Citadel, com sede em Miami, e a provedora suíça de mercado de criptomoedas Portofino Technologies concordaram conjuntamente em dispensar uma ação judicial por segredos comerciais nos Estados Unidos, em uma petição apresentada em Nova York na quarta-feira, 8 de julho de 2026, encerrando quase três anos de litígio. A Citadel afirmou que a decisão foi motivada pela crença de que qualquer sentença provavelmente não seria paga, tornando inútil a continuidade do processo, e destacou que a dispensa não tinha relação com o mérito de suas alegações. O encerramento do caso ocorre após a vitória separada da Citadel em uma arbitragem em Londres em 2025 contra os fundadores da Portofino, envolvendo reivindicações trabalhistas, incluindo violação de contrato, conspiração por meios ilegais e engano, com o fundador Leonard Lancia supostamente devendo 5,98 milhões de libras mais juros e custos decorrentes da sentença.
A dispensa conjunta apresentada na quarta-feira na Justiça dos EUA encerra um capítulo legal que nunca resultou em uma decisão sobre as alegações de segredos comerciais da Citadel. A Citadel informou ao tribunal que qualquer sentença favorável provavelmente não seria paga, tornando inútil a continuidade do litígio. Segundo o acordo, ambas as partes arcarão com seus próprios honorários e custos legais. A Citadel também dispensou alegações contra réus não identificados como Doe na mesma petição.
A Portofino Technologies, fundada em 2021 por ex-executivos da Citadel Securities, atua como uma fintech suíça especializada em criptomoedas. A empresa fornece infraestrutura de negociação institucional para mercados de ativos digitais, incluindo market making, negociação over-the-counter e gestão de tesouraria para bolsas, emissores de tokens e investidores institucionais.
A Citadel venceu uma arbitragem separada em Londres contra os fundadores da Portofino, envolvendo reivindicações trabalhistas, incluindo violação de contrato, conspiração por meios ilegais e engano. A Corte de Arbitragem Internacional de Londres emitiu a sentença em 2025, e o Tribunal Superior da Inglaterra a reconheceu formalmente em fevereiro de 2026, tornando-a executável no Reino Unido.
Lancia contestou a execução. A tentativa foi rejeitada em maio de 2026. Uma cobrança judicial efetuada em abril não foi satisfeita. Uma audiência no Tribunal Superior em 26 de junho examinou os bens de Lancia, e as evidências não convenceram o tribunal de que sua participação na Portofino tinha valor significativo.
Segundo registros judiciais, Lancia deve 5,98 milhões de libras decorrentes da sentença arbitral de 2025, além de juros e custos. Em relação a esse valor, a Citadel estima possuir garantia avaliada em cerca de 21.886 libras, composta principalmente por pequenas contas bancárias e participações minoritárias em empresas francesas. A disparidade entre a dívida e o colateral disponível é evidente.
A diferença entre uma vitória legal e a recuperação financeira não é incomum em litígios comerciais, mas aqui ela é particularmente acentuada devido aos números envolvidos. A Citadel possui uma sentença arbitral reconhecida e executável de um tribunal internacional respeitado, mas o valor prático dessa sentença é limitado pelo que o devedor realmente possui.
No mesmo dia em que apresentou a dispensa nos EUA, a Citadel solicitou ao Tribunal Superior da Inglaterra a declaração de falência do fundador da Portofino, Leonard Lancia. A medida é uma consequência direta da sentença arbitral não paga. Lancia também está sujeito a uma ordem de congelamento mundial.
A audiência de 26 de junho no Tribunal Superior, que avaliou o valor da participação de Lancia na Portofino, não apresentou evidências de que o interesse de propriedade tivesse valor significativo. A Citadel informou ao tribunal de Nova York que esses desenvolvimentos a levaram a acreditar que continuar o litígio nos EUA provavelmente não resultaria em mais do que uma sentença não satisfeita. O pedido de falência contra Lancia, agendado para o Tribunal Superior da Inglaterra, representa agora a via mais direta restante para a Citadel recuperar parte dos 5,98 milhões de libras da sentença.
O percurso dessa disputa traz uma lição mais ampla para o setor de ativos digitais. A Citadel iniciou o processo original em Nova York para estabelecer responsabilidade, provando que ex-executivos levaram informações proprietárias ao deixarem a empresa para fundar uma concorrente. Após quase três anos, essa questão permanece sem resposta formal. A estratégia legal mudou totalmente para fazer valer o que já havia sido conquistado em outro foro e por fundamentos diferentes.
Essa mudança — de alegações de segredos comerciais nos EUA para arbitragem em Londres e processos de falência no Reino Unido — ilustra a complexidade de buscar execução transfronteiriça em litígios relacionados a criptoativos. Uma empresa pode vencer todas as batalhas processuais e ainda assim enfrentar o problema fundamental de uma contraparte com ativos limitados espalhados por múltiplas jurisdições.
Por que a Citadel dispensou sua ação por segredos comerciais contra a Portofino?
A Citadel concluiu que qualquer sentença favorável provavelmente não seria paga e que continuar o litígio provavelmente só produziria outra sentença não satisfeita. A empresa destacou que a decisão não tinha relação com o mérito de suas alegações de segredos comerciais.
Qual foi o resultado da arbitragem em Londres envolvendo a Citadel e os fundadores da Portofino?
A Citadel venceu a arbitragem por reivindicações trabalhistas, incluindo violação de contrato, conspiração por meios ilegais e engano. A sentença foi emitida em 2025 pelo Tribunal de Arbitragem Internacional de Londres e reconhecida pelo Tribunal Superior da Inglaterra em fevereiro de 2026, tendo sua contestação por Lancia rejeitada em maio de 2026.
Quais ações legais a Citadel está tomando no Reino Unido contra o fundador da Portofino?
A Citadel entrou com pedido de falência contra Leonard Lancia na Justiça do Reino Unido para fazer valer uma dívida decorrente de sentença arbitral de 2025. Lancia também está sujeito a uma ordem de congelamento mundial, e uma audiência em 26 de junho no Tribunal Superior examinou seus bens.
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