A bolsa de criptomoedas sul-coreana Bithumb está sob investigação pela Unidade de Informação Financeira (FIU) devido à violação das obrigações de combate à lavagem de dinheiro (AML) previstas na Lei de Informação Financeira Específica. A autoridade reguladora enviou uma notificação prévia de sanções severas, incluindo uma suspensão parcial de atividades por seis meses e medidas de responsabilização ao CEO, como advertências ou demissões.
A infração ocorreu por a Bithumb não ter implementado adequadamente os procedimentos de verificação de identidade do cliente (KYC) e por realizar transações com fornecedores de ativos virtuais não registrados no exterior, aumentando o risco de lavagem de dinheiro. Esta ação faz parte de uma auditoria abrangente da FIU desde 2025 às cinco maiores exchanges da Coreia, indicando que, à medida que o setor expande globalmente — incluindo os planos da Bithumb de realizar uma IPO nos Estados Unidos — a fiscalização regulatória se intensificará.
A suspensão proposta afetará saques de ativos virtuais por novos usuários, enquanto depósitos, saques e negociações em won coreano e criptomoedas de clientes existentes não serão impactados. Estima-se que a multa possa superar os 35,2 bilhões de won do ano passado aplicados à Upbit, podendo chegar a 37 bilhões de won ou mais. Com cerca de 10 milhões de usuários, isso representaria um recorde histórico.
A líder de mercado Upbit recebeu uma suspensão mais branda de três meses e já contestou na justiça. A Bithumb planeja apresentar sua defesa ao Comitê de Revisão de Sanções da FIU em 16 de março, quando será tomada a decisão final. A exchange já enfrentou escândalos anteriores, incluindo a compra de imóveis no valor de 30 bilhões de won pelo ex-CEO e altas taxas de listagem, o que, ao tentar superar concorrentes na Nasdaq, aumentou a pressão.
Essa ação policial destaca a postura ativa da Coreia do Sul na conformidade com as regulamentações de criptomoedas. Para a Bithumb, essas penalidades podem prejudicar seu crescimento e a confiança dos investidores, especialmente após incidentes operacionais, como a distribuição incorreta de mais de 4 bilhões de dólares em Bitcoin devido a uma falha — embora a maior parte já tenha sido recuperada e compensada aos clientes. As autoridades reguladoras buscam fortalecer o quadro de combate à lavagem de dinheiro, prevenindo transações suspeitas não declaradas e garantindo um processo KYC robusto. Com a decisão final se aproximando hoje, a Bithumb promete destacar melhorias passadas, mas o resultado pode redefinir sua vantagem competitiva no mercado de ativos digitais em crescimento na Coreia, frente à Upbit.
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