De máxima histórica no passado para queda intradiária de 13%: o que o mercado está temendo antes do balanço da Micron?

Em 23 de junho de 2026, a Micron Technology (Micron Technology) atingiu uma máxima histórica de US$ 1.213,56 durante o pregão. No mesmo dia, fechou em US$ 1.211,38, com alta de 6,82% no dia. Apenas um dia antes, a Micron havia anunciado uma parceria estratégica com a startup de IA Anthropic, abrangendo diversos aspectos, como pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, fornecimento de longo prazo e investimentos de capital.

No entanto, esse avanço histórico durou menos de 24 horas. Em 24 de junho, as ações da Micron despencaram já na abertura e, ao final, fecharam em US$ 1.051,77, com queda acentuada de 13,18% no dia. O volume negociado foi de US$ 63,370 bilhões. Na sessão, a mínima chegou a US$ 1.038,50, com amplitude de 7,14%. Da máxima histórica de US$ 1.213,56 à mínima intradiária de US$ 1.038,50, a retração superou 14%.

Isso não foi um evento isolado. No mesmo dia, o índice de semicondutores da Filadélfia despencou 7,9%, a SanDisk caiu 13,64%, a Western Digital recuou 8,45%, a ARM caiu mais de 10% e a Qualcomm, a Applied Materials e a Texas Instruments recuaram mais de 8%. O Nasdaq Composite fechou em queda de 2,21% e o valor de mercado das ações globais de chips evaporou milhares de bilhões de dólares em um único pregão.

Acúmulo de múltiplos ventos contrários ou um único fator domina essa queda

Em termos de mecanismo imediato de disparo, a queda de 24 de junho teve uma cadeia clara de transmissão. As ações ligadas a armazenamento na Ásia primeiro despencaram, e o pânico se espalhou atravessando o oceano até o pré-mercado dos EUA, fazendo com que o índice de semicondutores da Filadélfia despencasse já na abertura. Ao mesmo tempo, os sinais mais hawkish da política monetária divulgados pelo Federal Reserve na semana anterior continuaram a se intensificar — a inflação ainda permanece alta, e os investidores migraram para operações de menor risco (flight to quality), vendendo em massa as ações de tecnologia “queridinhas” que lideravam o desempenho do índice desde o início do ano.

As causas mais profundas estão no acúmulo de múltiplas pressões. Mark Haefele, diretor de investimentos da UBS Global Wealth Management, resumiu o dilema enfrentado pelas ações de tecnologia como “dupla pressão”: por um lado, as expectativas de que as taxas de juros se manterão em patamares elevados aumentaram, reduzindo o valor presente dos lucros futuros mais distantes; por outro lado, os investidores demonstram preocupação com a avaliação (valuation) elevada e a incerteza sobre a capacidade do AI de monetizar.

Do ponto de vista do setor, o segmento de chips de memória foi, por muito tempo, visto como um produto altamente cíclico, com preços variando de forma significativa conforme os ciclos de estoques e demanda. O rali atual veio de uma demanda estrutural impulsionada pela construção de infraestrutura de IA, mas as preocupações do mercado com o topo do ciclo nunca desapareceram de fato. Os dados históricos mostram que, quando a Micron atingiu o topo em 2022, o seu P/L era apenas 9 vezes; depois, as ações foram pela metade. Nos topos do ciclo de 1984 e 2018, os P/Ls foram, respectivamente, 15 vezes e 5,5 vezes. Esse padrão revela uma realidade cruel: baixos múltiplos em ações de memória tendem a aparecer no topo do ciclo, sinalizando o começo de perdas graves para investidores enganados pela aparência de “barato”.

Até que ponto as expectativas do resultado já chegaram

A Micron divulgará o relatório do 3º trimestre do ano fiscal de 2026 após o fechamento do pregão dos EUA em 24 de junho. E as expectativas do mercado para essa divulgação já atingiram um nível quase máximo.

