Devido à apreciação do iene e à saída de capitais internacionais, o mercado de ativos digitais enfrenta uma fase difícil. Com o Bitcoin a ficar atrás do ouro, o movimento de retirada de investidores de ativos de risco em geral está a acelerar.
De final de janeiro até ao início de fevereiro, o stress nos mercados financeiros tem-se espalhado por toda a parte, especialmente com a pressão de saída de capitais do Japão a repercutir-se nos mercados globais. Ativos de risco como o Bitcoin estão a enfrentar uma mudança para ativos seguros com maior liquidez.
Aumento das taxas de juro no Japão como gatilho — fuga de capitais devido à resolução do carry trade em ienes
Logo após a declaração da ex-primeira-ministra Sanae Takaichi de que “tomará todas as medidas necessárias para responder a movimentos especulativos e extremamente anormais”, o iene subiu mais de 1,4% face ao dólar. Este comentário foi motivado pelo facto de o rendimento dos títulos do governo japonês a 10 anos ter atingido o nível mais alto em 27 anos.
A possibilidade de intervenção coordenada, sugerida pelo “Rate Check” do Federal Reserve Bank de Nova York, é interpretada pelos participantes do mercado como um sinal de saída de capitais. Os traders preveem que cerca de 5 biliões de dólares de investimentos estrangeiros serão retirados de risco, antecipando uma valorização do iene.
Investidores que lucraram com a crise subprime, como Michael Burry, alertam que o diferencial entre os rendimentos dos títulos do Japão e as taxas globais está a diminuir, indicando uma forte reentrada de capitais. De fato, o índice Nikkei 225 caiu 1,8%, enquanto os futuros do Nasdaq e do S&P 500 também sofreram pressões de venda.
Por que o ouro é preferido? A liquidez do Bitcoin pode estar a jogar contra
Surpreendentemente, o capital que saiu não foi direcionado para o Bitcoin, mas sim para o ouro. Os metais preciosos ultrapassaram pela primeira vez os 5.000 dólares por onça esta manhã, atualmente rondando os 5.090 dólares. Por outro lado, o Bitcoin caiu para 78.550 dólares (-5,18% nas últimas 24 horas) e o Ethereum para 2.410 dólares (-8,60%).
Segundo Greg Cipollaro, responsável de pesquisa global na NYDIG, este fenómeno sugere que as vantagens do Bitcoin podem estar a tornar-se uma desvantagem. “Durante períodos de stress e incerteza, a preferência por liquidez domina, e este movimento causa um impacto muito maior no Bitcoin do que no ouro”, explica.
A capacidade de realizar liquidez instantaneamente em 24 horas é normalmente uma força do Bitcoin. Contudo, em momentos de turbulência de mercado, essa mesma característica pode facilitar a venda, acelerando a fuga de capitais. Por outro lado, o ouro, com uma liquidez mais limitada, é valorizado pela sua estabilidade a longo prazo.
Indícios de fraqueza através de dados de blockchain
Dados on-chain também confirmam a fraqueza do mercado. Segundo análise da CryptoQuant, os antigos detentores de Bitcoin começaram a vender com prejuízo pela primeira vez desde outubro de 2023, um sinal importante de uma possível mudança de tendência de alta para baixa.
Enquanto o índice CoinDesk 20 caiu 1,54%, a dominância do Bitcoin diminuiu ligeiramente para 59,79%. A relação Ethereum/Bitcoin subiu 1,31%, para 0,03294, mas, no geral, o setor de criptomoedas apresenta um sentimento de fraqueza.
Resistências técnicas e perspectivas de curto prazo
Na análise técnica, o Bitcoin fechou abaixo de 88.000 dólares na semana, tendo sido apoiado pela recuperação na média móvel de 50 semanas, em torno de 96.700 dólares. Com resistências fortes nesta zona, prevê-se que, enquanto o preço não ultrapassar novamente os 88.000 dólares, ele se mantenha numa faixa de ajuste entre 80.000 e 88.000 dólares.
Depois, até que uma quebra mais ampla seja tentada, esta incerteza local deverá determinar a volatilidade de curto prazo.
Reunião do Federal Reserve e risco de shutdown do governo
Um ponto de atenção é a reunião do Federal Reserve desta semana. Com a manutenção das taxas de juro prevista, as orientações do presidente Jerome Powell podem ser decisivas para o mercado.
Além disso, o risco de shutdown do governo dos EUA também não pode ser ignorado. Estima-se que há uma probabilidade de 79% de paralisação do governo federal e 78% de shutdown no Congresso, fatores que aumentam a pressão sobre ativos de risco.
A desaceleração do Bitcoin em relação ao ouro não é apenas uma variação de preço, mas sugere uma mudança estrutural nos fluxos de capital do sistema financeiro global. É importante acompanhar os desenvolvimentos futuros.
