Vitalik Buterin acaba de delinear algo bem interessante sobre como o Ethereum pode se defender contra ameaças quânticas.


Basicamente, ele identificou quatro pilares principais que precisam ser reforçados: assinaturas de validadores, armazenamento de dados, assinaturas de contas de usuários e provas de conhecimento zero.
Não é uma solução isolada para cada problema—é uma abordagem integrada e bem pensada.

O que chama atenção é a mudança proposta nas assinaturas.
Hoje o Ethereum usa BLS, mas a ideia é migrar para algo baseado em funções hash que seja leve e resistente a computadores quânticos.
Isso não é uma decisão menor: uma vez que escolhem a função hash, ela vai ancorar o protocolo por anos.
É tipo escolher um padrão que vai influenciar ferramentas, hardware e compatibilidade futura.

No armazenamento de dados, o plano é sair do KZG e ir para STARKs.
STARKs são interessantes porque são transparentes e resistem a quantum, mas integrar isso ao Ethereum exige bastante engenharia.
Buterin foi honesto: é "gerenciável, mas tem muito trabalho de engenharia pela frente."
A vantagem é manter a verificabilidade sem comprometer a segurança quântica.

Agora, as assinaturas de usuário apresentam um desafio prático: o custo de gás.
Se você muda de ECDSA para esquemas baseados em reticulados, as assinaturas ficam mais pesadas computacionalmente.
Isso elevaria os custos no curto prazo.
Mas aqui entra a solução inteligente: funções recursivas.

A agregação recursiva de assinaturas e provas no nível do protocolo é onde a magia acontece.
Em vez de verificar cada assinatura individualmente on-chain, uma única estrutura compilada valida milhares de subvalidações de uma vez.
Isso reduz drasticamente a sobrecarga de gás.
A função recursiva basicamente permite que você comprima múltiplas operações de verificação em um quadro mestre, fazendo o custo por transação cair para praticamente nada.

O mesmo princípio vale para provas resistentes a quantum.
Pesquisadores estão explorando mempool eficiente em largura de banda usando recursive-STARK, o que significa fluxo de dados mais eficiente sob cargas pesadas.
É uma abordagem bem sofisticada: em vez de resolver cada problema isoladamente, você usa recursão para otimizar tudo junto.

Tudo isso está conectado a propostas maiores como o Lean Ethereum de Justin Drake, que foi apresentado em agosto de 2025 como um framework pragmático para preparar o Ethereum para o pós-quantum sem desestabilizar as operações atuais.
As discussões do Strawmap também apontam para melhorias incrementais nos tempos de slot e finalidade.

O que torna isso relevante agora é que o Bitcoin e outras chains também estão enfrentando discussões similares sobre ameaças quânticas.
O Ethereum está tentando ser mais proativo com um roadmap estruturado.
A abordagem de quatro pontas não é só teórica—vai moldar como usuários interagem com carteiras, contratos inteligentes e staking pelos próximos anos.

O equilíbrio que Buterin está tentando alcançar é entre segurança duradoura e praticidade imediata.
Não é uma atualização cosmética; altera caminhos de dados fundamentais.
Mas se conseguirem implementar as funções recursivas corretamente, a escalabilidade e a resistência quântica podem coexistir sem sacrificar usabilidade.
É um plano ambicioso, mas bem fundamentado em pesquisa atual.
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