Grinex para reembolsar 1 bilhão de rublos em perdas de clientes após o ataque

A recentemente hackeada bolsa de criptomoedas Grinex pretende compensar os clientes pelos ativos roubados, no valor de mais de um bilhão de rublos russos.

A plataforma de troca de moedas com sede no Quirguistão é mais conhecida por ajudar a Rússia a contornar as sanções ocidentais impostas devido à sua invasão da Ucrânia.

Grinex promete compensação para os afetados pelo grande ataque

A maior bolsa no segmento de língua russa do mercado de criptomoedas, Grinex, decidiu pagar aos clientes pelos ativos perdidos num ataque de hacking no mês passado.

A plataforma registrada no Quirguistão foi invadida em meados de abril, com os perpetradores desconhecidos drenando aproximadamente 1 bilhão de rublos em criptomoedas.

Os fundos, atualmente avaliados em mais de 13 milhões de dólares, permanecem em carteiras controladas pelos atacantes, disseram representantes da bolsa à principal publicação de notícias de criptomoedas na Rússia, Bits.media, na sexta-feira.

Embora as moedas digitais não estejam disponíveis para retorno imediato, já foram marcadas como “roubadas” pelos serviços internacionais de combate à lavagem de dinheiro, enfatizaram.

A polícia russa abriu uma investigação sobre o caso. A bolsa compartilhou todas as informações coletadas com as autoridades na Rússia, onde a maioria de seus clientes reside.

Os hackers retiraram Tether (USDT) de 54 endereços, a maioria na rede Tron, e transferiram para duas carteiras na mesma blockchain, de acordo com a firma de análise AML CoinKit.

Os ativos, avaliados entre 13 e 15 milhões de dólares na época, foram então convertidos em tokens Tron (TRX) através da plataforma descentralizada SunSwap (Sun.io).

Eles foram eventualmente consolidados em um único endereço – TH9kgjfrKeTNeyXtDKvxCXZ1dVKr7neKVa – detalhou ainda o relatório.

Grinex oferece aos clientes a possibilidade de primeiro retirar stablecoins A7A5

A bolsa interrompeu todos os depósitos e retiradas em seu site Grinex.io quando descobriu a invasão, inicialmente publicando no Telegram que estava “passando por uma falha técnica” no final de 15 de abril.

Em uma declaração publicada na quinta-feira, anunciou sua intenção de “trabalhar na compensação dos usuários” pelos ativos roubados no ataque, que descreveu como “prolongado, complexo e altamente técnico.”

Os clientes afetados poderão primeiro retirar suas posições em A7A5, a stablecoin atrelada ao rublo, que acredita-se ter processado mais de 100 bilhões de dólares em transações desde seu lançamento no início de 2025.

A plataforma de troca de criptomoedas admitiu que os fundos “foram consolidados na carteira pública dos atacantes e são inacessíveis para recuperação”, mas enfatizou:

“A gestão do Grinex tomou uma decisão estratégica de compensar os ativos roubados e de arrecadar fundos para isso. A equipe está trabalhando para restaurar a infraestrutura e desenvolvendo mecanismos para futuras compensações. O primeiro passo será a retirada da stablecoin rublo A7A5.”

“Encontrar formas de compensar os clientes continua sendo nossa prioridade absoluta,” destacou um porta-voz, acrescentando que a empresa está colaborando com especialistas líderes nos campos de forense blockchain e cibersegurança.

A bolsa também afirmou que considera o hack um exemplo “sem precedentes” de um ataque híbrido, combinando hacking de infraestrutura e roubo de fundos.

Ela ainda observou que o caso representa uma nova fase nas tentativas de influenciar a emergente indústria de criptomoedas da Rússia. O país prepara-se para regulamentar seu mercado de ativos digitais até o verão.

Grinex pronto para continuar a desempenhar seu papel na evasão de sanções

Em outro post no Telegram, em 16 de abril, a Grinex alegou ter sido atingida por “agências de inteligência ocidentais.” A alegação foi contestada por analistas da plataforma de conformidade BitOK.

A Grinex foi fundada no Quirguistão na primavera passada como sucessora da bolsa russa Garantex, que foi desmantelada numa operação liderada pelos EUA em março de 2025.

É a principal plataforma de troca para o A7A5, a maior stablecoin não dolarizada, que se acredita ser amplamente utilizada por atores russos para contornar restrições financeiras internacionais.

A Grinex, assim como várias entidades relacionadas à criptomoeda denominada em rublos, têm sido alvo de sanções pelos EUA, UE e Reino Unido.

Entre elas estão a empresa russa A7, suposto criador da moeda, e a Old Vector, incorporada no Quirguistão, seu atual emissor.

Oligarcas poderosos e bancos russos estatais têm lucrado com esquemas destinados a evadir sanções impostas pelo Ocidente, conforme relatado recentemente pela Cryptopolitan.

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