Michael Saylor, presidente da MicroStrategy, disse em uma entrevista no YouTube de sexta-feira com Natalie Brunell que “não é improvável” a empresa poder vender parte do Bitcoin antes do fim do ano. A declaração marca uma mudança notável em relação ao longo posicionamento de Saylor de “nunca vender” o ativo. Saylor enquadrou qualquer possível movimento como parte de um arcabouço mais amplo de gestão de capital, abrangendo Bitcoin, ações, crédito, dólares dos EUA e caixa. A empresa segue focada em resultados de longo prazo até 2033, com o objetivo declarado de maximizar o Bitcoin por ação em um horizonte de sete anos. Essa abertura para eventuais desinvestimentos de Bitcoin reflete a evolução da MicroStrategy, que saiu de uma estratégia pura de acumulação para uma abordagem de tesouraria mais ativa.
Saylor ressaltou que quaisquer vendas de Bitcoin seguiriam uma “abordagem programática e muito cuidadosa”, usando modelos multivariados. “No fim das contas, a forma de pensar é daqui a sete anos: nós gostaríamos de ter maximizado nosso Bitcoin por ação”, disse.
A mudança de tom não equivale a um plano de venda confirmado, mas sinaliza que a MicroStrategy está aberta a discutir desinvestimentos de Bitcoin como parte de uma gestão de capital mais ampla. A empresa passou anos construindo sua identidade em torno da acumulação, usando mercados de ações e de dívida para ampliar as posições em Bitcoin e se tornando uma das empresas mais observadas como proxy corporativa do ativo.
As observações anteriores de Saylor no episódio de 10 de maio do podcast The Wolf Of All Streets, com Scott Melker, fornecem um contexto adicional. Ele afirmou que a MicroStrategy possui aproximadamente US$ 65 bilhões em Bitcoin e levantou a possibilidade de vender durante a recente teleconferência de resultados da empresa. “Se o mercado achar que nós nunca venderíamos, as agências de classificação de crédito diriam: ‘Bem, então, suponho que não seja um ativo’”, disse Saylor, apontando preocupações das agências de rating sobre a estrutura de capital da empresa.
Saylor não abandonou o Bitcoin como ativo central da MicroStrategy. O argumento dele está mudando de “manter de forma absoluta” para otimização do balanço patrimonial. A métrica-chave que ele agora enfatiza é o Bitcoin por ação, e não o tamanho da pilha principal de Bitcoin divulgada pela empresa em qualquer ponto do tempo.
Essa diferença importa para os investidores. Uma empresa pode manter uma grande quantidade de Bitcoin e, ainda assim, diluir acionistas, enfraquecer sua estrutura de capital ou sofrer pressão de credores e de agências de rating. Os comentários mais recentes de Saylor sugerem que a MicroStrategy pode tratar vendas seletivas de Bitcoin como uma ferramenta, caso elas melhorem a posição de longo prazo da empresa ou sustentem o acesso a capital.
O momento das declarações de Saylor coincide com o Bitcoin sendo negociado perto do custo médio de aquisição da MicroStrategy. No momento da publicação, o Bitcoin estava cotado a US$ 75.958, enquanto a MicroStrategy havia adquirido 843.768 Bitcoin a um preço médio de aproximadamente US$ 75.700 cada, de acordo com o site da MicroStrategy e os dados da CoinMarketCap.
Isso deixa a posição de Bitcoin da empresa apenas ligeiramente acima do preço médio de compra reportado. Para uma companhia cujo papel frequentemente foi negociado com base no potencial positivo percebido da exposição alavancada ao Bitcoin, um “colchão” menor entre o preço de mercado e o custo de aquisição pode aumentar a pressão sobre discussões de financiamento, serviço da dívida e futuras captações de capital.
As ações da MicroStrategy fecharam na sexta-feira a US$ 159,89, com queda de 10,86% nos últimos 30 dias, segundo o Google Finance. A queda adiciona pressão a um modelo que dependeu fortemente da confiança do mercado tanto no Bitcoin quanto na capacidade da MicroStrategy de financiar a acumulação contínua.
Para investidores em Bitcoin, uma venda da MicroStrategy teria peso simbólico mesmo que o tamanho fosse limitado. A empresa se tornou um dos detentores corporativos de Bitcoin mais visíveis, e as mensagens públicas de Saylor ajudaram a moldar a narrativa institucional do ativo.
Para os acionistas da MSTR, a questão é mais direta. O valor da MicroStrategy depende não apenas do preço de mercado do Bitcoin, mas também de como a empresa gerencia efetivamente a diluição, a alavancagem, as condições de crédito e sua posição em caixa. Os comentários mais recentes de Saylor sugerem que o conselho pode estar disposto a usar várias ferramentas, incluindo vendas de Bitcoin, se essas ferramentas apoiarem o Bitcoin por ação no longo prazo.
O próximo teste da empresa é se ela conseguirá manter a confiança do mercado enquanto sai de uma história de acumulação pura para um modelo de tesouraria mais ativo. Saylor ainda defende exposição ao Bitcoin no longo prazo, mas a mensagem da empresa agora é mais condicionada: manter Bitcoin continua central, porém vender parte dele já não está fora de cogitação.
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