Os mercados de ações asiáticos registaram ganhos generalizados na quarta-feira, à medida que os investidores responderam a sinais de desescalada no conflito entre EUA-Israel-Irã, que reduziram as ameaças imediatas ao abastecimento global de petróleo.
O Nikkei 225 do Japão liderou a subida, subindo aproximadamente 2,90% para fechar perto de 53.766 — recuperando-se do território de correção atingido no início do mês, quando os preços do crude ultrapassaram os 100 dólares por barril. O índice Hang Seng de Hong Kong ganhou 2,79%, fixando-se em 25.063,71, enquanto o KOSPI da Coreia do Sul avançou 1,59% para cerca de 5.642.
Os movimentos marcaram uma reversão acentuada de um período de vendas intensas, em que alguns índices caíram entre 5% e 12% em sessões individuais. O catalisador foi uma combinação de declarações de oficiais israelenses e americanos indicando contenção na infraestrutura energética iraniana.
Nikkei 225 do Japão via Tradingview.
Israel divulgou que não atacará mais ativos energéticos iranianos, após pressão pública do presidente dos EUA, Donald Trump. Trump também anunciou o que descreveu como “conversas produtivas” com o Irã e revelou uma proposta de paz de 15 pontos, adiando ataques planejados a usinas de energia iranianas.
Em resposta, o Irã sinalizou uma reabertura limitada do Estreito de Hormuz a embarcações não hostis. O Estreito de Hormuz transporta cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial. Quando o Irã passou a restringir o acesso após ataques aéreos dos EUA e de Israel em território iraniano, os preços do petróleo subiram bem acima de 100 dólares por barril, provocando vendas em economias dependentes de importações.
KOSPI da Coreia do Sul via Tradingview.
Os mercados asiáticos suportaram o impacto. O Japão importa cerca de 90% do seu petróleo do Oriente Médio, e a Coreia do Sul possui uma dependência energética semelhante. À medida que essas preocupações diminuíram e os preços do petróleo recuaram acentuadamente, os investidores rotacionaram para ações que haviam sido mais afetadas. No Japão, a compra foi generalizada, com ações sensíveis à energia e exportadoras liderando.
Em Hong Kong, os investidores migraram para nomes de tecnologia e finanças subvalorizados, apostando que fluxos comerciais estabilizados apoiariam os lucros. Na Coreia do Sul, Samsung Electronics e SK Hynix contribuíram para a recuperação do KOSPI, com expectativas de custos de entrada mais baixos e fluxos estrangeiros renovados compensando saídas anteriores ligadas ao medo de estagflação impulsionada pelo petróleo.
As ações nos EUA e os mercados europeus refletiram um alívio semelhante, embora os analistas tenham observado que o conflito permanece sem resolução. Quando Wall Street abriu, o Nasdaq Composite subiu 264,88 pontos, para 22.026,78, enquanto o Dow Jones Industrial Average acrescentou 337,60 pontos, atingindo 46.461,66. O S&P 500 ganhou 51,49 pontos, chegando a 6.607,86, e o NYSE Composite subiu 129,86 pontos, para 22.101,16, pouco antes das 11h, horário da costa leste, na quarta-feira.
O Nasdaq Composite em 25 de março de 2026.
A alta generalizada refletiu o mesmo alívio geopolítico que impulsionou os mercados asiáticos, com investidores precificando a redução do risco de fornecimento de energia à medida que as negociações entre EUA e Irã avançavam e as tensões no Estreito de Hormuz diminuíam. Qualquer falha nas negociações EUA-Irã poderia reverter as quedas nos preços do petróleo e fazer os mercados recuarem novamente.
As negociações de março anteriores demonstraram quão rapidamente o sentimento pode mudar — sessões com oscilações de dois dígitos percentuais em qualquer direção não eram incomuns. Os investidores que acompanham a recuperação também observam se os custos mais baixos de energia se traduzem em alívio tangível nos dados de inflação que se aproximam do segundo trimestre, e que flexibilidade isso pode oferecer aos bancos centrais, incluindo o Federal Reserve e o Banco do Japão.
As últimas sessões de negociação de ações ilustram como o desempenho das ações asiáticas está estreitamente ligado à estabilidade do abastecimento no Oriente Médio, uma condição estrutural que não mudou, mesmo com a ameaça imediata tendo diminuído.