Você sabe o que tenho visto constantemente nas comunidades de criptomoedas? Comerciantes muçulmanos presos neste dilema constante sobre se as suas atividades de trading são realmente halal ou haram. A culpa, a pressão familiar, a incerteza—é real. Deixe-me explicar o que realmente dizem os estudiosos sobre isso, porque a resposta não é tão simples quanto alguns pensam.



Então, aqui está a questão com o trading de futuros sob uma perspetiva islâmica. A maioria dos estudiosos tradicionais condena fortemente, e o raciocínio deles é bastante sólido. Primeiro, há este conceito chamado gharar—basicamente, incerteza excessiva. Quando estás a negociar contratos de futuros, estás a lidar com ativos que na verdade não possuis ou não tens em tua posse. A lei islâmica é bastante clara quanto a isso: não podes vender o que não tens. Está no hadith, é consistente em todas as madaris. Essa é a primeira objeção.

Depois, tens o riba, que é o componente de juros. O trading de futuros quase sempre envolve alavancagem e margem, o que significa empréstimos baseados em juros ou encargos de financiamento overnight. E o riba, em qualquer forma? Totalmente proibido no Islã. Essa é a segunda objeção. Acrescente a especulação e o maisir—o elemento de jogo de azar—e percebes por que a maioria dos estudiosos considera os futuros convencionais como haram. Estás a especular sobre movimentos de preço sem qualquer uso legítimo do ativo subjacente. Parece mais jogos de azar do que comércio real.

O problema estrutural também está relacionado com o timing. Nos contratos islâmicos, pelo menos um lado da transação precisa ser imediato—ou o pagamento ou a entrega. Os futuros atrasam ambos. Não estás a pagar agora, não estás a receber o ativo agora. Isso viola os princípios fundamentais do direito contratual Shariah.

Agora, aqui é que fica interessante. Um grupo menor de estudiosos sugere que certos contratos a termo podem ser aceitáveis sob condições muito específicas. Estamos a falar de contratos onde o ativo é realmente tangível e halal, o vendedor realmente o possui ou tem o direito de vendê-lo, e toda a operação é pensada para cobertura de necessidades comerciais legítimas—não especulação. Sem alavancagem, sem juros, sem venda a descoberto. Isso é basicamente contratos islâmicos de salam, não o que chamaríamos de futuros convencionais.

As principais autoridades financeiras islâmicas estão bastante alinhadas quanto a isso. A AAOIFI proíbe explicitamente os futuros convencionais. Instituições tradicionais como a Darul Uloom Deoband consideram haram. Alguns economistas islâmicos modernos estão a explorar derivados compatíveis com shariah, mas também não endossam os futuros padrão.

Então, o que isso significa na prática? Se estás a tentar descobrir se o teu trading é halal ou haram, os futuros convencionais como existem hoje não passam no teste para a maioria dos estudiosos islâmicos. A especulação, a alavancagem, os juros—tudo isso soma-se a haram.

Se queres manter-te em conformidade, há alternativas que vale a pena explorar: fundos mútuos islâmicos, posições de ações compatíveis com shariah, sukuk para renda fixa, ou investimentos baseados em ativos reais. Estas opções alinham-se tanto com os teus interesses de trading quanto com as tuas obrigações religiosas. Essa é a verdadeira solução.
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