestão de carteiras e o armazenamento de chaves privadas, permitindo que o investimento em cripto se aproxime do modelo tradicional de ações. Dados recentes indicam que os ETF spot de Bitcoin acumularam mais de 110 mil milhões $ em ativos sob gestão desde o lançamento, com o iShares Bitcoin ETF (IBIT) a representar mais de metade desse montante, espelhando a forte procura institucional e de investidores particulares.
Os ETF de cripto dividem-se em três categorias principais, cada uma com mecanismos e perfis de risco distintos. O primeiro é o ETF spot, que detém diretamente ativos cripto subjacentes. Num ETF spot de Bitcoin, por exemplo, o gestor compra e guarda Bitcoin real através de um custodiante profissional. Os investidores que compram unidades do ETF detêm, de forma indireta, uma parte proporcional de Bitcoin. Esta estrutura permite captar ganhos diretamente, sem prémios ou descontos associados a futuros. Em contrapartida, o fundo suporta custos de custódia digital, o que se reflete em comissões de gestão superiores. O Grayscale Bitcoin Mini Trust ETF (BTC) cobra 0,15% e o iShares Bitcoin ETF (IBIT) cobra 0,25% — custos que são repercutidos nos investidores.
O segundo tipo é o ETF de futuros, que acompanha os preços dos ativos cripto através de contratos futuros de Bitcoin ou Ethereum negociados na Chicago Board of Trade (CBOT). Este modelo evita as complexidades de segurança inerentes ao armazenamento direto de criptoativos. No entanto, os contratos futuros implicam custos de “rolling” — despesas resultantes da renovação de contratos de curto para longo prazo devido a diferenças de preço. Em mercados “bull”, os contratos de prazo mais longo tendem a ser negociados com prémio, aumentando o custo de exposição e diminuindo os retornos face ao mercado spot. Em mercados “bear”, este efeito pode ser vantajoso para o investidor. O terceiro tipo é o ETF híbrido, que combina spot, futuros e outros instrumentos para alcançar retornos específicos através de estratégias mais complexas. Alguns ETF recorrem a staking ou opções para gerar rendimento adicional, mas tal complexidade eleva tanto o desafio de gestão como o risco.
A tabela abaixo compara estas três tipologias:
| Tipo | Ativo Subjacente | Comissão de Gestão | Principal Vantagem | Principal Risco |
|---|---|---|---|---|
| ETF Spot | Detenção direta de ativos cripto | 0,15%-0,5% | Participação direta nos ganhos | Custos de custódia elevados |
| ETF de Futuros | Contratos de futuros | 0,3%-0,8% | Elimina o risco de armazenamento | Custos de rolling, risco contratual |
| ETF Híbrido | Ferramentas de investimento mistas | 0,5%-1,5% | Retornos diversificados | Complexidade elevada, menor previsibilidade |
Os ETF spot e de futuros diferem em aspetos que impactam diretamente os resultados do investimento. Os ETF spot apresentam um modelo simples: os retornos acompanham a variação do preço do ativo cripto subjacente. Se o Bitcoin subir de 50 000 $ para 60 000 $, os investidores no ETF spot de Bitcoin registam um ganho de 20% (descontando comissões mínimas). Esta simplicidade torna os ETF spot ideais para quem acredita no crescimento sustentado das criptomoedas e procura exposição direta e clara — especialmente principiantes. O Grayscale Bitcoin Mini Trust ETF e o iShares Bitcoin ETF são os principais ETF spot, com ativos totais superiores a 75 mil milhões $, refletindo a preferência do mercado pela transparência e simplicidade.
Os ETF de futuros, por seu lado, utilizam uma estrutura mais complexa. Embora sigam os preços das criptomoedas através de contratos futuros, os custos de rolling são um fator relevante. Em mercados “bull”, os futuros tendem a negociar com prémio, pelo que adquirir contratos de longo prazo durante o rollover aumenta o custo de manutenção das posições e diminui gradualmente os retornos. Em mercados “bear” ou quando os futuros negociam com desconto, os ETF de futuros podem superar o mercado spot, embora tal seja menos frequente. Para investidores de longo prazo, os ETF spot tendem a proporcionar retornos superiores.
A escolha entre ETF spot e de futuros depende dos objetivos de investimento. Para períodos superiores a dois anos, os ETF spot são mais indicados devido aos custos reduzidos e à inexistência de custos de rolling. Para negociação de curto prazo ou para quem pretende explorar as particularidades do mercado de futuros, os ETF de futuros oferecem flexibilidade, mas implicam risco de alavancagem superior — sobretudo em mercados voláteis. Segundo normas da SEC e dados de mercado, os ETF spot de Bitcoin registam volumes diários mais de três vezes superiores aos ETF de futuros, evidenciando maior confiança dos investidores na sua segurança e transparência.
