Março Arabica e Robusta Disparam com Crescente Preocupação com a Colheita
O mercado de café incendiou-se na segunda-feira, com contratos futuros de arabica de março subindo +1,90 pontos (+0,54%) e de robusta de março subindo +26 pontos (+0,67%), atingindo máximas de 1,5 semanas. A valorização reflete uma crescente ansiedade nos principais regiões produtoras globais—particularmente no Brasil em março, onde os padrões climáticos estão a gerar novas preocupações sobre a colheita de 2025.
Brasil Enfrenta Crise de Umidade com Queda nas Chuvas
O problema começou no coração do Brasil. Minas Gerais, a maior região produtora de arabica do país, registou uma precipitação de apenas 11,1 mm na semana encerrada em 26 de dezembro—17% abaixo da média histórica. Este estresse de seca ocorre numa fase crítica de crescimento e está a alterar as expectativas de preços para a próxima temporada.
As condições de março no Brasil normalmente definem o tom para todo o ano de comercialização, e o déficit atual tem os traders em alerta. A pressão, contudo, não se limita às fronteiras do Brasil.
Crise de Inundações na Indonésia Agrava Preocupações com o Abastecimento Global
Do outro lado do mundo, a Indonésia enfrenta uma crise diferente: inundações devastadoras. A Associação de Exportadores e Indústria de Café da Indonésia alertou que as inundações podem reduzir as exportações de café do país em até 15% em 2025-26. As fazendas de arabica no norte de Sumatra foram as mais afetadas—cerca de um terço delas nas últimas semanas—embora as plantações de robusta tenham mostrado maior resiliência. Como terceiro maior produtor mundial de robusta, as dificuldades da Indonésia reverberam nos mercados globais.
Escassez de Inventários Aumenta o Impulso da Valorização
Os inventários nas bolsas contam uma história de suporte. Os estoques de arabica na ICE atingiram uma baixa de 1,75 anos, com 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperando-se um pouco para 456.477 sacos—ainda assim, apertados pelos padrões recentes. Os estoques de robusta caíram para mínimos de 1 ano, com 4.012 lotes, antes de subir para 4.278 lotes, sinalizando uma pressão persistente de oferta.
A dinâmica dos estoques nos EUA acrescenta outra camada. Os compradores americanos de café tinham, em grande parte, abandonado as compras brasileiras durante 2024 devido às tarifas, com as importações dos EUA do Brasil caindo 52% de agosto a outubro. Mesmo após a redução das tarifas, os estoques de café nos EUA permanecem escassos, limitando o poder de compra dos compradores.
Boom no Vietname Ameaça um Piso de Preço
A contração de baixa vem do Vietname, o maior produtor mundial de robusta. As exportações de café vietnamitas aumentaram 39% ano a ano, atingindo 88.000 MT em novembro. De janeiro a novembro, as exportações subiram 14,8%, para 1,398 milhões de MT. A produção de café do Vietname em 2025-26 está projetada para subir 6%, atingindo 1,76 milhões de MT (29,4 milhões de sacos)—máximo de 4 anos—com a Associação de Café e Cacau do Vietname sugerindo que a produção poderia ser 10% maior se o clima colaborar.
Este influxo de robusta vietnamita limita o potencial de alta, especialmente para o arabica mais fraco.
Previsões de Produção Global Apresentam Quadro Misto
A Organização Internacional do Café informou em 7 de novembro que as exportações globais de café caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo alguma fraqueza. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma visão diferente em 18 de dezembro, projetando que a produção mundial de café aumentará 2,0% em 2025-26, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos.
A divisão é reveladora: a produção de arabica deve cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A produção do Brasil deve diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietname deve saltar 6,2%, para 30,8 milhões de sacos.
Apesar dessas grandes colheitas globais, os estoques finais devem diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior.
O Veredicto: Múltiplos Ventos Contrários Mantêm o Café Elevado
Os preços do café estão presos entre correntes conflitantes. A seca no Brasil em março e as inundações na Indonésia criam ansiedade de oferta a curto prazo. Os estoques de bolsas historicamente baixos oferecem suporte aos preços. Ainda assim, ganhos massivos esperados na produção de robusta vietnamita e global ameaçam limitar as altas à medida que a temporada avança.
