BlackRock Apresenta Nova Estrutura de Fundo Tokenizado — O Que Significam Mais de 6 Mil Milhões em Obrigações do Tesouro On-Chain?

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Atualizado: 05/14/2026 09:17

Em maio de 2026, a BlackRock, o maior gestor de ativos do mundo, submeteu dois pedidos de registo de fundos de mercado monetário tokenizados junto da U.S. Securities and Exchange Commission. O objetivo é tokenizar o seu fundo de liquidez em Treasuries dos EUA, avaliado em cerca de 6,1 mil milhões USD — o BlackRock Select Treasury Based Liquidity Fund (BSTBL) — e emitir uma classe de participações digitais na blockchain Ethereum. Esta iniciativa é vista como uma intensificação estratégica do compromisso da BlackRock com a infraestrutura financeira on-chain, após o lançamento bem-sucedido do seu primeiro fundo tokenizado, o BUIDL. Em simultâneo, a BlackRock apresentou também um pedido para criar um novo fundo de mercado monetário tokenizado multi-chain, o BRSRV, dirigido especificamente a investidores que gerem ativos digitais através de carteiras cripto e stablecoins.

O Evento: Que Tipos de Pedidos Submeteu a BlackRock?

Os pedidos da BlackRock incluem duas estruturas de produto interligadas, mas com posicionamentos distintos. O primeiro visa tokenizar o atual fundo BSTBL de 6,1 mil milhões USD, adicionando uma classe de participações sob a forma de token ERC-20 na Ethereum às classes tradicionais, sendo o BNY Mellon responsável pelo registo oficial dos titulares on-chain. O segundo pedido introduz o BRSRV, um fundo de mercado monetário tokenizado de nova criação, que irá operar em várias redes blockchain, servindo a nova geração de investidores que gerem ativos financeiros através de carteiras on-chain e stablecoins.

Importa salientar que ambos os fundos recorrem a uma estrutura jurídica de "participações tokenizadas" em vez da emissão direta de novos tokens. Ou seja, os registos de propriedade baseados em blockchain são sobrepostos a um fundo tradicional e regulado. Isto significa que os tokens detidos on-chain pelos investidores representam efetivamente participações reais em fundos regulados pela SEC — e não ativos cripto autónomos. Esta estrutura oferece vantagens significativas em matéria de conformidade e auditabilidade.

Em Que se Diferenciam Estes Novos Fundos Tokenizados do BUIDL?

Lançado em 2024 em parceria com a Securitize, o BUIDL foi o primeiro fundo de mercado monetário tokenizado da BlackRock. Os seus ativos sob gestão cresceram para cerca de 2,3 mil milhões a 2,58 mil milhões USD, tornando-o um caso de referência na adoção institucional das finanças tokenizadas. A carteira do BUIDL é composta maioritariamente por ativos em dólares norte-americanos de curto prazo, como Treasury bills, acordos de recompra e liquidez, refletindo de perto a estrutura subjacente do BSTBL.

Contudo, os novos produtos deste pedido introduzem duas diferenças estruturais fundamentais. Em primeiro lugar, o BSTBL representa a tokenização de um fundo já existente e de grande escala (6,1 mil milhões USD), enquanto o BUIDL foi criado de raiz como fundo tokenizado. Isto demonstra que a BlackRock está a trazer o seu principal produto de liquidez para on-chain — um passo estratégico que ultrapassa a lógica experimental do BUIDL. Em segundo lugar, o BRSRV é concebido explicitamente para detentores de stablecoins e será lançado em múltiplas blockchains, respondendo diretamente à economia do dólar digital. Por oposição, os clientes do BUIDL são sobretudo investidores institucionais à procura de alocação on-chain. Em conjunto, estes produtos diferenciados constituem uma abordagem de "duplo motor" à estratégia de fundos tokenizados da BlackRock.

Porque é que a Estrutura de Conformidade dos Fundos Tokenizados é Tão Crítica?

