Rácio BTC/Ouro pode ter atingido mínimo histórico em fevereiro: Análise do relatório da Mercado Bitcoin

Mercados
Atualizado: 2026-03-11 13:25

No universo dos criptoativos, o "referencial" utilizado para medir o valor pode revelar panoramas de mercado completamente distintos. Embora a maioria dos investidores esteja habituada a acompanhar o preço do Bitcoin em dólares americanos, um ativo tradicional de reserva de valor—o ouro—está a emergir como uma nova lente para compreender a posição do Bitcoin no seu ciclo de mercado. Segundo o mais recente relatório de investigação da Mercado Bitcoin, a maior bolsa de criptoativos do Brasil, o fundo histórico do Bitcoin poderá já ter ocorrido em fevereiro de 2026, quando cotado em ouro. Esta perspectiva desafia a visão convencional baseada no dólar e oferece uma abordagem historicamente fundamentada para interpretar o sentimento de mercado pessimista atual.

Porque é que a cotação em ouro revela ciclos de mercado diferentes?

Quando cotado em dólares americanos, o pico do Bitcoin surge em outubro de 2025, atingindo cerca de 126 000 $. Contudo, ao mudar a unidade para ouro, o cronograma altera-se: o rácio BTC/ouro atinge o seu máximo muito mais cedo, em janeiro de 2025. O principal fator por detrás desta alteração é o forte movimento dos preços do ouro. Desde o início de 2025, compras de ouro por bancos centrais globais, conflitos geopolíticos e incerteza fiscal nas principais economias impulsionaram o preço do ouro de forma consistente, ultrapassando os 5 000 $ por onça no início de 2026.

Esta divergência conduz a uma consequência fundamental: apesar de o preço do Bitcoin em dólares permanecer bem acima dos seus mínimos históricos, a sua capacidade de comprar ouro (rácio BTC/ouro) tem vindo a diminuir há 14 meses consecutivos. Este fenómeno—resiliência em termos de dólar, mas fragilidade em termos de ativos reais—reflete a verdadeira natureza dos fluxos de capital macroeconómicos tradicionais. Quando aumenta a incerteza global, o capital tende a privilegiar o ouro, uma reserva de valor testada ao longo de milénios, em detrimento de ativos digitais que existem há pouco mais de uma década.

O que impulsiona o rácio BTC/ouro?

O mecanismo central por detrás das alterações no rácio BTC/ouro é a mudança macroeconómica entre "aversão ao risco" e "apetite pelo risco". Rony Szuster, Diretor de Investigação da Mercado Bitcoin, salienta que, desde o início de 2026, tensões comerciais globais, conflitos geopolíticos e disputas políticas internas nos EUA provocaram um aumento acentuado do índice de incerteza global. Neste contexto, o apelo do ouro enquanto ativo refúgio por excelência é amplificado, atraindo fluxos de capital significativos. Por outro lado, o Bitcoin é cada vez mais visto como um ativo de risco elevado, enfrentando forte pressão de saída.

Este movimento de capital é especialmente evidente no mercado de ETF. Desde novembro de 2025, os ETF de Bitcoin spot registaram saídas acumuladas de cerca de 7,8 mil milhões $, aproximadamente 12 % do total de ativos sob gestão. Isto indica que fundos macro de cobertura de curto prazo, que anteriormente entraram no Bitcoin via ETF, estão agora a sair e a direcionar-se para o ouro ou outros refúgios tradicionais perante a incerteza. Estes fluxos de capital opostos deprimem diretamente o rácio BTC/ouro.

Quais são as consequências de mercado desta divergência estrutural?

A acentuada divergência entre Bitcoin e ouro enfraquece, em primeiro lugar, a narrativa do Bitcoin como "ouro digital". Quando as suas tendências de preço divergem por mais de um ano, o mercado começa a reavaliar as características do Bitcoin enquanto ativo: será uma reserva de valor a longo prazo, como o ouro, ou um ativo de alta beta, sensível à liquidez macroeconómica? Os dados atuais apontam para a segunda hipótese. A análise da CoinDesk mostra que, tanto em períodos de um como de cinco anos, o ouro superou o Bitcoin. Para investidores que sempre acreditaram na narrativa da escassez do Bitcoin, isto representa uma mudança estrutural que não pode ser ignorada.

Em segundo lugar, esta divergência altera a psicologia dos investidores relativamente às suas posições. Muitos investidores que avaliam os seus portfólios em dólares podem não perceber que o seu poder de compra (medido em ouro) está a diminuir. Esta perda oculta reduz a disposição dos detentores de longo prazo para vender, mas pode também conduzir a uma "apatia" e inação no fundo do mercado, deixando o mercado sem novo poder de compra para impulsionar uma reversão.

O que significa isto para o panorama atual do mercado?

Apesar do mercado de baixa no rácio BTC/ouro, esta situação está igualmente a moldar uma nova dinâmica de mercado. Em primeiro lugar, os "whales" institucionais adotam uma abordagem contrária. Enquanto os investidores de retalho fogem por medo, os grandes investidores de longo prazo encaram o intervalo atual como uma zona de acumulação. O relatório destaca que o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Investment Company, e a Al Warda Investment Company aumentaram a sua exposição a ETF de Bitcoin spot em meados de fevereiro de 2026, demonstrando que o capital estratégico está a aproveitar o pânico do mercado para construir posições.

