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Já vi muitos chefes reduzir a empresa a uma estrutura quase vazia e ainda acharem que estão a gerir bem.
Um jogo de colocar um copo de pé numa saladeira explica tudo.
Na mesa, despeja-se um monte de sal, coloca-se um copo de vinho de lado por cima.
Usa-se um canudo para soprar suavemente e remover os grãos de sal em excesso.
No final, ficam cinco ou seis grãos de sal, que ainda assim conseguem sustentar o copo.
Parece mágico, não é?
Mas o que é que isto tem de medo? Tem de vento.
O despedimento é exatamente igual a este jogo.
Normalmente, durante oito horas, os funcionários conversam, navegam na internet, tomam café, vão ao WC.
De vez em quando, alguém tira licença, a empresa continua a funcionar.
O chefe pensa: isto tudo é redundância, então sopra tudo fora.
O departamento jurídico pode ser cortado, o departamento de marketing pode fazer vendas em part-time, a limpeza e administração podem ser poupadas.
A conta faz-se com um estalo.
O problema está nas três palavras: "sem vento".
E quando acontece o quê?
Funcionários essenciais adoecem de repente, concorrentes fazem movimentos, o volume de negócios dispara.
Os restantes 20% não aguentam.
Contratar alguém de emergência?
Nos primeiros três meses, o novo funcionário rende menos de um terço do antigo.
Se esperares que eles se formem, a empresa já fechou.
Na engenharia, há um termo chamado "design de redundância eficaz".
Uma ponte que suporta 20 toneladas, na prática, é feita para 30 a 50 toneladas.
Não é que os engenheiros tenham a cabeça vazia, é para o caso de um camião com peso excessivo passar.
A margem de recursos humanos de uma empresa é como essa redundância na ponte.
Se os altos cargos trocarem de empresa e levarem metade do departamento, a empresa não desaba de repente.
Se alguém tira licença de maternidade, fica doente, o negócio ainda consegue continuar.
Na economia, chamamos a isto o modelo das "duas mulas a puxar o carro".
Um carro puxado por duas mulas, e ainda assim, consegue ser puxado por uma.
Não te orgulhes, não vendes a outra mula.
Caso contrário, ela vai trabalhar até à exaustão ou simplesmente fugir.
E aí, não tens nem uma mula útil.
Já vi o chefe mais burro a reduzir a empresa até cada um estar a trabalhar ao máximo.
E depois?
Se uma pessoa tira licença, o projeto para.
Se alguém sai, demora meio mês a contratar alguém, e os clientes fogem todos.
A poupança nos salários não chega para pagar a indemnização por incumprimento?
Guarda um padrão de julgamento.
Se a tua equipa não parece estar a "fazer de conta", se todos estão ocupados o dia todo e sem tempo para beber água,
não é uma gestão eficaz, é que o risco já está à porta.
Uma empresa saudável tem margem de manobra.
Não é manter pessoas ociosas, é comprar uma espécie de seguro.
E quem trabalha por conta própria, lembre-se de uma coisa.
Quando o chefe começa a falar de "grãos de sal", é hora de te preparares para fugir.
Porque ele já não acredita que o "vento" venha.
Ou, simplesmente, não se importa com o que acontece às pessoas quando a ponte desaba.
Redundância não é desperdício, é espaço de sobrevivência.
Quer seja uma empresa ou uma pessoa, é preciso deixar uma margem para aguentar imprevistos.
Quando não há vento, todos se sentem deuses.
Só quando o vento chega, é que se percebe quem está a nadar nu.