O Bitcoin está sendo negociado a cerca de US$ 76.200, em queda de 2,1% nas últimas 24 horas, de acordo com dados da CoinGecko, enquanto a principal criptomoeda enfrenta uma convergência de catalisadores técnicos e macroeconômicos nesta semana. O Bitcoin subiu 14% em abril e está no caminho para seu quarto ganho semanal consecutivo, com todas as atenções voltadas para a lacuna do CME de US$ 82.000, os relatórios de resultados do Magnificent Seven e a reunião de política do Federal Reserve, de acordo com a reportagem.
Análise Técnica: A lacuna de US$ 82.000
Se o próximo movimento do Bitcoin provará ser mais um bull trap ou uma recuperação mais duradoura dependerá da capacidade da criptomoeda de fechar acima de US$ 82.000, segundo a empresa de trading QCP Capital, com sede em Singapura. Quando os futuros do CME fecham na sexta-feira e reabrem no domingo, a diferença entre o fechamento de sexta-feira e a abertura de domingo cria uma “lacuna” no gráfico — uma característica técnica que os mercados frequentemente revisitam antes de estabelecerem uma orientação direcional mais clara.
A QCP Capital identificou três razões-chave pelas quais as condições continuam construtivas. A primeira é que as taxas de funding perpétuo negativas e sustentadas do Bitcoin nos últimos sete dias, que poderiam ajudar os touros via “short squeeze se os preços romperem para cima”. As outras duas razões incluem a volatilidade implícita caindo enquanto as reversões de risco permanecem menos inclinadas para o lado negativo, com fluxos notáveis observados em torno das calls de 25 de setembro para US$ 90.000.
“Isso aponta para um reengajamento gradual com a exposição positiva e uma moderação na proteção contra a queda em relação às semanas anteriores, apesar das tensões geopolíticas em andamento”, disseram analistas da QCP. Uma ruptura bem-sucedida acima de US$ 82.000 vai adicionar combustível à recuperação em curso do Bitcoin, potencialmente levando-o em direção a US$ 90.000, argumentam os analistas da QCP.
Resultados do 1T e Apetite a Risco
Apesar da recuperação em alta contínua do mercado cripto, há um “risco macro imediato” vindo dos relatórios de resultados do primeiro trimestre para Microsoft, Amazon, Meta, Alphabet e Apple, cinco das chamadas “Magnificent Seven”. Os relatórios de resultados “vão ser um teste importante do apetite a risco mais amplo”, o primeiro teste significativo desse tipo desde o início do conflito EUA-Irã, segundo Wenny Cai, fundador da Anchored Finance, em comentários à Decrypt.
No mercado de previsão Myriad, os usuários agora veem uma chance de 75% de que o próximo movimento do petróleo bruto seja um pump para US$ 120, acima dos 63% no início da semana. Enquanto isso, a probabilidade do próximo movimento do Bitcoin ser um pump para US$ 84.000 caiu para 72% ante 76% no início da semana — sinalizando otimismo em queda, mas ainda elevado.
Reunião do Federal Reserve e Orientação de Powell
Outro catalisador macro importante é a reunião de dois dias do Federal Reserve, que termina na quarta-feira. Os mercados estão precificando uma chance de 100% de que as taxas sejam mantidas estáveis entre 3,50% e 3,75%, segundo a ferramenta CME FedWatch. No Myriad, os usuários colocam apenas 5% de chance de o Fed cortar as taxas em mais de 25 pontos-base antes de julho. O foco, portanto, será na orientação prospectiva do presidente Powell para o restante do ano, já que a orientação prospectiva do presidente Powell redefinirá o apetite a risco dos investidores dos EUA.
Perspectiva Estrutural
O Bitcoin está “se sustentando bem” do ponto de vista estrutural, de acordo com Cai, que descreveu uma postura cautelosamente otimista, citando “entradas constantes de ETFs e participação institucional melhorando”.
É necessário um catalisador — seja por um vento macro mais favorável mais claro ou por clareza regulatória — para estender a recuperação em alta do Bitcoin. Porém, até que tal evento ocorra, o movimento do preço do Bitcoin “continuará a ser impulsionado por uma combinação de níveis técnicos, posicionamento e volatilidade guiada por manchetes, em vez de uma única narrativa dominante”, acrescentou Cai.