O aspeto mais relevante para o setor nos pedidos da BlackRock reside na integração dos registos de propriedade on-chain com o sistema financeiro regulado. Segundo as informações divulgadas, a nova estrutura liga a titularidade de participações em fundos registadas em blockchain a agentes de transferência regulados e sistemas de onboarding de investidores, criando uma ponte entre operações on-chain e enquadramentos de compliance.

Em concreto, a Securitize Transfer Agent, LLC será responsável pela manutenção do registo oficial dos titulares on-chain do fundo. Isto significa que as participações tokenizadas serão diretamente integradas no registo regulado do fundo. Esta solução resolve um desafio antigo dos projetos RWA (real-world assets): "posse on-chain ≠ titularidade legal off-chain". Agora, os tokens detidos pelos investidores não são apenas dados na blockchain — constituem direitos legais sobre o fundo, juridicamente exigíveis.

O setor vê esta estrutura como um passo decisivo rumo a "mercados de capitais on-chain, regulados e de escala institucional". Caso a SEC aprove este modelo de compliance, poderá servir de referência replicável para outras instituições financeiras tradicionais que pretendam entrar no universo da tokenização, com impacto significativo no desenvolvimento da infraestrutura RWA.

Quem São os Clientes-Alvo Destes Novos Fundos? O Que Está a Mudar na Procura de Mercado?

Ambos os novos produtos da BlackRock têm como alvo direto os "detentores de stablecoins". Esta escolha estratégica responde a um desequilíbrio estrutural crescente na economia do dólar digital: em maio de 2026, o total de stablecoins em circulação ultrapassou os 320 mil milhões USD, mas a maioria permanece inativa em carteiras ou contas de trading, sem qualquer remuneração. Isto é particularmente problemático para investidores institucionais — necessitam de ativos de reserva que ofereçam rendimentos das Treasuries dos EUA, mantendo a composabilidade on-chain e liquidação quase instantânea.

Desde 2025, a aprovação da "Genius Act" veio reforçar esta tendência. Esta lei estabeleceu um quadro regulatório federal para stablecoins indexadas ao dólar, acelerando a procura de ativos de reserva on-chain em conformidade. Neste contexto, o BSTBL e o BRSRV preenchem uma lacuna crítica de mercado, oferecendo a emissores de stablecoins, protocolos DeFi e investidores institucionais cripto uma solução intermédia entre "liquidez on-chain inativa" e "contas bancárias tradicionais".

Como Está a Evoluir a Concorrência no Espaço de RWA Tokenizados?

O timing da BlackRock coincide com um forte crescimento do setor de tokenização de RWA. Segundo dados da rwa.xyz, em meados de maio de 2026, o valor total bloqueado (TVL) em Treasuries dos EUA tokenizadas on-chain atingiu 153,5 mil milhões USD — um aumento superior a 280% face aos cerca de 3,9 mil milhões registados apenas 16 meses antes. O mercado global de ativos reais tokenizados (RWA) ultrapassou os 30,9 mil milhões USD, crescendo cerca de 203% em termos homólogos.

No entanto, à medida que o mercado se expande rapidamente, o panorama competitivo também se altera. A 4 de maio de 2026, o fundo de mercado monetário tokenizado USYC da Circle ultrapassou o BUIDL da BlackRock (cerca de 2,58 mil milhões USD), atingindo aproximadamente 3 mil milhões USD sob gestão e tornando-se o maior fundo de mercado monetário tokenizado do mundo. Adicionalmente, a JPMorgan submeteu, a 12 de maio, o pedido para o seu segundo fundo tokenizado, o JLTXX, enquanto a Franklin Templeton explora oportunidades de tokenização on-chain em parceria com a Payward. O espaço RWA está a passar de um cenário de "líder único" para um modelo de "competição multipartidária".

Como Revelam os Dados On-Chain Mudanças nos Fluxos de Capital?

