No mercado financeiro, ouvimos frequentemente termos como “S&P 500” ou “índice Dow Jones”, que acompanham o performance de um conjunto de ações. Mas você sabia que existe outro índice igualmente importante, que não acompanha ações, mas sim a variação do valor da moeda mais forte do mundo — e é isso que é o Índice do Dólar (USDX ou DXY).
Definição simples: o índice do dólar mede a força do dólar em relação a seis principais moedas internacionais. Essas moedas são o euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.
Imagine o índice do dólar como um “termômetro” do mercado financeiro global. Como o dólar é a principal moeda de liquidação nas transações mundiais, seja petróleo, ouro, commodities ou investimentos transnacionais, a variação do índice nos informa sobre o fluxo global de capitais e o sentimento do mercado.
Quais moedas compõem o índice do dólar? Como é a distribuição de peso?
O índice do dólar inclui seis moedas, mas os países que representam essas moedas vão muito além de seis. A zona do euro, por exemplo, tem 19 países usando o euro, além de outros cinco países com suas moedas, totalizando mais de 24 economias desenvolvidas.
O peso de cada moeda não é distribuído igualmente, mas calculado com base na economia, volume de transações e influência da moeda usando uma média ponderada geométrica:
Moeda
Peso (%)
Euro (EUR)
57,6%
Iene (JPY)
13,6%
Libra Esterlina (GBP)
11,9%
Dólar Canadense (CAD)
9,1%
Coroa Sueca (SEK)
4,2%
Franco Suíço (CHF)
3,6%
O euro representa mais da metade do índice, pois a economia europeia é enorme, sendo a segunda maior moeda internacional após o dólar. Isso significa que, quando o euro oscila, o impacto no índice do dólar é bastante significativo. O iene fica em segundo lugar, principalmente porque o Japão é a terceira maior economia do mundo, e o iene, por sua baixa taxa de juros e alta liquidez, é frequentemente usado como ativo de proteção.
O que significa um índice do dólar mais alto? Como a força do dólar afeta os investimentos?
Quanto mais alto o índice do dólar: ciclo de valorização do dólar em andamento
Quando o índice do dólar sobe, isso indica que o dólar está mais forte em relação às outras moedas principais. Nesse período, as seguintes situações tendem a acontecer:
Vantagens para os EUA:
Preços de importados caem, aumentando o poder de compra dos consumidores americanos
Capital global entra em ativos denominados em dólar, elevando os preços das ações e títulos americanos
A economia dos EUA mostra maior dinamismo, com perspectivas de lucros corporativos mais otimistas
Desafios para outros países:
Economias exportadoras (como Taiwan) perdem competitividade, pois seus produtos ficam mais caros no mercado internacional
Países emergentes com dívidas em dólar enfrentam maior pressão para pagar seus empréstimos
Capital sai da Ásia e de mercados emergentes, migrando para os EUA
Quando o índice do dólar cai: oportunidade com a desvalorização do dólar
Por outro lado, quando o índice do dólar cai, isso indica que o dólar está perdendo força no cenário internacional. Nesse momento:
Capital busca outros investimentos, como ações na Ásia e mercados emergentes
Economias orientadas para exportação se beneficiam, pois seus produtos ficam mais competitivos
Investidores com ativos em dólar enfrentam risco de “perda cambial” — a desvalorização do dólar significa que o valor ao trocar de volta para a moeda local diminui
Como é calculado o índice do dólar?
O índice do dólar é calculado por uma média geométrica ponderada, usando a seguinte fórmula:
O “50.14348112” é uma constante fixa que padroniza o índice para o nível de 1985, que é considerado 100. Os termos entre parênteses representam as taxas de câmbio do dólar com as outras moedas, elevadas às suas respectivas proporções de peso.
O ponto principal é: o índice do dólar não é uma taxa de câmbio específica, mas um índice relativo. Ele reflete a força do dólar em relação às seis moedas desde o período base.
Índice = 100: nível de referência, sem valorização ou depreciação
Índice < 100 (exemplo 76): queda de 24%, dólar mais fraco
Índice > 100 (exemplo 176): alta de 76%, dólar mais forte
Resumindo: quanto mais alto o índice, mais forte o dólar; quanto mais baixo, mais fraco.