Por ora, choques de oferta impulsionados pelo clima estão a prevalecer, mas a força sustentada dos preços dependerá de a seca persistir no Brasil e se as inundações na Indonésia atrasarem os embarques de café para o novo ano de comercialização.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
A Corrida do Café Intensifica-se à Medida que Múltiplos Choques de Oferta Afetam os Mercados Globais
Março Arabica e Robusta Disparam com Crescente Preocupação com a Colheita
O mercado de café incendiou-se na segunda-feira, com contratos futuros de arabica de março subindo +1,90 pontos (+0,54%) e de robusta de março subindo +26 pontos (+0,67%), atingindo máximas de 1,5 semanas. A valorização reflete uma crescente ansiedade nos principais regiões produtoras globais—particularmente no Brasil em março, onde os padrões climáticos estão a gerar novas preocupações sobre a colheita de 2025.
Brasil Enfrenta Crise de Umidade com Queda nas Chuvas
O problema começou no coração do Brasil. Minas Gerais, a maior região produtora de arabica do país, registou uma precipitação de apenas 11,1 mm na semana encerrada em 26 de dezembro—17% abaixo da média histórica. Este estresse de seca ocorre numa fase crítica de crescimento e está a alterar as expectativas de preços para a próxima temporada.
As condições de março no Brasil normalmente definem o tom para todo o ano de comercialização, e o déficit atual tem os traders em alerta. A pressão, contudo, não se limita às fronteiras do Brasil.
Crise de Inundações na Indonésia Agrava Preocupações com o Abastecimento Global
Do outro lado do mundo, a Indonésia enfrenta uma crise diferente: inundações devastadoras. A Associação de Exportadores e Indústria de Café da Indonésia alertou que as inundações podem reduzir as exportações de café do país em até 15% em 2025-26. As fazendas de arabica no norte de Sumatra foram as mais afetadas—cerca de um terço delas nas últimas semanas—embora as plantações de robusta tenham mostrado maior resiliência. Como terceiro maior produtor mundial de robusta, as dificuldades da Indonésia reverberam nos mercados globais.
Escassez de Inventários Aumenta o Impulso da Valorização
Os inventários nas bolsas contam uma história de suporte. Os estoques de arabica na ICE atingiram uma baixa de 1,75 anos, com 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperando-se um pouco para 456.477 sacos—ainda assim, apertados pelos padrões recentes. Os estoques de robusta caíram para mínimos de 1 ano, com 4.012 lotes, antes de subir para 4.278 lotes, sinalizando uma pressão persistente de oferta.
A dinâmica dos estoques nos EUA acrescenta outra camada. Os compradores americanos de café tinham, em grande parte, abandonado as compras brasileiras durante 2024 devido às tarifas, com as importações dos EUA do Brasil caindo 52% de agosto a outubro. Mesmo após a redução das tarifas, os estoques de café nos EUA permanecem escassos, limitando o poder de compra dos compradores.
Boom no Vietname Ameaça um Piso de Preço
A contração de baixa vem do Vietname, o maior produtor mundial de robusta. As exportações de café vietnamitas aumentaram 39% ano a ano, atingindo 88.000 MT em novembro. De janeiro a novembro, as exportações subiram 14,8%, para 1,398 milhões de MT. A produção de café do Vietname em 2025-26 está projetada para subir 6%, atingindo 1,76 milhões de MT (29,4 milhões de sacos)—máximo de 4 anos—com a Associação de Café e Cacau do Vietname sugerindo que a produção poderia ser 10% maior se o clima colaborar.
Este influxo de robusta vietnamita limita o potencial de alta, especialmente para o arabica mais fraco.
Previsões de Produção Global Apresentam Quadro Misto
A Organização Internacional do Café informou em 7 de novembro que as exportações globais de café caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo alguma fraqueza. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma visão diferente em 18 de dezembro, projetando que a produção mundial de café aumentará 2,0% em 2025-26, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos.
A divisão é reveladora: a produção de arabica deve cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A produção do Brasil deve diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietname deve saltar 6,2%, para 30,8 milhões de sacos.
Apesar dessas grandes colheitas globais, os estoques finais devem diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior.
O Veredicto: Múltiplos Ventos Contrários Mantêm o Café Elevado
Os preços do café estão presos entre correntes conflitantes. A seca no Brasil em março e as inundações na Indonésia criam ansiedade de oferta a curto prazo. Os estoques de bolsas historicamente baixos oferecem suporte aos preços. Ainda assim, ganhos massivos esperados na produção de robusta vietnamita e global ameaçam limitar as altas à medida que a temporada avança.
Por ora, choques de oferta impulsionados pelo clima estão a prevalecer, mas a força sustentada dos preços dependerá de a seca persistir no Brasil e se as inundações na Indonésia atrasarem os embarques de café para o novo ano de comercialização.