A Franklin Templeton, com uma gestão de ativos de 1,7 triliões de dólares, anunciou uma parceria com a Ondo Finance para tokenizar seus produtos de ETF e investimentos tradicionais, oferecendo-os aos usuários na blockchain. Esta colaboração marca um marco importante na integração profunda entre instituições financeiras tradicionais e infraestrutura de criptomoedas.
Estrutura: SPV detém o ETF, tokens rastreiam o valor do ativo subjacente
A plataforma principal da parceria é a Ondo Global Markets — um mercado de tokenização na blockchain lançado pela Ondo Finance em setembro de 2025. Funciona assim: a Ondo cria uma entidade de propósito específico (SPV) para adquirir o ETF da Franklin, que então emite tokens na blockchain que rastreiam o valor do ativo subjacente. Os detentores podem armazenar esses tokens em carteiras digitais, sem precisar abrir uma conta em corretora tradicional, obtendo exposição econômica ao ETF.
Atualmente, o TVL (valor total bloqueado) na Ondo Global Markets ultrapassa US$ 620 milhões, com um volume de negociações superior a US$ 12 bilhões e mais de 60 mil usuários. A principal demanda vem de usuários nativos de criptomoedas que desejam acessar mercados tradicionais, mas enfrentam limitações por questões de abertura de contas internacionais, custos de câmbio ou restrições de horário de negociação.
Analista de ETF: tokenização é mecanismo de distribuição do ETF, não ameaça
Eric Balchunas, analista sênior de ETF da Bloomberg, afirmou que a tokenização não representa uma ameaça competitiva ao ETF, mas sim um novo mecanismo de distribuição — permitindo que usuários na blockchain também desfrutem dos benefícios de investimentos passivos em índices com baixo custo. Os mercados tradicionais são limitados por horários de funcionamento e intermediários, enquanto o sistema blockchain opera 24 horas por dia, permitindo a posse direta de ativos via carteira digital.
Grandes gestoras de ativos competem por espaço, regulamentação ainda indefinida
Esta parceria acompanha os movimentos de gestoras como BlackRock na tokenização de fundos, indicando que as principais instituições estão ativamente testando canais de distribuição baseados em blockchain. Ambas as empresas planejam lançar cursos educativos para ajudar usuários nativos de criptomoedas a entender estratégias de investimento de longo prazo.
No entanto, o quadro regulatório para valores mobiliários tokenizados ainda está incompleto. Quando os tokens circulam entre carteiras sem passar por corretoras, as autoridades regulatórias de diferentes países ainda não definiram claramente sua posição legal — um fator decisivo para a adoção em larga escala de ativos tokenizados. Larry Fink, CEO da BlackRock, recentemente afirmou que a tokenização pode tornar os investimentos tão simples quanto pagamentos, mas a velocidade da regulamentação determinará se essa visão se concretizará em curto prazo.
Este artigo, Franklin aposta US$ 1,7 trilhão em gestão de ativos na parceria com Ondo: lançamento de ETF tokenizado e chegada de uma era de negociações 24 horas na blockchain, foi originalmente publicado na Chain News ABMedia.