Relação entre o índice do dólar e os ativos globais
Relação com as ações americanas
A relação entre ações dos EUA e o dólar não é fixa, podendo variar entre correlação positiva ou negativa, dependendo do cenário:
Quando o dólar sobe e a economia está forte, há fluxo de capital para os EUA, elevando tanto o índice quanto as ações
Se o dólar sobe demais, pode prejudicar as exportadoras americanas, puxando o mercado para baixo
Por exemplo, em março de 2020, no início da pandemia, as ações globais despencaram, mas o índice do dólar disparou para 103 devido à busca por segurança. Depois, com a crise agravando-se e o Fed adotando medidas de estímulo, o dólar enfraqueceu para 93,78. Isso mostra que a relação entre ações e dólar deve ser avaliada considerando o contexto econômico e político atual.
Relação com o ouro — a “balança de pratos”
O ouro e o dólar têm uma relação clássica de correlação negativa:
Dólar mais forte → preço do ouro em dólares sobe, mas o custo de manter ouro aumenta → preço do ouro cai
Dólar mais fraco → custo de compra do ouro diminui, elevando seu preço
Isso ocorre porque o ouro é cotado em dólares, então, quanto mais forte o dólar, maior o custo de manter ouro. Outros fatores, como inflação, geopolítica e preço do petróleo, também influenciam, mas a força do dólar é sempre uma variável importante.
Impacto no mercado de Taiwan e na moeda taiwanesa
Quando o dólar sobe, geralmente há pressão negativa sobre o mercado de Taiwan:
Capital sai para os EUA, vendendo ações locais
A moeda taiwanesa tende a se desvalorizar
Custos de importação aumentam, prejudicando exportadores
Na fase de dólar fraco, o cenário costuma ser favorável:
Capital entra na Ásia, impulsionando o mercado de Taiwan
A moeda pode se valorizar, tornando importações mais baratas
Investidores em ações e títulos americanos, ao converterem para NT$, podem ver seu valor diminuir
Porém, essas relações não são regras fixas. Em momentos de otimismo global, ações e dólar podem subir juntos; em crises, todos podem cair simultaneamente.
O que impulsiona as oscilações do índice do dólar?
Política de juros do Federal Reserve
Esse é o fator mais direto de influência.
Aumentar as taxas → juros mais altos nos EUA → fluxo de capital para ativos em dólar → dólar se valoriza → índice sobe
Reduzir as taxas → saída de capital → dólar enfraquece → índice cai
Cada anúncio do Fed é acompanhado de grande atenção, pois sua decisão impacta imediatamente o índice do dólar.
Fundamentais da economia americana
Dados como emprego, inflação (CPI), crescimento do PIB refletem a saúde econômica dos EUA:
Dados positivos → confiança do mercado aumenta → dólar se valoriza
Dados ruins → preocupação dos investidores → dólar enfraquece
Geopolítica e sentimento de risco
Guerras, instabilidade política e conflitos regionais geram demanda por ativos de refúgio. Nesses períodos, o dólar, por sua posição de reserva mundial, costuma se valorizar, reforçando a ideia de que “quanto mais instável, mais forte o dólar”.
Desempenho de outras moedas principais
Como o índice do dólar é relativo, quando o euro, iene ou outras moedas principais se desvalorizam por motivos econômicos ou políticos, o índice do dólar pode subir mesmo sem o dólar se valorizar. Ou seja, a depreciação de outras moedas também eleva o índice do dólar.
Índice do dólar vs Índice de Comércio Ponderado do Dólar: qual é mais importante?
Ao analisar a força do dólar, é comum confundir esses dois indicadores. Qual a diferença?