Em maio de 2026, os fluxos institucionais para mercados de Treasuries tokenizadas apresentam três características estruturais marcantes. Em primeiro lugar, a capitalização total de mercado dos produtos de Treasuries tokenizados na Ethereum ultrapassou os 8 mil milhões USD, quase duplicando desde novembro de 2025. Isto demonstra que as principais blockchains públicas se tornaram a camada preferencial de implementação para capital institucional.

Em segundo lugar, o TVL total em Treasuries tokenizadas (153,5 mil milhões USD) é muito superior à capitalização total de mercado dos tokens RWA (30,9 mil milhões USD). Este facto revela uma tendência central: os investidores preferem deter os ativos subjacentes das Treasuries registados on-chain, em vez de apenas participações em produtos tokenizados. Esta distinção evidencia a estrutura dual do espaço RWA: a "camada de ativos", detida diretamente por instituições, e a "camada de tokens", detida por protocolos DeFi e investidores de retalho.

Em terceiro lugar, a distribuição on-chain das Treasuries tokenizadas é altamente concentrada. Os dados de maio de 2026 mostram que apenas dois fornecedores — Circle e BlackRock — representam mais de 60% de todo o mercado de Treasuries tokenizadas, criando um cenário competitivo de "dois picos e uma longa cauda". Esta concentração faz com que os movimentos estratégicos dos principais players — como os novos pedidos da BlackRock — tenham um efeito de arrastamento significativo no desenvolvimento de produtos e nos fluxos de capital em todo o setor.

Como Está a Tokenização a Evoluir de "Narrativa" para "Infraestrutura"?

Em paralelo com os pedidos da BlackRock, a Securitize revelou um marco importante para o setor: o mercado global de ativos reais tokenizados (RWA) ultrapassou os 30 mil milhões USD. A indústria está a transitar de uma fase de experimentação inicial para a construção de infraestrutura institucional, interoperabilidade e sistemas financeiros on-chain em conformidade.

Esta perspetiva está alinhada com as declarações públicas do COO da BlackRock, Rob Goldstein. Goldstein afirmou recentemente que a tokenização dos instrumentos dos mercados de capitais ainda está numa fase muito precoce, mas, partindo de uma base reduzida, o crescimento nos próximos anos será medido em múltiplos, e não em percentagens.

Goldstein acrescentou ainda uma visão mais profunda: a inteligência artificial e as criptomoedas irão reforçar-se mutuamente de formas ainda pouco compreendidas. Quando agentes empresariais de IA precisarem de executar transações, não acederão a contas bancárias — operarão através de infraestruturas digitais. Esta procura acabará por impulsionar um crescimento exponencial dos ativos digitais e transformar a infraestrutura financeira on-chain de "ferramenta opcional" em "canal essencial". Deste ponto de vista, os pedidos da BlackRock não visam apenas criar pools de liquidez para stablecoins — estão a lançar as bases para a próxima geração da economia digital.

Que Riscos e Tendências do Setor Enfrentam os Novos Pedidos?

Apesar de os novos pedidos da BlackRock serem, em geral, vistos como positivos, subsistem vários constrangimentos que exigem atenção. O primeiro é a incerteza regulatória. Embora a "Genius Act" e a arquitetura de compliance da Securitize ofereçam um caminho relativamente claro para fundos tokenizados, a classificação legal pela SEC de "participações tokenizadas" e os requisitos específicos de acesso de investidores permanecem por clarificar. Políticas divergentes de RWA entre jurisdições podem ainda restringir os fluxos de capital transfronteiriços.

O segundo fator é a evolução do panorama competitivo. A ascensão rápida do USYC da Circle demonstra que novos players focados em tokenização conseguem desafiar gigantes financeiros tradicionais em escala. Apesar da força da marca e da capacidade de gestão de ativos da BlackRock, a empresa enfrenta concorrência ao nível do alcance de utilizadores e da integração de liquidez para produtos on-chain.