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Bitcoin fica atrás do ouro — Criptomoedas recuam devido à valorização do iene e à saída de capitais
Devido à apreciação do iene e à saída de capitais internacionais, o mercado de ativos digitais enfrenta uma fase difícil. Com o Bitcoin a ficar atrás do ouro, o movimento de retirada de investidores de ativos de risco em geral está a acelerar.
De final de janeiro até ao início de fevereiro, o stress nos mercados financeiros tem-se espalhado por toda a parte, especialmente com a pressão de saída de capitais do Japão a repercutir-se nos mercados globais. Ativos de risco como o Bitcoin estão a enfrentar uma mudança para ativos seguros com maior liquidez.
Aumento das taxas de juro no Japão como gatilho — fuga de capitais devido à resolução do carry trade em ienes
Logo após a declaração da ex-primeira-ministra Sanae Takaichi de que “tomará todas as medidas necessárias para responder a movimentos especulativos e extremamente anormais”, o iene subiu mais de 1,4% face ao dólar. Este comentário foi motivado pelo facto de o rendimento dos títulos do governo japonês a 10 anos ter atingido o nível mais alto em 27 anos.
A possibilidade de intervenção coordenada, sugerida pelo “Rate Check” do Federal Reserve Bank de Nova York, é interpretada pelos participantes do mercado como um sinal de saída de capitais. Os traders preveem que cerca de 5 biliões de dólares de investimentos estrangeiros serão retirados de risco, antecipando uma valorização do iene.
Investidores que lucraram com a crise subprime, como Michael Burry, alertam que o diferencial entre os rendimentos dos títulos do Japão e as taxas globais está a diminuir, indicando uma forte reentrada de capitais. De fato, o índice Nikkei 225 caiu 1,8%, enquanto os futuros do Nasdaq e do S&P 500 também sofreram pressões de venda.
Por que o ouro é preferido? A liquidez do Bitcoin pode estar a jogar contra
Surpreendentemente, o capital que saiu não foi direcionado para o Bitcoin, mas sim para o ouro. Os metais preciosos ultrapassaram pela primeira vez os 5.000 dólares por onça esta manhã, atualmente rondando os 5.090 dólares. Por outro lado, o Bitcoin caiu para 78.550 dólares (-5,18% nas últimas 24 horas) e o Ethereum para 2.410 dólares (-8,60%).
Segundo Greg Cipollaro, responsável de pesquisa global na NYDIG, este fenómeno sugere que as vantagens do Bitcoin podem estar a tornar-se uma desvantagem. “Durante períodos de stress e incerteza, a preferência por liquidez domina, e este movimento causa um impacto muito maior no Bitcoin do que no ouro”, explica.
A capacidade de realizar liquidez instantaneamente em 24 horas é normalmente uma força do Bitcoin. Contudo, em momentos de turbulência de mercado, essa mesma característica pode facilitar a venda, acelerando a fuga de capitais. Por outro lado, o ouro, com uma liquidez mais limitada, é valorizado pela sua estabilidade a longo prazo.
Indícios de fraqueza através de dados de blockchain
Dados on-chain também confirmam a fraqueza do mercado. Segundo análise da CryptoQuant, os antigos detentores de Bitcoin começaram a vender com prejuízo pela primeira vez desde outubro de 2023, um sinal importante de uma possível mudança de tendência de alta para baixa.
Enquanto o índice CoinDesk 20 caiu 1,54%, a dominância do Bitcoin diminuiu ligeiramente para 59,79%. A relação Ethereum/Bitcoin subiu 1,31%, para 0,03294, mas, no geral, o setor de criptomoedas apresenta um sentimento de fraqueza.
Resistências técnicas e perspectivas de curto prazo
Na análise técnica, o Bitcoin fechou abaixo de 88.000 dólares na semana, tendo sido apoiado pela recuperação na média móvel de 50 semanas, em torno de 96.700 dólares. Com resistências fortes nesta zona, prevê-se que, enquanto o preço não ultrapassar novamente os 88.000 dólares, ele se mantenha numa faixa de ajuste entre 80.000 e 88.000 dólares.
Depois, até que uma quebra mais ampla seja tentada, esta incerteza local deverá determinar a volatilidade de curto prazo.
Reunião do Federal Reserve e risco de shutdown do governo
Um ponto de atenção é a reunião do Federal Reserve desta semana. Com a manutenção das taxas de juro prevista, as orientações do presidente Jerome Powell podem ser decisivas para o mercado.
Além disso, o risco de shutdown do governo dos EUA também não pode ser ignorado. Estima-se que há uma probabilidade de 79% de paralisação do governo federal e 78% de shutdown no Congresso, fatores que aumentam a pressão sobre ativos de risco.
A desaceleração do Bitcoin em relação ao ouro não é apenas uma variação de preço, mas sugere uma mudança estrutural nos fluxos de capital do sistema financeiro global. É importante acompanhar os desenvolvimentos futuros.