Os principais ETF de cripto do mercado atual constituem uma categoria de topo bem definida. O Grayscale Bitcoin Mini Trust ETF (NYSEMKT: BTC) cobra apenas 0,15% e gere 3,6 mil milhões $ em ativos, posicionando-se como a solução spot de Bitcoin de menor custo. É especialmente recomendado para investidores particulares sensíveis a custos — uma posição de 10 000 $ implica apenas 15 $ em comissões anuais. O fundo proporciona ainda elevada liquidez e facilidade de negociação; os investidores podem comprar ou vender a qualquer momento durante o horário da bolsa, sem necessidade de esperar por janelas de resgate.
O iShares Bitcoin ETF (NASDAQ: IBIT), apesar de cobrar 0,25%, destaca-se pela liquidez e pelo volume. O seu volume médio diário de negociação em USD excede 70 mil milhões $ — mais de três vezes o dos restantes ETF spot de Bitcoin — o que garante spreads mínimos. Para investidores ativos, os custos de transação mais baixos tendem a compensar a comissão de gestão superior. O IBIT gere atualmente mais de 70 mil milhões $, tendo já atingido os 100 mil milhões $, consolidando a sua liderança no mercado.
O Fidelity Wise Origin Bitcoin ETF (NYSEMKT: FBTC) e o Bitwise Bitcoin ETF apresentam características distintas. O FBTC cobra 0,25%, o Bitwise cobra 0,2%, ambos com spreads semelhantes. A principal diferença reside na liquidez: os canais de retalho e a notoriedade da marca Fidelity atraem fluxos institucionais significativos, tornando-o favorito entre negociadores frequentes. O Bitwise atrai investidores de longo prazo graças à comissão ligeiramente inferior. Desde o lançamento do ETF da Fidelity em janeiro de 2024, ambos os fundos têm registado retornos de longo prazo praticamente idênticos. Para investidores orientados para o longo prazo, a escolha depende sobretudo dos hábitos de negociação e da preferência pela marca.
Para ETF de Ethereum, existem produtos spot e de futuros. Contudo, dado que o mercado de Ethereum é mais pequeno do que o de Bitcoin, estes ETF apresentam menores volumes de ativos e liquidez. A partir de janeiro de 2026, o Bank of America autorizou os seus consultores de património a recomendar ETF de cripto a clientes qualificados, sinalizando uma maior abertura à adoção institucional. Prevê-se que mais instituições financeiras tradicionais venham a alargar a sua oferta de ETF de cripto num futuro próximo.
Os ETF de cripto apresentam vantagens evidentes face à compra direta de ativos digitais. Em primeiro lugar, a conveniência: os investidores não precisam de gerir chaves privadas ou carteiras — basta efetuar ordens nas plataformas de corretagem, como nas ações, facilitando o acesso. Em segundo lugar, a segurança: os ativos subjacentes são detidos por custodiantes profissionais, eliminando o risco de ataques a carteiras ou perdas acidentais. Em terceiro lugar, a eficiência de custos — as comissões de gestão são inferiores devido à agregação de ativos e à escala, em comparação com a aquisição individual. Em quarto lugar, a liquidez: os ETF negociam em tempo real em bolsa, enquanto algumas operações de cripto estão sujeitas a restrições geográficas ou temporais. Estes fatores explicam por que os ETF spot de Bitcoin atraíram mais de 110 mil milhões $ em ativos no primeiro ano após o lançamento em 2024.
No entanto, os ETF de cripto também comportam riscos menos evidentes. O primeiro é o risco de gestão: mesmo pequenas comissões acumulam ao longo do tempo — uma diferença de 2% ao ano pode reduzir os retornos de longo prazo em mais de 20% ao fim de 30 anos. É fundamental comparar cuidadosamente as estruturas de custos. O segundo é o risco de mercado: a cripto permanece altamente volátil. No final de 2025, o Bitcoin caiu de 120 000 $, bloqueando entradas em ETF e evidenciando a rapidez das mudanças de sentimento. Os investidores devem estar preparados para flutuações acentuadas de preços. O terceiro é o risco de liquidez: embora os principais ETF sejam altamente líquidos, fundos de menor dimensão ou recentes podem enfrentar falta de liquidez, especialmente em momentos de pânico.
Dados Bitwise e Bloomberg indicam que, embora mais de 100 novos ETF de cripto possam ser lançados em 2026, é provável que o mercado se sature. Analistas da Bloomberg alertam que muitos fundos com desempenho inferior poderão encerrar em 18 meses, pelo que os investidores devem focar-se em produtos mainstream com elevado volume de ativos, elevada liquidez e gestão reputada. A supervisão reforçada da SEC facilitou a aprovação de ETF, mas a concorrência é intensa. Para iniciantes, o mais aconselhável é começar por líderes comprovados como Grayscale Mini Trust ETF ou iShares Bitcoin ETF, construindo uma base sólida. Com a entrada de instituições tradicionais, os investidores devem rever regularmente as suas carteiras e ajustar estratégias à evolução dos mercados e dos objetivos pessoais.