Um terceiro fator é o contexto macroeconómico de taxas de juro. Em abril de 2026, o IPC dos EUA subiu 3,8% em termos homólogos, face aos 3,3% de março, alimentando expectativas de novas subidas das taxas. Se as taxas em dólares continuarem a aumentar, o apelo dos rendimentos das Treasuries on-chain reforçar-se-á, impulsionando entradas em fundos tokenizados. Pelo contrário, se as taxas caírem, o capital existente poderá reavaliar as suas estratégias de alocação.

No geral, 2026 está a revelar-se um ano decisivo, com as finanças tokenizadas a passarem de "pilotos institucionais" para "implementação em escala". Os dois novos pedidos da BlackRock, aliados ao histórico de sucesso do BUIDL, oferecerão às instituições financeiras tradicionais um modelo de estruturas em conformidade e de negócios viáveis. O ponto de viragem entre a experimentação e o crescimento explosivo da tokenização de RWA parece estar cada vez mais próximo.

Resumo

Em maio de 2026, a BlackRock submeteu à SEC pedidos para dois fundos de mercado monetário tokenizados, com o objetivo de trazer o fundo BSTBL de 6,1 mil milhões USD para on-chain e lançar o fundo multi-chain BRSRV dirigido a detentores de stablecoins. Ambos os produtos recorrem novamente à Securitize para suporte da infraestrutura on-chain. A principal inovação reside na arquitetura de compliance — integrando diretamente os registos de propriedade de participações em blockchain nos sistemas regulados de agentes de transferência, resolvendo o desafio histórico da titularidade legal off-chain em projetos RWA.

Com o TVL total em Treasuries tokenizadas a ultrapassar os 153,5 mil milhões USD e o mercado RWA acima dos 30,9 mil milhões USD, as instituições financeiras tradicionais estão a intensificar os seus esforços de tokenização. O setor é agora liderado por gigantes como a BlackRock e entra numa fase de construção de infraestrutura à escala institucional.

FAQ

Q1: Qual é a principal diferença entre o BSTBL e o BUIDL da BlackRock?

O BUIDL, lançado pela BlackRock em 2024, foi o seu primeiro fundo de mercado monetário tokenizado, criado de raiz e atualmente com cerca de 2,3–2,58 mil milhões USD sob gestão. O BSTBL representa a tokenização de um fundo de Treasuries dos EUA já existente, de 6,1 mil milhões USD, assinalando um novo patamar estratégico. O BRSRV, um novo fundo multi-chain dirigido a detentores de stablecoins, está também a ser lançado em paralelo com o BSTBL.

Q2: Porque é importante a estrutura de compliance dos fundos tokenizados?

Resolve o problema central de que a posse on-chain não equivale a titularidade legal off-chain. Enquanto agente de transferência regulado, a Securitize mantém o registo oficial dos titulares on-chain, garantindo que as participações tokenizadas são integradas no registo regulado do fundo.

Q3: Qual a dimensão do mercado de RWA tokenizados em 2026?

Em meados de maio de 2026, o valor total bloqueado em Treasuries dos EUA tokenizadas atingiu 153,5 mil milhões USD, e o mercado global de RWA tokenizados ultrapassou os 30,9 mil milhões USD — um aumento de cerca de 203% em termos homólogos.

Q4: Quem são os principais concorrentes no espaço de tokenização de RWA?

Os principais players incluem a BlackRock (BUIDL, ~2,58 mil milhões USD), a Circle (USYC, ~3 mil milhões USD), a Franklin Templeton (BENJI) e a JPMorgan (JLTXX), resultando num cenário competitivo de "dois picos e uma longa cauda".

Q5: Como veem as instituições financeiras tradicionais o potencial de longo prazo da tokenização?

O COO da BlackRock, Rob Goldstein, acredita que a tokenização dos mercados de capitais ainda está numa fase inicial, mas, partindo de uma base reduzida, o crescimento nos próximos anos será medido em múltiplos. Vê igualmente aplicações emergentes, como agentes de IA, a impulsionar uma procura explosiva por infraestrutura financeira on-chain desde a base.

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