O Índice de Medo e Ganância do Mercado Cripto subiu para seu nível mais alto desde 18 de janeiro, atingindo 46 nas últimas 24 horas, de acordo com dados da Alternative.me. Isso representa um salto de 14 pontos em relação ao dia anterior e marca o maior aumento registrado até agora neste ano, sinalizando uma mudança notável no sentimento do mercado, apesar de o índice permanecer na zona de “medo”.
A recuperação atual reflete uma construção gradual, e não uma mudança súbita. A alta começou por volta de 13 de abril, quando o índice caiu para 12, um dos níveis mais fracos deste ano, antes de melhorar constantemente nas semanas seguintes. Aumentos acentuados como este normalmente apontam para maior engajamento social e atenção renovada aos ativos cripto, embora o sentimento tenha lutado para sair da faixa de medo desde meados de janeiro.
Fonte: Alternative.me
Essa mudança no sentimento coincidiu com um retorno silencioso, porém constante, de capital para o mercado. Desde 13 de abril, a capitalização total do mercado de criptomoedas expandiu em US$ 193,13 bilhões, subindo 8,13% para US$ 2,58 trilhões, um patamar que anteriormente tem atuado como zona de resistência. Fluxos para produtos de investimento em cripto também reforçam essa tendência. Dados recentes mostram que os produtos cripto de negociação em bolsa atraíram US$ 1,4 bilhão em entradas, o maior valor semanal desde janeiro, estendendo uma sequência de três semanas de fluxos positivos, impulsionados em grande parte por investidores baseados nos EUA.
Condições macro tiveram um papel-chave nessa melhora. O alívio da tensão geopolítica entre os Estados Unidos e o Irã, após um cessar-fogo sem escalada imediata, ajudou a estabilizar o sentimento mais amplo de risco. Isso incentivou uma nova alocação de capital por investidores institucionais, especialmente nos EUA, junto com participação de empresas e do varejo.
Os riscos subjacentes permanecem evidentes, particularmente quando dados on-chain apontam para um mercado cada vez mais movido por atividade especulativa, sobretudo nas negociações de Bitcoin em torno de US$ 77.000. A demanda em mercados de derivativos disparou em relação à atividade à vista, com futuros perpétuos liderando a movimentação atual. Essa divergência espelha condições vistas no início de janeiro, quando o Bitcoin se aproximou de US$ 98.000 antes de enfrentar uma forte retração.
Esse cenário aumenta a probabilidade de um padrão semelhante se repetir, em que a realização de lucros em mercados alavancados transborda para uma pressão de venda mais ampla. Sinais iniciais dessa dinâmica já são visíveis, com dados de netflow à vista mostrando $263 milhão em vendas realizadas no dia anterior.
Fonte: CoinGlass
A cautela dos analistas reforça essa visão. João Wedson, da Alphractal, afirma que a estrutura mais ampla do mercado ainda não confirmou uma transição para uma fase de alta sustentada. “Este mercado de baixa pode durar um pouco mais. Pelo menos mais cinco a seis meses é o que eu acredito”, disse ele. Sua análise se baseia na relação entre preços realizados de detentores de longo prazo e de curto prazo. Historicamente, um ciclo de alta confirmado tem sido seguido por uma convergência entre essas métricas, uma condição que ainda não se materializou no mercado atual.
Ainda assim, nem todos os participantes do mercado compartilham essa postura cautelosa. Tom Lee, presidente da Bitmine, argumenta que o mercado cripto pode estar se aproximando do fim do que ele descreve como um “mini inverno cripto”. A empresa recentemente aumentou sua exposição ao Ethereum para 4,12% após sua compra mais recente, refletindo uma confiança crescente em uma recuperação de curto prazo. De acordo com a visão da Bitmine, o mercado pode estar entrando em uma fase de alívio, com a empresa se posicionando cedo por meio de acumulação contínua.
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