Tenho vindo a aprofundar-me em algumas pesquisas fascinantes sobre a concentração de capital global, e honestamente, é quase de tirar o fôlego quando começamos a ligar os pontos. Conheces aquelas "Três Grandes" empresas de investimento de que toda a gente fala? Deixa-me explicar o que descobri.



Primeiro, os números. A BlackRock está no topo, a gerir cerca de 10 biliões de dólares em ativos. Depois vem a Vanguard com aproximadamente 8 biliões, e a State Street com cerca de $4 biliões. Juntos, estamos a falar de mais de 20 biliões de dólares. Para colocar em perspetiva, isso é aproximadamente equivalente ao PIB total dos 27 países da UE mais o Japão, combinados. Isso não é apenas grande—é uma concentração de riqueza a escala planetária.

Agora aqui é que fica interessante. A estrutura da BlackRock é bastante transparente—oito fundadores, e o seu atual CEO é Larry Fink. Tem havido discussões contínuas sobre se a herança judaica de Larry Fink influencia a sua filosofia de liderança, embora o que seja mais relevante é como ele se posicionou como uma figura possivelmente a mais influente nos mercados de capitais globais. As pessoas literalmente chamam-lhe o Padrinho de Wall Street.

Mas a história mais profunda é sobre as redes por trás destas instituições. A Vanguard, por exemplo, remonta a John Bogle—o homem que basicamente inventou os fundos indexados e era o ídolo de Buffett. Quando Bogle faleceu em 2019, as pessoas não aprofundaram o suficiente na estrutura de propriedade real. Se puxares mais atrás, a predecessora da Vanguard foi o Fundo Wellington, criado em 1929 por Walter Morgan. Quando começas a seguir esses fios, percebes que a influência do Consórcio Morgan é mais profunda do que a maioria imagina.

A State Street? Isso é quase cómico na sua transparência. Os dois maiores acionistas deles são literalmente a Vanguard e a BlackRock. Portanto, tens uma estrutura aninhada onde as "Três Grandes" controlam-se mutuamente.

E aqui vem o grande truque—se mapeares as estruturas de ações, descobres que estas três empresas são os principais acionistas em praticamente tudo. Estamos a falar da Fidelity, Berkshire Hathaway, Goldman Sachs, Blackstone—todos interligados. No mundo da tecnologia, Apple e Microsoft parecem rivais ferozes, mas quando verificas quem são os controladores reais, são os mesmos jogadores. O mesmo acontece com Coca-Cola versus Pepsi. Com Sony, HP, Philips. Ford, Hyundai, Volkswagen, Airbus, Boeing—quase toda a indústria automóvel e aeroespacial. Shell, ExxonMobil, BP na energia. Bayer, Monsanto, John Deere na agricultura. Johnson & Johnson, Pfizer, AstraZeneca, Merck na pharma. Time Warner, Disney, Comcast, Netflix na mídia. Não é competição—é uma aposta bilateral com o mesmo dono de ambos os lados.

Pensa na política. Existe aquele velho ditado de que o Partido Republicano pertence à família Rockefeller e os Democratas à família Morgan. Mas se seguires os fluxos de capital reais, essas famílias têm estado historicamente ligadas às mesmas redes financeiras mais amplas. Então, por que precisam de lutar? É teatro. Cria a aparência de uma escolha democrática enquanto garante que, independentemente de quem ganhe, o capital por trás vence. Qualquer político que queira subir ao poder tem de agradar a essas redes.

O sistema é, essencialmente, uma aplicação do pensamento de capital de risco à governação—uma aposta bilateral onde a casa ganha sempre, porque a casa controla ambos os lados.

Cerca de 90% das grandes corporações americanas têm estas três empresas como acionistas significativos. Desde marcas de luxo como PRADA e LV até fast fashion como ZARA, e bens de consumo diários—tudo está interligado. Poderias argumentar que a maioria das pessoas na Terra, desde o nascimento até à morte, está a consumir produtos e serviços dentro deste ecossistema.

Como é que eles acumularam isto? Historicamente, através de guerras, colonização e acumulação de capital. Agora, usam a hegemonia do dólar para adquirir ativos globalmente a custo praticamente zero, imprimindo moeda. É uma extração de riqueza a uma escala civilizacional.

O capital não só influenciou o mundo—é, por direito próprio, o princípio organizador principal. Napoleão disse-o melhor: o dinheiro não tem pátria, e os financistas não conhecem patriotismo. O seu único propósito é o lucro. Essa citação tem um peso diferente quando percebes a verdadeira estrutura da riqueza global.
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