Dinâmicas Globais de Oferta de Café Moldam a Direção do Mercado em Meio a Mudanças na Produção Regional

O mercado de futuros de café apresentou desempenho misto esta semana, com contratos de arábica a recuarem enquanto o robusta registou ganhos modestos. No entanto, a narrativa subjacente centra-se numa reavaliação fundamental dos equilíbrios globais de oferta e procura que provavelmente persistirá durante as próximas temporadas.

Pressões regionais de produção criam suporte de preços

As recentes inundações na Indonésia emergiram como uma restrição crítica de oferta para os mercados de arábica. A inundação comprometeu aproximadamente um terço das áreas de cultivo de café arábica no norte de Sumatra, com fontes da indústria a projetarem uma redução potencial de 15% nos volumes de exportação de café da Indonésia para a temporada de 2025-26. Como o terceiro maior produtor mundial de robusta, as perturbações na oferta da Indonésia estendem-se além das variedades de arábica, embora as colheitas de robusta tenham sofrido danos climáticos menos severos.

O Brasil, maior fornecedor de arábica do mundo, apresenta um quadro mais complexo. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA divulgou projeções que prevêem uma queda de 3,1% na produção de café do Brasil em 2025-26, para 63 milhões de sacos. Por outro lado, a Conab, autoridade de previsão doméstica do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção em 2,4% no início de dezembro, sinalizando incerteza nos cálculos de rendimento. Os padrões recentes de precipitação em Minas Gerais, principal região de cultivo de arábica do país, proporcionaram algum alívio, com as chuvas a atingirem 76% das normas históricas durante meados de dezembro.

Surto de produção no Vietname pressiona mercados de robusta

O Vietname, que domina os fornecimentos mundiais de café robusta, continua a expandir a produção a um ritmo preocupante para os touros de preço. As exportações de café de novembro aumentaram 39% em relação ao ano anterior, atingindo 88.000 toneladas métricas, enquanto os embarques acumulados de janeiro a novembro subiram 14,8%, para 1,398 milhões de toneladas métricas. A Associação de Café e Cacau do Vietname projeta que a produção de 2025-26 atingirá 30,8 milhões de sacos, representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior e um pico de quatro anos.

Esta expansão contradiz diretamente as narrativas de suporte de preços. O aumento projetado de 10% na produção assume que condições climáticas favoráveis persistirão, o que sistematicamente pressionaria a avaliação do robusta e criaria obstáculos para cotações de café frio e derivados de commodities relacionados.

Dinâmica de inventário e mecânica de mercado

Os estoques de arábica monitorizados pela ICE variaram consideravelmente esta semana, caindo para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em novembro antes de se recuperarem para 456.477 sacos até meados da semana. Os inventários de robusta também colapsaram para um mínimo de 11,5 meses de 4.012 lotes antes de se estabilizarem perto de 4.278 lotes.

Os padrões de importação americanos mudaram significativamente após alterações na política tarifária. Durante o período de agosto a outubro, quando tarifas elevadas foram aplicadas, as compras de café brasileiro pelos EUA caíram 52% em relação ao trimestre do ano anterior, totalizando apenas 983.970 sacos. Embora as reduções tarifárias tenham sido implementadas desde então, os estoques de café nos EUA permanecem estruturalmente restritos, sugerindo que uma recuperação sustentada da procura poderia impactar materialmente os preços.

Avaliação de oferta futura

A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais para o ano de comercialização atual (Outubro-Setembro) diminuíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, indicando um aperto logístico apesar das preocupações com a abundância de produção.

No entanto, a previsão de produção abrangente do USDA sugere que a expansão de oferta a longo prazo provavelmente dominará a dinâmica de preços. A produção global de café de 2025-26 está projetada para atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um crescimento de 2,0%. Isso mascara tendências divergentes: a produção de arábica deve contrair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta aumenta 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. As stocks finais do ano terminal devem comprimir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, potencialmente apoiando os preços de forma modesta.

Perspetiva de mercado

Os mercados de café enfrentam pressões concorrentes — perturbações na oferta na Indonésia e fragmentação da procura relacionada com tarifas favorecem os touros, enquanto o surto de produção no Vietname e as previsões expandidas do Brasil apoiam uma perspetiva de médio prazo mais bearish. A descoberta de preços dependerá, em última análise, de se os desenvolvimentos climáticos regionais se materializarem conforme esperado e se os padrões de procura continuarem a ajustar-se a ambientes tarifários normalizados.

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