Fazenda brasileira usa vacas tokenizadas como garantia na B3 (Bolsa de Valores)

RWA-1,26%
Key Takeaways
  • Fazenda Engenho Velho utilizou dez vacas tokenizadas avaliadas em R$ 120.000 como garantia de um empréstimo CPR-F de R$ 100.000 registrado na bolsa de valores B3.
  • Os colares com sensor de IA da Cowmed geram IDs exclusivos na blockchain, eliminando descontos tradicionais de 60% na garantia do gado por meio de monitoramento em tempo real.
  • Mais quatro produtores rurais brasileiros estão em avaliação pela Target FIDC, com meta de concessão de crédito de R$ 5 milhões até o fim de 2026.

Fazenda Engenho Velho, uma fazenda leiteira em Imbituva, Paraná, Brasil, usou dez vacas avaliadas em R$ 120.000 (aproximadamente US$ 23.310) como garantia para assegurar um empréstimo CPR-F de R$ 100.000 (cerca de US$ 19.420) junto à BMP, uma empresa de crédito direto autorizada pelo banco central, que vendeu os direitos de crédito para a Target FIDC, um fundo de recebíveis que registrou a operação na B3, a principal bolsa de valores do Brasil — marcando a primeira aceitação formal na bolsa de uma garantia tokenizada de gado. O acordo mira a crise do crédito agrícola no Brasil: pedidos de proteção por falência de empresas do agronegócio chegaram a 1.990 em 2025, quase quatro vezes as 534 protocoladas em 2023, segundo a Serasa Experian, impulsionados por juros altos, queda nos preços das commodities e choques climáticos. Cada vaca recebeu um ID único em blockchain gerado a partir de dados de saúde, comportamento e localização capturados por coleiras de sensores com IA desenvolvidas pela Cowmed, uma startup de tecnologia agrícola, eliminando a necessidade de vistorias presenciais nas fazendas e os descontos elevados — de até 60% — que os bancos tradicionalmente aplicam à garantia do gado devido à incerteza sobre a condição e a sobrevivência do animal.

Coleiras com IA da Cowmed geram IDs únicos em blockchain para cada vaca

O sistema da Cowmed faz o hash criptográfico dos dados de saúde, comportamento e localização capturados pelas coleiras inteligentes em identificadores resistentes a adulterações vinculados diretamente ao contrato de crédito. Thiago Martins, CEO da Cowmed, disse à CNN Brasil: “Pegamos a vaca, um ativo real e tangível, e transformamos em um ativo digital respaldado por um código único monitorado em tempo real. Essa digitalização permite o registro formal na B3 como uma garantia financeira — o processo oferece ao agricultor uma oportunidade vantajosa de obter financiamento, abrindo uma nova alternativa de garantia em um momento de forte restrição de crédito no agronegócio.” O CPR-F é uma Cédula de Produto Rural Financeira, o certificado de crédito rural do Brasil que permite aos agricultores pegar emprestado contra gado ou safras.

Bancos descontam garantias de gado em até 60% sem monitoramento em tempo real

Os bancos costumam descontar o gado usado como garantia em até 60%. Uma vaca avaliada em R$ 20.000 (US$ 2.380) no papel pode acabar valendo R$ 8.000 (US$ 1.600) para fins do empréstimo, porque os credores não têm um jeito confiável de acompanhar a condição do animal nem confirmar que ele ainda está vivo. Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, disse à Globo Rural: “Com o monitoramento, essa incerteza é eliminada. Os bancos vão cada vez mais exigir garantias de verdade e novas informações.” Martins afirmou: “A operação permite ao agricultor acessar crédito mais atraente em custo e limite. Queremos conectar o agricultor e a instituição financeira com uma nova alternativa.”

Pedidos de proteção por falência do agronegócio do Brasil chegaram a 1.990 em 2025

Pedidos de proteção por falência do agronegócio do Brasil — recuperação judicial, a versão do país do Chapter 11 — chegaram a 1.990 em 2025, quase quatro vezes as 534 protocoladas em 2023, segundo a Serasa Experian. Juros altos, preços de commodities em queda e choques climáticos se combinaram para criar uma emergência de crédito para o setor. O modelo de garantia tokenizada surgiu como resposta direta a essa realidade, segundo Martins.

Cowmed monitora 100.000 vacas em seis países avaliadas em R$ 2 bilhões

A Cowmed atualmente monitora 100.000 vacas em 1.200 fazendas no Brasil, nos EUA, no Canadá, no Uruguai, no Paraguai e na Bolívia, com um valor estimado combinado de R$ 2 bilhões (aproximadamente US$ 395,4 milhões). Martins projeta que 20% desse rebanho — R$ 400 milhões, ou US$ 77,6 milhões — poderiam ser dadas como garantia tokenizada em dois anos. Quatro agricultores brasileiros a mais já estão em avaliação pela Target FIDC, e as empresas buscam US$ 971.000 em crédito, ou cerca de US$ 5 milhões, por meio desse modelo até o fim de 2026. O acordo se encaixa na onda mais ampla de tokenização de RWA, que já atingiu mais de US$ 10 bilhões em valor total bloqueado em plataformas DeFi por meio de títulos do Tesouro dos EUA tokenizados e imóveis.

Perguntas Frequentes

O que a Fazenda Engenho Velho usou como garantia para o empréstimo na B3?
A Fazenda Engenho Velho usou dez vacas avaliadas em R$ 120.000 (aproximadamente US$ 23.310) como garantia para assegurar um empréstimo CPR-F de R$ 100.000 (cerca de US$ 19.420) junto à BMP, que vendeu os direitos de crédito para a Target FIDC, um fundo de recebíveis que registrou a operação na B3, a principal bolsa de valores do Brasil.

Como o sistema de tokenização da Cowmed elimina o desconto tradicional da garantia de gado?
As coleiras de sensores com IA da Cowmed capturam dados de saúde, comportamento e localização para cada vaca, que o sistema faz o hash criptográfico em IDs únicos em blockchain vinculados ao contrato de crédito. Esse monitoramento em tempo real elimina a incerteza que faz os bancos descontarem a garantia do gado em até 60%, porque os credores conseguem rastrear a condição de cada animal e confirmar que ele ainda está vivo sem vistorias presenciais nas fazendas.

Por que os pedidos de proteção por falência do agronegócio do Brasil aumentaram em quase quatro vezes entre 2023 e 2025?
Os pedidos de proteção por falência do agronegócio do Brasil chegaram a 1.990 em 2025, quase quatro vezes as 534 protocoladas em 2023, segundo a Serasa Experian. Juros altos, preços de commodities em queda e choques climáticos que criaram uma emergência de crédito para o setor impulsionaram esse aumento.

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