Conforme a pesquisa de consenso de analistas da FactSet, o lucro por ação (EPS) ajustado da Micron até o trimestre encerrado em maio deve chegar a US$ 20,57, ante US$ 1,91 no mesmo período do ano anterior, um crescimento de quase 1.000%. Em receita, o consenso de analistas da Bloomberg projeta US$ 35,5 bilhões. As próprias orientações anteriores da Micron também estavam em patamar histórico — receita do 3T de US$ 33,5 bilhões (variação de US$ 0,75 bilhão para mais ou para menos) e margem bruta de cerca de 81%.

Mas a amplitude das divergências nas expectativas do mercado também é impressionante. As estimativas de receita variam de US$ 33,7 bilhões a US$ 40,9 bilhões, com discrepância de US$ 7 bilhões. Isso significa que, mesmo que a Micron entregue um resultado em linha com as diretrizes oficiais, pode não ser suficiente para satisfazer todos os investidores — o mercado precisa de algo acima do esperado.

O que chama ainda mais atenção é a questão da sustentabilidade do ritmo de crescimento. As previsões atuais indicam que o relatório do 3T pode marcar o pico de forma “de etapa” do crescimento do EPS ajustado da Micron. No próximo trimestre, a taxa de crescimento anual esperada desaceleraria para cerca de 725%. Quando o crescimento cair de 1.000% para patamares de 700%, a lógica de reprecificação de valuation do mercado mudará de maneira fundamental.

Por que o enredo de demanda passou a ser questionado de repente pelo mercado

Por mais de um ano, a lógica central das negociações do mercado foi “demanda infinita de IA por HBM”. Enquanto a Micron anunciasse que a capacidade estava esgotada, as ações ganhariam combustível para subir. E isso de fato aconteceu — a capacidade total da HBM3E e HBM4 da Micron para 2026 já foi alocada por meio de contratos de longo prazo, e toda a oferta de HBM para 2026 já está vendida. Dentro disso, os produtos HBM4 voltados para a plataforma Vera Rubin da Nvidia começaram a ser enviados em março de 2026, com uma escalada de produção em massa significativamente mais rápida do que a geração anterior.

Entretanto, à medida que a janela de divulgação do balanço se aproxima, o foco do mercado está mudando de forma sistêmica — de “enredo de demanda” para “enredo de desempenho”. Os investidores começaram a fazer uma pergunta mais direta: existe demanda, mas ela consegue ser convertida integralmente em receita e lucro?

Essa questão ganhou força justamente agora porque o balanço que se aproxima é suficiente para validar a qualidade do “mercado de alta de memória” dos últimos 18 meses. Quando o mercado deixa de aceitar apenas descrições qualitativas como “capacidade esgotada” e passa a exigir dados financeiros quantitativos, a diferença entre expectativa e realidade vira a maior fonte de incerteza. Há analistas que apontam que a preocupação dos investidores de que a demanda por chips possa não atingir as metas, somada à postura hawkish do Federal Reserve em curso, levou a um movimento de vendas concentradas antes do balanço.

O superciclo está sendo testado em um ponto de inflexão?

Mudanças estruturais no setor de chips de memória não podem ser ignoradas. A receita global de semicondutores está correndo para sair de US$ 800 bilhões rumo a US$ 1,3 trilhão; a HBM já ocupa mais de 85% da área de silício dos chips de IA. O Citi estima que a margem bruta da Micron no ano fiscal de 2026 deve saltar de 39,8% no ano fiscal de 2025 para 76,9%, e que, em 2027, avançaria ainda mais para 82,9%.

Mas o outro lado do ciclo também merece atenção. Algumas instituições preveem que o preço médio do DRAM e do NAND deve atingir o topo em meados de 2026, e que a média desses dois tipos de chips pode apresentar uma sequência de quedas de trimestre em trimestre já no começo do próximo ano. A Morgan Stanley, embora acredite que o ciclo de memória continua acelerando, também admite que a demanda por IA e os acordos de longo prazo podem prolongar o rali por mais tempo.

