JPMorgan: cadeias permissionadas privadas representam uma ameaça de longo prazo ao Bitcoin; o Strategy Liquidation é apenas um problema de curto prazo

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De acordo com um relatório liderado pelo diretor-geral Nikolaos Panigirtzoglou, do JPMorgan, vender 3.588 Bitcoins pela Strategy e levantar US$ 216 milhões é um problema de curto prazo; o Bitcoin, no entanto, enfrenta riscos estruturais de longo prazo mais profundos: se a tokenização, as atividades de pagamento e de liquidação acabarem se concentrando em blockchains privadas com permissão em vez de redes públicas, o ecossistema cripto sofrerá uma desvalorização estrutural, e esse efeito adverso acabará atingindo o Bitcoin.

JPMorgan: se as atividades de tokenização migrarem para cadeias com permissão, o ecossistema das redes públicas sofrerá desvalorização estrutural

Conforme o relatório do JPMorgan, a preocupação central não é a pressão de venda de curto prazo da Strategy, e sim a direção de longo prazo da tokenização, dos pagamentos e da liquidação. Se essas atividades acabarem ocorrendo em cadeias com permissão e não em blockchains públicas, o ecossistema cripto pode enfrentar os seguintes impactos estruturais:

Piora da liquidez: recursos não entram nos tokens nativos da blockchain pública

Enfraquecimento do fluxo de capital: o capital institucional contorna as redes públicas e vai para infraestrutura privada

Queda do volume de transações on-chain: as atividades são transferidas para um ambiente de permissão pouco transparente

Prejuízo ao Bitcoin: queda da vitalidade do ecossistema cripto como um todo, que por fim afeta a posição de mercado do Bitcoin

As razões pelas quais as instituições tendem a preferir blockchains privadas com permissão incluem: proteção de privacidade, controles de conformidade KYC/AML, mecanismos de governança, maior rendimento (throughput), estrutura de responsabilidade legal e previsibilidade regulatória.

BIS defende “livro-razão único” e medidas de SWIFT e CBDC fortalecem canais regulados

De acordo com o relatório do JPMorgan, citado no documento, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) já alertou que não se deve usar blockchains públicas sem permissão como infraestrutura financeira sistêmica, defendendo a criação de um “livro-razão único”, para manter a moeda de banco central tokenizada, depósitos bancários e ativos dentro de um escopo regulado.

A tokenização de depósitos (isto é, a digitalização de créditos sobre saldos bancários, sujeita à supervisão do banco e à cobertura de seguro de depósitos) é o caso mais típico; se formas intransferíveis, favorecidas pelos órgãos reguladores, se popularizarem, pode haver competição com o mercado de stablecoins no âmbito dos pagamentos institucionais.

Os projetos de blockchain do SWIFT e as medidas de CBDC (como o euro digital e o yuan digital) devem fortalecer ainda mais esse canal regulado.

Mercado de tokenização de RWA chega a quase US$ 50 bilhões

Conforme o relatório do JPMorgan, o tamanho do mercado de tokenização de ativos do mundo real (RWA) atualmente se aproxima de US$ 50 bilhões, com a maior parte baseada no Ethereum; porém, analistas consideram que isso ainda está apenas na fase inicial de testes, e não em uma arquitetura madura. À medida que a tecnologia amadurece, a emissão, a custódia e a liquidação podem migrar para infraestrutura privada, enquanto as cadeias públicas se concentrariam em distribuição e interoperabilidade.

Os casos da DTCC e da Securitize são citados como evidência dessa tendência; ao mesmo tempo, analistas questionam se, considerando a economia de capital trazida pela liquidação líquida diferida, o modelo de liquidação pública ainda seria a escolha mais eficiente para instituições reguladas.

JPMorgan apresenta três cenários que derrubam os argumentos: modelos híbridos, regulação amigável para stablecoins

Conforme o relatório do JPMorgan, analistas propõem três cenários possíveis que podem fazer com que os argumentos acima deixem de ser válidos: primeiro, que um modelo híbrido em que os dois tipos de cadeias sejam importantes se torne o padrão; segundo, que com regras regulatórias favoráveis (como o “Clarity Act”), a adoção de stablecoins seja maior; terceiro, que o Bitcoin continue desempenhando o papel de “ouro digital” e, independentemente do que aconteça em outras áreas do cripto, consiga servir para compensar desvalorizações.

Vale destacar que analistas do JPMorgan apontam que, mesmo que o “Clarity Act” seja aprovado ainda este ano, isso pode ocorrer com o custo de sacrificar a estabilidade das stablecoins públicas, para impulsionar o desenvolvimento de tokens de depósitos emitidos por bancos.

Perguntas frequentes

Para o JPMorgan, qual é a maior ameaça estrutural de longo prazo ao Bitcoin?

De acordo com o relatório liderado por Nikolaos Panigirtzoglou, do JPMorgan, a maior ameaça estrutural de longo prazo é a adoção por instituições e bancos de blockchains privadas com permissão, e não de redes públicas; se a tokenização, os pagamentos e a liquidação forem feitos em cadeias com permissão, o ecossistema cripto enfrentará desvalorização estrutural como piora da liquidez e enfraquecimento do fluxo de capital, o que por fim prejudica o Bitcoin.

Qual é o impacto da venda de BTC da Strategy sobre o Bitcoin?

Conforme o relatório do JPMorgan, a Strategy vendeu 3.588 Bitcoins no começo de julho (US$ 216 milhões; a maior venda única da empresa até hoje), o que é um problema de curto prazo: pode gerar pressão de venda no curto prazo, mas não é a principal ameaça estrutural enfrentada pelo Bitcoin.

Em que situações a tese do “risco das cadeias privadas” do JPMorgan deixaria de valer?

De acordo com o relatório do JPMorgan, três cenários podem invalidar seu argumento: um modelo híbrido com coexistência entre cadeias públicas e privadas se tornar o padrão; regras regulatórias favoráveis (como a aprovação do “Clarity Act”) impulsionarem a adoção ampla de stablecoins; e o Bitcoin continuar fornecendo função de hedge como “ouro digital”, sem ser afetado por outros segmentos do mercado de criptomoedas.

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