Em segundo lugar, indicadores técnicos extremos sinalizam uma crescente pressão para uma reversão à média. Vários analistas observaram que o RSI semanal (Índice de Força Relativa) para o rácio BTC/ouro caiu para mínimos históricos. Ocorrências anteriores—em 2015, 2018 e 2022—foram seguidas por tendências ascendentes sustentadas durante mais de um ano. Estatisticamente, valores extremos costumam marcar o esgotamento da tendência atual e o início de um novo ciclo.

Como poderá evoluir o futuro?

Com base em estatísticas de ciclos históricos, a Mercado Bitcoin traça uma trajetória clara: se os padrões passados se repetirem, o fundo do Bitcoin cotado em ouro terá ocorrido em fevereiro de 2026, podendo o mercado entrar numa fase de recuperação em março. Esta projeção baseia-se em ciclos de baixa que normalmente duram entre 12 e 14 meses, e do pico de janeiro de 2025 até fevereiro de 2026, o cronograma encaixa neste padrão.

No entanto, é improvável que o futuro seja uma simples repetição da história. Mais provavelmente, Bitcoin e ouro passarão de uma relação de "balança" para uma dinâmica de "duplo motor". Se a liquidez global se tornar mais favorável nos próximos seis meses, a elevada volatilidade do Bitcoin poderá impulsionar uma recuperação muito superior à do ouro, restaurando rapidamente o rácio BTC/ouro. O lançamento de opções sobre ETF de Bitcoin spot e uma adoção institucional mais ampla poderão reforçar ainda mais a lógica subjacente do Bitcoin enquanto "reserva de valor digital", tornando-o mais complementar ao ouro do que adversarial.

Riscos e limitações potenciais

É fundamental salientar as limitações inerentes ao uso de rácios para identificar fundos de mercado. Em primeiro lugar, a incerteza macroeconómica. Tensões geopolíticas persistentes e inflação resistente podem manter os preços do ouro elevados. Se o ouro continuar a subir enquanto o Bitcoin estagna, o fundo do rácio poderá ser repetidamente testado ou até ultrapassado. Em segundo lugar, o risco de quebra de padrões históricos. Embora os últimos 14 meses de mercado de baixa se enquadrem nas normas históricas, o ambiente de mercado mudou drasticamente—alta liquidez em ETF e trajetórias complexas de taxas de juro macroeconómicas podem conduzir a um ciclo diferente desta vez. Por fim, o sentimento de mercado autorrealizável e a reflexividade. Se demasiados investidores acreditarem que "fevereiro é o fundo" e entrarem cedo, o fundo poderá surgir antes, mas o poder de compra pode esgotar-se demasiado rapidamente para sustentar uma tendência duradoura.

Conclusão

O relatório da Mercado Bitcoin oferece uma perspetiva única para além do padrão do dólar: o Bitcoin cotado em ouro poderá já ter atravessado o seu túnel mais escuro. Esta conclusão assenta não só em estatísticas de ciclos históricos, mas também numa análise profunda dos fluxos de capital macroeconómicos, do comportamento institucional e de indicadores técnicos extremos. Para os investidores, a fase atual pode não ser um abismo sem esperança, mas, como refere o relatório—"estatisticamente, estamos na zona onde normalmente se constroem os melhores preços médios." O verdadeiro teste é saber se consegue manter uma lógica clara em meio ao medo e esperar pacientemente pela reconstrução do consenso de mercado.


FAQ

O que é o rácio BTC/ouro e porque é relevante?

O rácio BTC/ouro mede quanto Bitcoin se pode comprar com uma onça de ouro, ou, inversamente, o valor obtido ao dividir o preço do Bitcoin pelo preço do ouro. É relevante porque elimina fatores de inflação ou desvalorização das moedas fiduciárias (como o dólar americano), avaliando diretamente o poder de compra do Bitcoin face ao ouro, a reserva de valor tradicional. Isto ajuda a identificar a verdadeira posição do Bitcoin no seu ciclo de mercado.

Quais são as principais conclusões do relatório da Mercado Bitcoin?

O relatório indica que, historicamente, os ciclos de baixa do Bitcoin duram entre 12 e 13 meses, e o pico do Bitcoin cotado em ouro ocorreu em janeiro de 2025. Assim, a janela potencial para o fundo poderá ser fevereiro de 2026, com início da recuperação em março. Não se trata de uma previsão de preços em dólares, mas de uma avaliação do ciclo com base no rácio BTC/ouro.

Que indicadores técnicos apoiam atualmente a identificação do fundo?

Vários indicadores técnicos apresentam leituras extremas: o RSI semanal caiu para mínimos históricos, que anteriormente marcaram fundos importantes; o rácio BTC/ouro está muito abaixo da sua média móvel de 200 semanas, com a correção a aproximar-se dos níveis históricos de mercado de baixa; e o indicador Z-Score mostra também que o Bitcoin está subvalorizado face ao ouro.

O que estão as instituições a fazer com o seu capital neste momento?

Os fluxos de capital estão a divergir. Por um lado, fundos macro de curto prazo estão a sair—cerca de 7,8 mil milhões $ saíram dos ETF de Bitcoin desde novembro de 2025. Por outro lado, investidores estratégicos de longo prazo, como o fundo soberano de Abu Dhabi, encaram a queda como uma oportunidade de compra e aumentam a sua exposição.

Quais são os principais riscos na avaliação do fundo?

Os principais riscos incluem: surpresas geopolíticas ou inflacionistas que mantenham o ouro forte e deprimam ainda mais o rácio; quebra dos padrões de ciclo histórico devido a alterações macroeconómicas; e um sentimento de mercado demasiado uniforme que dificulte a formação do fundo. Os investidores devem tomar decisões racionais com base na sua própria tolerância ao risco.

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