De 5 de junho de 2026, 15:30 a 15:45 (UTC), o preço do par BTC/USDT recuou de USDT 60.848,4 para USDT 60.046,7. Em 15 minutos, houve uma queda acentuada de 0,69%, com amplitude de 1,32%. O período ocorreu durante a manhã do pregão dos EUA (horário do Leste), com liquidez relativamente suficiente, mas com pressão vendedora concentrada sendo liberada, aumentando significativamente a volatilidade do mercado.
O principal motor dessa oscilação foi o fluxo líquido de saídas do ETF spot de Bitcoin, que registrou 13 pregões consecutivos de saques, acumulando US$ 4,33 bilhões (aprox. 59.400 BTC). A compra marginal de instituições retirou-se de forma ampla, formando uma pressão vendedora estrutural contínua. Ao mesmo tempo, a desalavancagem no mercado de derivativos acelerou: os contratos em aberto caíram 20,68% nos últimos 30 dias, para US$ 47,48 bilhões. A liquidação forçada de posições compradas alavancadas (long) gerou um ciclo de feedback negativo, ampliando o ritmo de venda no curto prazo.
Em segundo lugar, o ambiente macro continuou a piorar, somado à oscilação na confiança corporativa. Os dados de emprego não agrícola vieram acima do esperado (172K vs 85K estimado), reforçando a postura de espera do Federal Reserve, comprimindo as expectativas de cortes de juros. Isso beneficiou o dólar e pressionou ativos de risco. A escalada da situação no Oriente Médio levou a alta do preço do petróleo, rompendo a faixa de US$ 90 por barril; com o petróleo mais alto, o espaço para relaxamento monetário do Fed se reduz ainda mais. A MicroStrategy divulgou a primeira venda de 32 BTC desde 2022, quebrando o compromisso de “nunca vender”, enviando ao mercado um sinal de enfraquecimento da confiança de detentores corporativos. Os dados de posição institucional mostram redução de 31.400 BTC (-39%) por hedge funds e corte de 18.800 BTC (-53%) por corretoras, que se tornaram a principal força por trás das vendas; já os bancos, ao contrário, aumentaram a posição em 7.800 BTC, indicando uma divisão clara entre instituições.
Com o risco de mercado ainda elevado, a zona de suporte crítico de US$ 60.000 enfrenta um teste; se houver perda desse nível, pode se abrir espaço para um ajuste mais profundo. O RSI caiu para a faixa extrema de sobrevenda de 17 a 21,8. A dominância do BTC diminuiu mais de 5% nos últimos 19 dias, enquanto a dominância dos stablecoins ultrapassou 12,4%. Esses indicadores apontam para uma saída de capital da classe de ativos cripto. Na sequência, é preciso acompanhar com foco se os fluxos de capital dos ETFs conseguem continuar a ficar positivos, a trajetória do dólar e as mudanças nas posições institucionais. Com a piora do risco de volatilidade no curto prazo, os usuários devem gerenciar as posições com cautela.