Índice do Dólar (DXY):
Mais conhecido, mais divulgado na mídia
Baseado na taxa de câmbio do dólar com seis principais moedas
Calculado pela ICE (Intercontinental Exchange)
Com peso maior no euro, com uma visão claramente euro-americana
Índice de Comércio Ponderado do Dólar:
Referência oficial do Federal Reserve
Pondera as moedas com base nos principais parceiros comerciais dos EUA
Inclui mais de 20 moedas, como yuan, dólar de Taiwan, won sul-coreano, baht tailandês, entre outros
Reflete de forma mais precisa as trocas comerciais reais e o cenário global
Resumindo: o índice do dólar é uma ferramenta rápida para avaliar o sentimento do mercado; o índice de comércio ponderado é uma referência mais profunda para decisões do Fed e análises macroeconômicas. Para investidores comuns, o DXY costuma ser suficiente; para traders de câmbio ou análises de política do Fed, o índice de comércio oferece insights mais detalhados.
O que investidores devem saber: aplicações práticas do índice do dólar
Compreender o que um índice do dólar alto representa ajuda você a:
Interpretar fluxos de capital: alta do índice indica possível retorno de capitais para os EUA
Ajustar a carteira: em períodos de dólar forte, reduzir exposição a mercados emergentes e aumentar ativos em dólar
Aproveitar oportunidades cambiais: traders podem prever tendências de câmbio com base no índice
Avaliar empresas de importação/exportação: dólar forte desafia exportadores; dólar fraco cria oportunidades
Seja investidor de longo prazo ou trader, acompanhar as oscilações do índice do dólar é essencial para entender a dinâmica do mercado financeiro global. Esse indicador funciona como uma “bússola” do fluxo de capitais, ajudando a identificar riscos e oportunidades com maior precisão.
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O que significa quanto mais alto o índice do dólar? Técnicas essenciais para investidores interpretarem os fluxos globais de capital
O que é realmente o índice do dólar?
No mercado financeiro, ouvimos frequentemente termos como “S&P 500” ou “índice Dow Jones”, que acompanham o performance de um conjunto de ações. Mas você sabia que existe outro índice igualmente importante, que não acompanha ações, mas sim a variação do valor da moeda mais forte do mundo — e é isso que é o Índice do Dólar (USDX ou DXY).
Definição simples: o índice do dólar mede a força do dólar em relação a seis principais moedas internacionais. Essas moedas são o euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.
Imagine o índice do dólar como um “termômetro” do mercado financeiro global. Como o dólar é a principal moeda de liquidação nas transações mundiais, seja petróleo, ouro, commodities ou investimentos transnacionais, a variação do índice nos informa sobre o fluxo global de capitais e o sentimento do mercado.
Quais moedas compõem o índice do dólar? Como é a distribuição de peso?
O índice do dólar inclui seis moedas, mas os países que representam essas moedas vão muito além de seis. A zona do euro, por exemplo, tem 19 países usando o euro, além de outros cinco países com suas moedas, totalizando mais de 24 economias desenvolvidas.
O peso de cada moeda não é distribuído igualmente, mas calculado com base na economia, volume de transações e influência da moeda usando uma média ponderada geométrica:
O euro representa mais da metade do índice, pois a economia europeia é enorme, sendo a segunda maior moeda internacional após o dólar. Isso significa que, quando o euro oscila, o impacto no índice do dólar é bastante significativo. O iene fica em segundo lugar, principalmente porque o Japão é a terceira maior economia do mundo, e o iene, por sua baixa taxa de juros e alta liquidez, é frequentemente usado como ativo de proteção.
O que significa um índice do dólar mais alto? Como a força do dólar afeta os investimentos?
Quanto mais alto o índice do dólar: ciclo de valorização do dólar em andamento
Quando o índice do dólar sobe, isso indica que o dólar está mais forte em relação às outras moedas principais. Nesse período, as seguintes situações tendem a acontecer:
Vantagens para os EUA:
Desafios para outros países:
Quando o índice do dólar cai: oportunidade com a desvalorização do dólar
Por outro lado, quando o índice do dólar cai, isso indica que o dólar está perdendo força no cenário internacional. Nesse momento:
Como é calculado o índice do dólar?
