Recentemente tenho acompanhado a situação do mercado de trabalho nos Estados Unidos, e, para ser honesto, os dados parecem um pouco pouco otimistas.



O Bureau of Labor Statistics dos EUA está prestes a divulgar o relatório de emprego não agrícola de janeiro, que está recebendo atenção especial, pois envolve não apenas dados atrasados, mas também revisões anuais de base e atualizações metodológicas. O mercado espera uma adição de 70 mil empregos, mas os economistas de Wall Street geralmente estão pessimistas. TD Securities e Goldman Sachs preveem apenas um aumento de 45 mil, enquanto o principal economista da Moody’s, Mark Zandi, afirmou que a expectativa deveria estar próxima de zero, pois qualquer dado próximo de zero indica a fragilidade do mercado de trabalho. Ele até acredita que uma onda de demissões nos EUA pode estar chegando, e que em breve poderemos ver um crescimento negativo no emprego.

Ainda mais preocupante é a questão das revisões dos dados de emprego não agrícola. A estimativa preliminar de ajustes de setembro do ano passado mostrou que, em um período de um ano até março de 2025, o número de empregos seria 911 mil menor do que o divulgado anteriormente, quase uma redução pela metade. Goldman Sachs estima que o valor final da revisão ficará entre 750 mil e 900 mil, enquanto o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que pode estar próximo de 600 mil. Ainda pior, os dados mensais de emprego divulgados até agora para 2025 foram revisados para baixo, com uma redução acumulada de 624 mil empregos. O Bureau de Estatísticas também aplicará um fator sazonal atualizado, prevendo uma nova redução de 500 a 700 mil empregos. Em outras palavras, mais de um milhão de empregos na verdade nunca existiram.

O governo Biden também está começando a “esfriar” a situação. Peter Navarro, conselheiro comercial chefe da administração Trump, afirmou que é necessário reduzir drasticamente as expectativas para os dados mensais de emprego, alegando que as políticas de Trump reduziram o crescimento do emprego necessário para estabilizar o mercado de trabalho. Kevin Hassett, chefe do Conselho Econômico Nacional, destacou que o baixo crescimento não é sinal de fraqueza, mas sim uma nova normalidade — o crescimento populacional está desacelerando, a produtividade impulsionada pela inteligência artificial está aumentando, e o combate à imigração ilegal também afetou a demanda por contratação.

Na prática, sinais de demissão nos EUA já estão surgindo. As vagas de emprego em dezembro caíram ao nível mais baixo desde setembro de 2020, e o relatório Challenger Gray & Christmas mostrou que as intenções de demissão para janeiro atingiram o pior desempenho desde 2009. Os dados da ADP indicam que o setor privado criou apenas 22 mil empregos em janeiro. No entanto, o crescimento de empregos em pequenas empresas foi bom, com dados do Homebase mostrando um aumento de 3,3% no mês passado.

A postura do Federal Reserve é bastante interessante. Eles focam na tendência de emprego ao longo de um período, e não nos dados de um único mês, e a maioria dos membros acredita que o mercado está em uma fase de estabilidade, não de recessão. Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, e Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, disseram estar mais preocupados com a inflação do que com o desemprego, questionando novas reduções de juros. A ferramenta de observação do Fed do CME Group mostra que a probabilidade de uma redução de 25 pontos base em março é de apenas cerca de 15%.

Com base na reação do mercado, se os dados de emprego não agrícola forem decepcionantes, com criação de menos de 30 mil empregos e aumento na taxa de desemprego, o dólar pode sofrer uma pressão imediata. Por outro lado, se os números atingirem as expectativas, isso pode confirmar que o Fed manterá a política inalterada no próximo mês, e o dólar ainda pode subir. Os investidores também devem ficar atentos à inflação salarial, pois analistas do Danske Bank apontam que uma desaceleração no crescimento salarial pode impactar negativamente o consumo, abrindo caminho para uma postura mais moderada do Fed.

Curiosamente, o desempenho do mercado de ouro também é interessante. Embora na terça-feira o ouro tenha parado uma sequência de duas altas, isso foi basicamente uma consolidação impulsionada por eventos. Antes de divulgar muitos dados econômicos importantes, os investidores tendem a realizar lucros ou a se afastar temporariamente. Mas os fatores fundamentais que sustentam a alta do ouro ainda permanecem. A fraqueza do dólar dá suporte ao ouro, e na terça-feira o índice do dólar caiu para o menor nível desde 30 de janeiro, devido ao fraco desempenho das vendas no varejo. Os sinais do mercado de títulos também favorecem o ouro, com os rendimentos dos títulos do Tesouro caindo, refletindo preocupações com a desaceleração econômica. O mais importante é que a tensão geopolítica continua a impulsionar o prêmio de risco, alimentando o movimento de alta do ouro.

No geral, este relatório que será divulgado em breve pode marcar uma mudança no mercado. As preocupações com demissões, as revisões em grande escala dos dados de emprego e os sinais de deterioração do mercado de trabalho indicam uma trajetória instável. A reação do Federal Reserve e dos investidores será crucial de agora em diante.
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