A queda de 24 de junho ocorreu nesse contexto. Ela não foi apenas uma correção técnica: refletiu a avaliação coletiva do mercado sobre a sustentabilidade do superciclo de chips de memória. Nos últimos 15 meses, as ações da Micron registraram um aumento de cerca de 18 vezes — do patamar de US$ 300 dobrar até US$ 600, e depois dobrar de US$ 600 até US$ 1.200. Diante de um movimento tão grande, qualquer sinal — por menor que seja — pode acionar a realização de lucros em larga escala.

Como o resultado do balanço pode influenciar o rumo do mercado

O balanço que se aproxima é visto como um catalisador-chave porque responderá simultaneamente a várias questões centrais.

Primeiro, o ritmo de crescimento dos lucros da Micron realmente atingirá o topo no 3T como o mercado espera. Se a aceleração do EPS for confirmada, o mercado deverá reduzir de forma sistêmica as expectativas de crescimento para o ano fiscal de 2027, o que afeta diretamente se o P/L atual de cerca de 49 vezes (TTM) consegue se sustentar.

Segundo, os comentários da administração sobre o ritmo de expansão da HBM4 e os gastos de capital no segundo semestre (CapEx) vão afetar diretamente o valuation do setor de equipamentos. A Micron anunciou um plano de expansão de capacidade de cerca de US$ 200 bilhões, mas a velocidade do cronograma de expansão determinará a rapidez com que o quadro de oferta e demanda muda.

Terceiro, os dados do mercado de opções mostram que o mercado aposta em cerca de 20% de oscilação no preço das ações da Micron com o balanço. Algumas instituições apontam que, se a variação pós-balanço ficar em torno de 5%, isso pode não ter impacto material no mercado; mas, se o movimento for de cerca de 10% para cima ou para baixo, isso pode levar a uma direção mais “tendencial” para as ações de tecnologia dentro das próximas duas semanas.

Além disso, a reunião anual de acionistas da Nvidia ocorrerá na madrugada de 25 de junho (horário de Pequim). Como a principal referência do ecossistema de computação de IA, a avaliação da Nvidia sobre a demanda a jusante e a descrição sobre os gargalos de oferta na cadeia de suprimentos serão outra variável central para o rumo do setor de semicondutores.

FAQ

P: Qual foi a máxima histórica da Micron antes da queda de 24 de junho?

R: A Micron atingiu, durante o pregão de 23 de junho de 2026, a máxima histórica de US$ 1.213,56. No dia, fechou em US$ 1.211,38.

P: Queda específica e preço de fechamento da Micron em 24 de junho?

R: De acordo com dados de cotação da Gate, em 24 de junho de 2026, a Micron fechou em US$ 1.051,77, com queda de 13,18% no dia. O volume negociado do dia foi de US$ 63,370 bilhões.

P: Qual é a expectativa do mercado para o balanço do 3T da Micron?

R: A expectativa de consenso dos analistas apurada pela FactSet indica que o EPS ajustado do 3T da Micron deve ser de US$ 20,57, com crescimento anual de quase 1.000%; a expectativa de receita é de cerca de US$ 35,5 bilhões. Contudo, a faixa de expectativas do mercado tem divergência grande, variando de US$ 33,7 bilhões a US$ 40,9 bilhões.

P: Qual foi a principal causa dessa queda?

R: A queda resultou da combinação de múltiplos fatores: sinais hawkish do Federal Reserve levaram à venda generalizada de ações de tecnologia; realização antecipada de lucros por investidores antes do balanço; preocupação do mercado com o topo do ciclo dos chips de memória; e questionamentos sobre o retorno dos investimentos em IA.

P: Qual é o status atual da capacidade de HBM da Micron?

R: A capacidade de HBM3E e HBM4 da Micron para todo o ano de 2026 já foi totalmente esgotada por meio de contratos de longo prazo. A empresa só consegue atender cerca de 50% a 66% das necessidades reais dos clientes.

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