O índice do dólar é calculado por uma média geométrica ponderada, usando a seguinte fórmula:
Índice do Dólar = 50.14348112 × (USD/EUR)^(-0.576) × (USD/JPY)^(-0.136) × (USD/GBP)^(-0.119) × (USD/CAD)^(-0.091) × (USD/SEK)^(-0.042) × (USD/CHF)^(-0.036)
Como interpretar essa fórmula:
O “50.14348112” é uma constante fixa que padroniza o índice para o nível de 1985, que é considerado 100. Os termos entre parênteses representam as taxas de câmbio do dólar com as outras moedas, elevadas às suas respectivas proporções de peso.
O ponto principal é: o índice do dólar não é uma taxa de câmbio específica, mas um índice relativo. Ele reflete a força do dólar em relação às seis moedas desde o período base.
Resumindo: quanto mais alto o índice, mais forte o dólar; quanto mais baixo, mais fraco.
Relação entre o índice do dólar e os ativos globais
Relação com as ações americanas
A relação entre ações dos EUA e o dólar não é fixa, podendo variar entre correlação positiva ou negativa, dependendo do cenário:
Por exemplo, em março de 2020, no início da pandemia, as ações globais despencaram, mas o índice do dólar disparou para 103 devido à busca por segurança. Depois, com a crise agravando-se e o Fed adotando medidas de estímulo, o dólar enfraqueceu para 93,78. Isso mostra que a relação entre ações e dólar deve ser avaliada considerando o contexto econômico e político atual.
Relação com o ouro — a “balança de pratos”
O ouro e o dólar têm uma relação clássica de correlação negativa:
Isso ocorre porque o ouro é cotado em dólares, então, quanto mais forte o dólar, maior o custo de manter ouro. Outros fatores, como inflação, geopolítica e preço do petróleo, também influenciam, mas a força do dólar é sempre uma variável importante.
Impacto no mercado de Taiwan e na moeda taiwanesa
Quando o dólar sobe, geralmente há pressão negativa sobre o mercado de Taiwan:
Na fase de dólar fraco, o cenário costuma ser favorável:
Porém, essas relações não são regras fixas. Em momentos de otimismo global, ações e dólar podem subir juntos; em crises, todos podem cair simultaneamente.
O que impulsiona as oscilações do índice do dólar?
Política de juros do Federal Reserve
Esse é o fator mais direto de influência.
Aumentar as taxas → juros mais altos nos EUA → fluxo de capital para ativos em dólar → dólar se valoriza → índice sobe
Reduzir as taxas → saída de capital → dólar enfraquece → índice cai
Cada anúncio do Fed é acompanhado de grande atenção, pois sua decisão impacta imediatamente o índice do dólar.
Fundamentais da economia americana
Dados como emprego, inflação (CPI), crescimento do PIB refletem a saúde econômica dos EUA:
Geopolítica e sentimento de risco
Guerras, instabilidade política e conflitos regionais geram demanda por ativos de refúgio. Nesses períodos, o dólar, por sua posição de reserva mundial, costuma se valorizar, reforçando a ideia de que “quanto mais instável, mais forte o dólar”.
Desempenho de outras moedas principais
Como o índice do dólar é relativo, quando o euro, iene ou outras moedas principais se desvalorizam por motivos econômicos ou políticos, o índice do dólar pode subir mesmo sem o dólar se valorizar. Ou seja, a depreciação de outras moedas também eleva o índice do dólar.
Índice do dólar vs Índice de Comércio Ponderado do Dólar: qual é mais importante?
Ao analisar a força do dólar, é comum confundir esses dois indicadores. Qual a diferença?
Índice do Dólar (DXY):
Índice de Comércio Ponderado do Dólar:
Resumindo: o índice do dólar é uma ferramenta rápida para avaliar o sentimento do mercado; o índice de comércio ponderado é uma referência mais profunda para decisões do Fed e análises macroeconômicas. Para investidores comuns, o DXY costuma ser suficiente; para traders de câmbio ou análises de política do Fed, o índice de comércio oferece insights mais detalhados.
O que investidores devem saber: aplicações práticas do índice do dólar
Compreender o que um índice do dólar alto representa ajuda você a:
Seja investidor de longo prazo ou trader, acompanhar as oscilações do índice do dólar é essencial para entender a dinâmica do mercado financeiro global. Esse indicador funciona como uma “bússola” do fluxo de capitais, ajudando a identificar riscos e oportunidades com maior precisão.