16 de dezembro de 2025 — O Conselho de Administração da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) aprovou uma proposta de regulamento que estabelece um processo específico de candidatura para que instituições financeiras reguladas pela FDIC possam emitir stablecoins de pagamento através de subsidiárias. Esta medida é amplamente vista como o primeiro grande passo de implementação após a promulgação da GENIUS Act em julho.
No centro do enquadramento regulatório está a criação da designação "Emissor de Stablecoin de Pagamento Permitido" (Permitted Payment Stablecoin Issuer – PPSI) para os emissores de stablecoins. Os bancos deverão constituir subsidiárias dedicadas às operações com stablecoins, garantindo que estas atividades sejam geridas separadamente do negócio bancário tradicional.
01 Evolução Regulamentar
A decisão da FDIC em 16 de dezembro de 2025 representa um avanço significativo na regulação das moedas digitais nos Estados Unidos. A aprovação da proposta de regulamento pelo Conselho oferece às instituições financeiras um caminho claro para a emissão de stablecoins de pagamento através de subsidiárias.
Esta proposta constitui o primeiro grande passo na implementação da GENIUS Act, promulgada pelo Presidente Trump em julho.
Segundo as declarações do Presidente Interino da FDIC, Travis Hill, na reunião do Conselho, a proposta permitirá à FDIC avaliar a segurança e solidez das atividades relacionadas com stablecoins de pagamento planeadas pelas instituições candidatas, ao mesmo tempo que minimiza o ónus regulatório para os requerentes.
02 Principais Disposições da GENIUS Act
A GENIUS Act (acrónimo de "Guiding and Establishing National Innovation in US Stablecoins Act") estabelece um enquadramento regulatório federal para a emissão de stablecoins nos Estados Unidos.
Entre os requisitos fundamentais, destaca-se que as stablecoins devem ser totalmente colateralizadas por dólares americanos ou ativos líquidos equivalentes, e os emissores com uma capitalização de mercado superior a 50 mil milhões devem realizar auditorias anuais.
A lei define claramente as responsabilidades regulatórias. A FDIC assume o papel de regulador federal principal para stablecoins de pagamento, supervisionando as instituições depositárias seguradas que emitem stablecoins através de subsidiárias.
O Conselheiro Jurídico da FDIC, Nicholas Simmons, salientou que os candidatos devem apresentar uma descrição detalhada do âmbito de negócios proposto, divulgar a "estrutura de propriedade e controlo da subsidiária" e submeter uma "carta de compromisso com uma sociedade de auditoria pública registada".
03 Processo de Candidatura e a Regra dos 120 Dias
Ao abrigo do novo enquadramento da FDIC, os bancos que pretendam emitir stablecoins devem seguir um processo de aprovação estruturado. A disposição mais relevante é o "mecanismo de aprovação automática em 120 dias", que concede aprovação automática caso a FDIC não tome uma decisão no prazo de 120 dias após receber uma candidatura completa.
Este mecanismo visa evitar atrasos regulatórios e proporcionar maior previsibilidade às instituições financeiras.
Os candidatos devem apresentar documentação completa à FDIC, detalhando o âmbito das atividades previstas com stablecoins, a estrutura de propriedade e controlo da subsidiária, e uma carta de compromisso com uma sociedade de auditoria registada.
A FDIC avaliará as candidaturas com base em fatores legais, focando-se na segurança e solidez das atividades propostas.
04 Requisitos Rigorosos para Stablecoins Emitidas por Bancos
Ao contrário das stablecoins atualmente existentes no mercado, as stablecoins emitidas por bancos estarão sujeitas a requisitos muito mais exigentes em termos de capital, liquidez e reservas. De acordo com o enquadramento da FDIC, os bancos emissores de stablecoins deverão manter capital acima dos padrões mínimos exigidos para operações de depósitos tradicionais, de modo a responder aos novos riscos inerentes aos sistemas de pagamento baseados em blockchain.
A gestão de reservas obriga os bancos a manter uma proporção de 1:1 entre ativos em dólares americanos e tokens em circulação, assegurando a colateralização total em permanência.
