O verdadeiro risco não está na Reserva Federal, está no Japão 🇯🇵
Nos últimos 2 meses, as yields das obrigações japonesas dispararam em toda a linha: o juro a 10 anos subiu 20%, aproximando-se do máximo dos últimos 17 anos, e o juro a 30 anos atingiu um novo máximo histórico.
Para um país que manteve taxas de juro a 0 durante quase 20 anos, isto não é volatilidade, é o reinício da era das taxas de juro.
🚩 Porque é que o mundo inteiro teme uma subida de juros no Japão?
Lembram-se de julho do ano passado — o Japão só subiu ligeiramente os juros (0,1-0,25), e as bolsas dos EUA, bitcoin e mercados asiáticos caíram em bloco. Desta vez, o Japão não parece apenas levantar o pé, mas sim “levantar-se e começar a andar”.
Então, porque é que o Japão tem mesmo de subir os juros?
Porque, após 30 anos de estagnação, a economia japonesa acordou de verdade: o IPC core mantém-se acima dos 2% há vários anos, e o crescimento dos salários atingiu o valor mais alto dos últimos 30 anos.
Mas as taxas de juro baixas de longa duração estão agora a prejudicar os ganhos económicos: desvalorização do iene, disparo dos custos de importação, aumento do IPC, e os aumentos salariais estão a ser anulados. Para proteger esta recuperação económica difícil, o Japão só pode subir os juros, só pode normalizar a política.
O que é que isto significa? Significa que o “pool de liquidez mais barato” que suportou o crescimento global nos últimos anos — as taxas zero do Japão — vai fechar a torneira.
Aqui está o cerne do risco: milhares de milhares de milhões de dólares em operações de carry trade com iene estão a ser encurralados.
A lógica do carry trade é simples:
Pedir ienes a baixo custo no Japão → trocar por dólares → comprar obrigações dos EUA, ações dos EUA, bitcoin, imobiliário
Desde que o iene não se valorize, é lucro garantido.
Mas, assim que o Japão sobe os juros e o iene se fortalece, esta cadeia inverte-se de imediato:
O dinheiro emprestado fica mais caro → os ativos em carteira desvalorizam em ienes → é preciso vender para cobrir posições → corrida global à saída Isto não é especulação — já aconteceu de facto no passado.
⛑️ Porque é que desta vez o risco é maior?
As yields das obrigações japonesas já não conseguem ser controladas. As yields são determinadas pelo mercado, têm efeito de antecipação e obrigam o banco central a subir os juros.
O Banco do Japão tornou-se mais hawkish e está a fazer um “stress test” antecipado ao mercado.
O mercado começou a precificar um “ciclo de subida de juros no Japão”, não é uma medida única.
O ritmo está desalinhado com a Fed, tornando a direção dos capitais ainda mais incerta, criando uma espiral negativa.
Além disso, nos últimos tempos, ativos como bitcoin, ações norte-americanas e ouro já reagiram de forma excessiva à política macroeconómica.
Aquela “super cadeia de financiamento ultrabarato” de que o mundo dependeu durante mais de uma década está a inverter-se. O impacto vai propagar-se das ações dos EUA → cripto → mercados asiáticos → preços dos ativos globais, com efeito de contágio.
Por isso, está na altura de desviarmos a atenção da Fed para o Japão, preparar-nos para eventuais ruturas nas cadeias de ativos, e perceber que ainda não é tempo de investir tudo. Além disso, em qualquer altura, use sempre stop loss.
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O verdadeiro risco não está na Reserva Federal, está no Japão 🇯🇵
Nos últimos 2 meses, as yields das obrigações japonesas dispararam em toda a linha: o juro a 10 anos subiu 20%, aproximando-se do máximo dos últimos 17 anos, e o juro a 30 anos atingiu um novo máximo histórico.
Para um país que manteve taxas de juro a 0 durante quase 20 anos, isto não é volatilidade, é o reinício da era das taxas de juro.
🚩 Porque é que o mundo inteiro teme uma subida de juros no Japão?
Lembram-se de julho do ano passado — o Japão só subiu ligeiramente os juros (0,1-0,25), e as bolsas dos EUA, bitcoin e mercados asiáticos caíram em bloco. Desta vez, o Japão não parece apenas levantar o pé, mas sim “levantar-se e começar a andar”.
Então, porque é que o Japão tem mesmo de subir os juros?
Porque, após 30 anos de estagnação, a economia japonesa acordou de verdade: o IPC core mantém-se acima dos 2% há vários anos, e o crescimento dos salários atingiu o valor mais alto dos últimos 30 anos.
Mas as taxas de juro baixas de longa duração estão agora a prejudicar os ganhos económicos: desvalorização do iene, disparo dos custos de importação, aumento do IPC, e os aumentos salariais estão a ser anulados. Para proteger esta recuperação económica difícil, o Japão só pode subir os juros, só pode normalizar a política.
O que é que isto significa? Significa que o “pool de liquidez mais barato” que suportou o crescimento global nos últimos anos — as taxas zero do Japão — vai fechar a torneira.
Aqui está o cerne do risco: milhares de milhares de milhões de dólares em operações de carry trade com iene estão a ser encurralados.
A lógica do carry trade é simples:
Pedir ienes a baixo custo no Japão → trocar por dólares → comprar obrigações dos EUA, ações dos EUA, bitcoin, imobiliário
Desde que o iene não se valorize, é lucro garantido.
Mas, assim que o Japão sobe os juros e o iene se fortalece, esta cadeia inverte-se de imediato:
O dinheiro emprestado fica mais caro → os ativos em carteira desvalorizam em ienes → é preciso vender para cobrir posições → corrida global à saída
Isto não é especulação — já aconteceu de facto no passado.
⛑️ Porque é que desta vez o risco é maior?
As yields das obrigações japonesas já não conseguem ser controladas. As yields são determinadas pelo mercado, têm efeito de antecipação e obrigam o banco central a subir os juros.
O Banco do Japão tornou-se mais hawkish e está a fazer um “stress test” antecipado ao mercado.
O mercado começou a precificar um “ciclo de subida de juros no Japão”, não é uma medida única.
O ritmo está desalinhado com a Fed, tornando a direção dos capitais ainda mais incerta, criando uma espiral negativa.
Além disso, nos últimos tempos, ativos como bitcoin, ações norte-americanas e ouro já reagiram de forma excessiva à política macroeconómica.
Aquela “super cadeia de financiamento ultrabarato” de que o mundo dependeu durante mais de uma década está a inverter-se.
O impacto vai propagar-se das ações dos EUA → cripto → mercados asiáticos → preços dos ativos globais, com efeito de contágio.
Por isso, está na altura de desviarmos a atenção da Fed para o Japão, preparar-nos para eventuais ruturas nas cadeias de ativos, e perceber que ainda não é tempo de investir tudo. Além disso, em qualquer altura, use sempre stop loss.