Entre os ativos de reserva aceitáveis incluem-se saldos em numerário junto do Federal Reserve, títulos do Tesouro de curto prazo e outros instrumentos financeiros de elevada liquidez e baixo risco aprovados pelos reguladores. Esta estrutura de reservas visa eliminar os riscos de colateralização parcial, tornando as stablecoins emitidas por bancos mais robustas do que alternativas descentralizadas.
Os bancos deverão ainda manter reservas de liquidez suficientes para satisfazer pedidos de resgate dos utilizadores e garantir operações estáveis e contínuas.
05 Roteiro Regulamentar Futuro
O Presidente Interino Travis Hill revelou que a FDIC planeia apresentar uma nova proposta de regulamento nos próximos meses, definindo requisitos de capital, liquidez e gestão de risco para as subsidiárias emissoras de stablecoins aprovadas.
Este conjunto de medidas regulatórias demonstra que os Estados Unidos estão a construir, de forma sistemática, um ambiente regulatório para stablecoins que protege os consumidores e fomenta a inovação.
A FDIC afirmou que continuará a explorar maior clareza regulatória para atividades mais amplas relacionadas com ativos digitais e depósitos tokenizados. O período de consulta pública para a proposta de regulamento terá a duração de 60 dias, após o qual a FDIC analisará todos os contributos e publicará a versão final do regulamento.
06 Impacto no Mercado Atual de Stablecoins
O novo enquadramento da FDIC poderá ter efeitos de grande alcance no mercado atual de stablecoins. Atualmente, stablecoins líderes como USDC (USD Coin) e DAI já ocupam posições de destaque no mercado.
Em 15 de dezembro de 2025, a capitalização de mercado do USDC atingiu cerca de 78 400 milhões, mantendo-se o preço estável em torno de 1 $. O DAI, a maior stablecoin descentralizada na Ethereum, registava uma capitalização de cerca de 4 350 milhões, com o preço próximo de 0,99908 $.
A entrada dos bancos no mercado de stablecoins poderá alterar o panorama competitivo. As stablecoins emitidas por bancos oferecem supervisão regulatória clara, fundos de reserva respaldados por seguro de depósitos e integração direta com a infraestrutura bancária. Estas vantagens poderão atrair instituições e utilizadores que permanecem cautelosos em relação às stablecoins existentes.
Simultaneamente, o novo enquadramento abre novas oportunidades para plataformas de negociação como a Gate. Produtos de stablecoin como o GUSD negociados na Gate poderão ter de reavaliar o seu posicionamento e vantagem competitiva num mercado cada vez mais regulado.
07 Oportunidades e Desafios
O caminho para os bancos emitirem stablecoins apresenta tanto oportunidades como desafios. Para os bancos tradicionais, entrar no segmento das stablecoins significa participar no mercado de ativos digitais em rápido crescimento, desenvolver novas fontes de receita e reforçar o seu papel no ecossistema de pagamentos.
Para consumidores e utilizadores institucionais, as stablecoins emitidas por bancos poderão oferecer maior segurança e garantia regulatória, especialmente no que respeita à transparência das reservas e à garantia de resgate.
Os bancos deverão ainda demonstrar profundo conhecimento da infraestrutura blockchain, das regras de gestão de reservas e dos mecanismos de controlo de risco que vão além das operações bancárias tradicionais durante o processo de candidatura.
Adicionalmente, os bancos enfrentarão concorrência dos emissores de stablecoins já existentes e terão de se adaptar a um cenário tecnológico em rápida evolução.
Perspetivas
Em 17 de dezembro de 2025, o GUSD negociava-se a 0,9997 $ na Gate, com uma valorização de 0,04 % nas últimas 24 horas e uma capitalização de mercado circulante de cerca de 197 milhões. Por sua vez, a principal stablecoin descentralizada, DAI, negociava-se a aproximadamente 0,99908 $ no mesmo dia.
O enquadramento da FDIC para stablecoins encontra-se agora em consulta pública, e iniciou-se a contagem decrescente para a entrada oficial dos bancos tradicionais no setor das moedas digitais. Independentemente do desfecho, esta transformação promete redefinir a natureza e o futuro do dinheiro.


